{"id":131548,"date":"2018-05-06T19:46:21","date_gmt":"2018-05-06T21:46:21","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=131548"},"modified":"2018-05-06T19:46:21","modified_gmt":"2018-05-06T21:46:21","slug":"pesquisa-da-ufmg-vai-comparar-efeitos-de-medicamentos-para-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=131548","title":{"rendered":"Pesquisa da UFMG vai comparar efeitos de medicamentos para HIV"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) est\u00e3o recrutando participantes para um estudo que pretende comparar dois medicamentos considerados equivalentes para a Profilaxia Pr\u00e9-Exposi\u00e7\u00e3o ao HIV (PrEP), um que atualmente precisa ser importado e outro j\u00e1 produzido no Brasil. Poder\u00e3o se voluntariar quem se enquadre nos grupos considerados chave: homens que fazem sexo com outros homens e pessoas trans com pelo menos 18 anos.<\/p>\n<p>Os interessados devem buscar o Centro de Refer\u00eancia em Doen\u00e7as Infecciosas e Parasit\u00e1rias Orestes Diniz, no centro de Belo Horizonte. Haver\u00e1 uma triagem e ser\u00e3o selecionadas ao final 200 pessoas. Metade delas far\u00e1 uso de um dos medicamentos e a outra metade do outro. Os participantes n\u00e3o saber\u00e3o qual a vers\u00e3o estar\u00e3o tomando. O acompanhamento se dar\u00e1 ao longo de 12 meses.<\/p>\n<p>A PrEP \u00e9 uma p\u00edlula antirretroviral que forma uma barreira qu\u00edmica e impede a infec\u00e7\u00e3o por HIV. Seu uso deve ocorrer diariamente e depende de prescri\u00e7\u00e3o e acompanhamento m\u00e9dico. Se tomado corretamente conforme as orienta\u00e7\u00f5es, sua prote\u00e7\u00e3o pode alcan\u00e7ar percentual pr\u00f3ximo a 100%. Especialistas recomendam  que o m\u00e9todo deve ser combinado com outras medidas, incluindo o uso de preservativos, que protege contra as demais doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis (DSTs).<\/p>\n<p>O Brasil foi pioneiro na Am\u00e9rica Latina ao adot\u00e1-lo como pol\u00edtica de sa\u00fade. O Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) distribui desde o fim do ano passado o medicamento para grupos espec\u00edficos considerados chave no combate \u00e0 Aids. Entre eles, est\u00e3o homens que fazem sexo com homens, gays, pessoas trans, profissionais do sexo e casais em que um membro \u00e9 soropositivo e o outro n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>A marca mais difundida no mercado internacional \u00e9 o medicamento Truvada, da empresa norte-americana Gilead. Trata-se de uma associa\u00e7\u00e3o dos f\u00e1rmacos Emtricitabina e Tenofovir distribu\u00edda pelo SUS. Embora essa combina\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o seja produzida no Brasil, a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, anunciou recentemente um acordo  visando sua fabrica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, alguns laborat\u00f3rios nacionais produzem um medicamento que j\u00e1 foi apontado como equivalente pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). Trata-se da associa\u00e7\u00e3o entre Lamivudina e Tenofovir. No Brasil, por\u00e9m, a combina\u00e7\u00e3o desses dois f\u00e1rmacos n\u00e3o \u00e9 usada para a PrEP, o que poder\u00e1 ocorrer com o aprofundamento dos estudos. Por outro lado, ela \u00e9 geralmente prescrita para m\u00e3es gr\u00e1vidas soropositivas, pois atua para impedir a transmiss\u00e3o do v\u00edrus ao beb\u00ea. Tamb\u00e9m \u00e9 indicado no tratamento da Aids para pacientes em geral e ainda como Profilaxia P\u00f3s-Exposi\u00e7\u00e3o ao HIV (PEP), que consiste no uso da medica\u00e7\u00e3o em at\u00e9 72 horas ap\u00f3s situa\u00e7\u00e3o em que exista risco de infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Existem trabalhos internacionais que mostram que o Tenefovir sozinho funciona t\u00e3o bem quanto associado \u00e0 Emtricitabina ou \u00e0 Lamivudina&#8221;, conta infectologista e professor da UFMG, Dirceu Grego, coordenador do estudo. Ele explica, por\u00e9m, que a pesquisa da UFMG se classifica como estudo cl\u00ednico de fase 2, que avaliar\u00e1 a seguran\u00e7a e aceitabilidade da medica\u00e7\u00e3o. A efic\u00e1cia \u00e9 analisada com mais detalhamento na fase 3, que envolve um n\u00famero maior de pessoas, embora algumas sinaliza\u00e7\u00f5es j\u00e1 possam ser observadas na fase 2.