{"id":131142,"date":"2018-04-25T18:57:41","date_gmt":"2018-04-25T20:57:41","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=131142"},"modified":"2018-04-25T18:57:41","modified_gmt":"2018-04-25T20:57:41","slug":"acoes-para-minimizar-impacto-da-lama-ainda-sao-necessarias-em-mariana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=131142","title":{"rendered":"A\u00e7\u00f5es para minimizar impacto da lama ainda s\u00e3o necess\u00e1rias em Mariana"},"content":{"rendered":"<p>Eles ouviam barulho da \u00e1gua, dos p\u00e1ssaros, do agito de plantas. Fez-se o sil\u00eancio e o deserto. &#8220;Eu estava em casa e ouvi um barulho&#8221;, diz Jos\u00e9 Nascimento. &#8220;N\u00e3o tinha a dimens\u00e3o do que ocorreu&#8221;, recorda M\u00f4nica dos Santos. Moradores da cidade de Mariana hoje vagam, pelo olhar ou pela mem\u00f3ria, pelo lugar que era mais do que endere\u00e7o. Identidade se fez seca. Santu\u00e1rio se fez \u00e1rido. Transparente se fez quente, espesso, oleoso e imbeb\u00edvel. Traumatizados e sob o risco do que poderia ter sido, sobreviventes do maior desastre ambiental da hist\u00f3ria do Brasil s\u00e3o como Fabiano e Sinh\u00e1 Vit\u00f3ria, meninos e meninas sem nome a andar contra a seca mesmo diante de tanta \u00e1gua. Tinham Rio Doce no sobrenome e correndo no sangue. Acabou. O olhar virou dor e asco. Quase tr\u00eas anos ap\u00f3s a trag\u00e9dia de Mariana, monitoramento di\u00e1rio e a\u00e7\u00f5es para minimizar o impacto da lama ainda s\u00e3o necess\u00e1rios. O desastre exemplifica em caminhos manchados como a falta de responsabilidade ambiental pode afundar o leito e contaminar a nascente para uma consequ\u00eancia irrepar\u00e1vel. Quanto custa perder o Rio Doce? Uma li\u00e7\u00e3o amarga que um pa\u00eds gigantesco como o Brasil precisa encarar para evitar que outros epis\u00f3dios como esse se repitam.<\/p>\n<p>Quando a barragem da Samarco se rompeu, em 5 de novembro de 2015, e 62 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de lama invadiram o distrito de Bento Rodrigues (na cidade mineira de Mariana), muitas d\u00favidas surgiram. Algumas dessas quest\u00f5es estavam relacionadas ao impacto ambiental da trag\u00e9dia. Em meio ao trabalho de resgate de v\u00edtimas e realoca\u00e7\u00e3o de desabrigados, alguns \u00f3rg\u00e3os se mobilizaram para mensurar as consequ\u00eancias da trag\u00e9dia ao meio ambiente e \u00e0 bacia do Rio Doce.<\/p>\n<p>O desastre com a barragem de Fund\u00e3o \u2013 pertencente \u00e0 mineradora Samarco, cujas controladoras s\u00e3o a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton \u2013 foi considerado o maior da hist\u00f3ria do Brasil. Foram 19 mortos, centenas de im\u00f3veis destru\u00eddos, milhares de pessoas desabrigadas e danos ambientais que, com a polui\u00e7\u00e3o do Rio Doce, se estenderam aos estados do Esp\u00edrito Santo e da Bahia.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, a verifica\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do Rio Doce acabou sendo feita por equipes que estavam em campo. Uma delas era a do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (CPRM). Sem saber a real dimens\u00e3o que o desastre poderia ter, uma equipe de dois t\u00e9cnicos foi deslocada no dia 6 de novembro para verificar o n\u00edvel das \u00e1guas (e da lama) no Rio Doce.<\/p>\n<p>Independentemente da qualidade da \u00e1gua, o temor naquele momento era que a onda de lama invadisse outras cidades (como Governador Valadares) e comunidades ribeirinhas. De acordo com o pesquisador M\u00e1rcio C\u00e2ndido, engenheiro do CPRM, era invi\u00e1vel fazer muitas avalia\u00e7\u00f5es naquele instante: \u201cO n\u00edvel de sedimentos era t\u00e3o grande que nem era poss\u00edvel colocar um barco no Rio Doce\u201d.<\/p>\n<p>Paralelamente ao monitoramento do CPRM, o Instituto Mineiro de Gest\u00e3o das \u00c1guas (IGAM) intensificou os trabalhos e come\u00e7ou a analisar a qualidade da \u00e1gua diariamente. Com o passar dos dias, a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) passou a dar suporte para o CPRM, que chegou a deslocar dez pessoas para o monitoramento e come\u00e7ou a coletar dados sobre a qualidade das \u00e1guas do rio. Os primeiros resultados do CPRM e do IGAM mostravam o que poderia ser visto a olho nu: o Rio Doce (que mesmo antes do acidente estava em situa\u00e7\u00e3o degradante) estava muito comprometido pela lama da Samarco. Os n\u00edveis de turbidez da \u00e1gua (o quanto ela n\u00e3o est\u00e1 transparente), condutividade el\u00e9trica, oxig\u00eanio dissolvido, res\u00edduos s\u00f3lidos e de mangan\u00eas estavam muito acima do aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mesmo diante do desastre, uma informa\u00e7\u00e3o acalmou um pouco os t\u00e9cnicos. Metais t\u00f3xicos como merc\u00fario e chumbo estavam nos n\u00edveis normais. \u201cVimos que o impacto foi mais f\u00edsico e social do que qu\u00edmico. Houve impacto, mas quimicamente n\u00e3o foi t\u00e3o danoso. Nas an\u00e1lises qu\u00edmicas n\u00e3o foi detectada nenhuma altera\u00e7\u00e3o fora do comum de metais que possam ser absorvidos.\u201d, afirma C\u00e2ndido. O pesquisador aponta que o tipo de minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o foi decisivo para que o Rio Doce n\u00e3o sofresse um impacto ainda maior: \u201cSe fosse uma mina de ouro que tivesse barreado em Mariana, o acidente teria um impacto, dadas as propor\u00e7\u00f5es, semelhante ao desastre de Chernobil por causa dos elementos utilizados na extra\u00e7\u00e3o de ouro\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/lama_mariana.jpg\" alt=\"\" \/><em>A\u00e7\u00f5es para minimizar impacto da lama ainda s\u00e3o necess\u00e1rias (Foto: Jos\u00e9 Cruz \/ Ag\u00eancia Brasil)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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