<\/p>\n<p>A pesquisa da UFMG conta o financiamento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e poder\u00e1 dar seguran\u00e7a para que o governo brasileiro, no futuro, opte por usar como PrEP o medicamento baseado na associa\u00e7\u00e3o entre Lamivudina e Tenefovir, que j\u00e1 conta com vers\u00f5es nacionais. Mesmo que o custo das duas p\u00edlulas seja semelhante, j\u00e1 que a ind\u00fastria estrangeira tem condi\u00e7\u00f5es de baixar o pre\u00e7o e enfrentar a concorr\u00eancia nacional, Dirceu Greco considera que h\u00e1 algumas vantagens quando se compra o medicamento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;A ind\u00fastria brasileira paga impostos no Brasil, gera emprego e renda, os trabalhadores que s\u00e3o pagos moram no pa\u00eds. Ent\u00e3o existe esse argumento. Talvez n\u00e3o se economize tanto no custo do medicamento, mas ao estimular a ind\u00fastria nacional h\u00e1 v\u00e1rios efeitos secund\u00e1rios na economia nacional. Mas pode acontecer da ind\u00fastria internacional baixar significativamente o pre\u00e7o. A\u00ed n\u00e3o tem jeito. Provavelmente, o governo vai comprar l\u00e1 fora&#8221;, avalia o infectologista.<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia de uma comprova\u00e7\u00e3o segura da equival\u00eancia das duas associa\u00e7\u00f5es, segundo ele, seria o impacto mundial. Em sua vis\u00e3o, se o governo brasileiro optar um dia por usar a associa\u00e7\u00e3o de Lamivudina e Tenefovir e mostrar na pr\u00e1tica essa equival\u00eancia, outros pa\u00edses que n\u00e3o t\u00eam a produ\u00e7\u00e3o do medicamento ter\u00e3o novos elementos para negociar um pre\u00e7o melhor junto \u00e0 ind\u00fastria internacional.<\/p>\n<p><strong>Comportamento<\/strong><\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m pretende observar aspectos vinculados ao comportamento e ao contexto sociocultural. O objetivo \u00e9 produzir conhecimento a partir da realidade local, subsidiando a estrutura\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e de campanhas em sa\u00fade. Em alguns pa\u00edses, por exemplo, pesquisas mostraram que as pessoas n\u00e3o passaram a usar menos camisinha por usarem PrEP. Para Dirceu Grego, a p\u00edlula traz vantagens, mas deve ser encarada como um m\u00e9todo a mais e n\u00e3o como m\u00e9todo alternativo. Ele reconhece, por\u00e9m, que algumas pessoas podem negociar riscos e decidir us\u00e1-la em substitui\u00e7\u00e3o ao preservativo.<\/p>\n<p>&#8220;A preven\u00e7\u00e3o ao HIV, teoricamente, \u00e9 simples: se todos usassem preservativo, n\u00e3o haveria mais transmiss\u00e3o nem do HIV e nem das demais DSTs. Mas na pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 assim. Se fosse, j\u00e1 ter\u00edamos colocado fim \u00e0 epidemia. Mas a sexualidade n\u00e3o \u00e9 algo mec\u00e2nico. A tomada de decis\u00e3o sobre o risco \u00e9 algo complexo que envolve, entre diversos fatores, diferen\u00e7as sociais, quest\u00f5es de acesso, aspectos culturais de um pa\u00eds machista como o nosso. Numa rela\u00e7\u00e3o heterossexual, geralmente quem mais influi na decis\u00e3o sobre usar um m\u00e9todo de barreira \u00e9 o homem&#8221;, diz o infectologista.<\/p>\n<p>Para ele, h\u00e1 tamb\u00e9m aspectos de ordem psicol\u00f3gica e discuss\u00f5es complexas, entre elas qual a defini\u00e7\u00e3o de prazer sexual. Os pesquisadores da UFMG se prop\u00f5em ainda a monitorar os efeitos colaterais e os eventos adversos e saber se, nesse aspecto, h\u00e1 diferen\u00e7a entre os dois medicamentos. Ir\u00e3o medir tamb\u00e9m a qualidade de vida dos volunt\u00e1rios e observar, por exemplo, o desenvolvimento de ansiedade e estresse decorrente do esfor\u00e7o e do compromisso di\u00e1rio de se tomar a p\u00edlula.<\/p>\n<p>&#8220;Tomar um medicamento diariamente n\u00e3o \u00e9 algo trivial. Como uma pessoa que n\u00e3o possui HIV vai lidar com a situa\u00e7\u00e3o de levar na carteira ou na bolsa um frasco de comprimidos contra o v\u00edrus?&#8221; questiona Dirceu Grego. A dificuldade de garantir ades\u00e3o constante ao preservativo tamb\u00e9m pode se repetir com a p\u00edlula, o que \u00e9 outra preocupa\u00e7\u00e3o, sobretudo porque \u00e9 essencial a disciplina do uso di\u00e1rio do medicamento.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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