{"id":130660,"date":"2018-04-13T14:04:20","date_gmt":"2018-04-13T16:04:20","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=130660"},"modified":"2018-04-13T14:04:20","modified_gmt":"2018-04-13T16:04:20","slug":"depressao-atinge-289-de-vitimas-de-tragedia-em-mariana-diz-ufmg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=130660","title":{"rendered":"Depress\u00e3o atinge 28,9% de v\u00edtimas de trag\u00e9dia em Mariana, diz UFMG"},"content":{"rendered":"<p>Mais de dois anos ap\u00f3s o rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), quase 30% dos atingidos sofrem com depress\u00e3o. O percentual \u00e9 cinco vezes superior ao constatado na popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), em 2015, 5,8% dos brasileiros tinham depress\u00e3o (11,5 milh\u00f5es de pessoas).<\/p>\n<p>Os dados fazem parte do projeto Prismma, um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o de Mariana (MG) atingida pelo rompimento da barragem, ocorrido em novembro de 2015.<\/p>\n<p>O transtorno de ansiedade generalizada foi diagnosticado em 32% dos entrevistados, apontando para uma preval\u00eancia tr\u00eas vezes maior que a existente na popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>O estudo foi conduzido em parceria com a C\u00e1ritas, entidade escolhida pelos atingidos que moram em Mariana para prestar assessoria t\u00e9cnica no processo de repara\u00e7\u00e3o. No total, 64 entrevistadores aplicaram um question\u00e1rio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o impactada nos dias 15, 16 e 17 de novembro do ano passado. Dos 479 indiv\u00edduos abordados, 225 adultos e 46 crian\u00e7as e adolescentes at\u00e9 17 anos aceitaram participar da pesquisa. O restante se recusou, alegou medo de assinar documentos ou tinha outra justificativa para n\u00e3o responderem \u00e0s perguntas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da depress\u00e3o e do transtorno de ansiedade generalizada, foram avaliados tamb\u00e9m o transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, o risco de suic\u00eddio e os transtornos relacionados ao uso de subst\u00e2ncias psicotr\u00f3picas, como \u00e1lcool, tabaco, maconha, crack, coca\u00edna. &#8220;Encontramos uma preval\u00eancia aumentada de transtornos psiqui\u00e1tricos relacionados ao estresse na popula\u00e7\u00e3o atingida quando comparados aos dados descritos na literatura&#8221;, registra o estudo.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia de \u00e1lcool foi diagnosticada em 5,8% da popula\u00e7\u00e3o e a de tabaco em 20%, enquanto 0,9% foi considerado dependente de maconha e 0,4% dependente de coca\u00edna ou crack. J\u00e1 o risco de suic\u00eddio foi identificado em 16,4% dos entrevistados. Entre eles, est\u00e3o pessoas que declararam desejo de morte, relataram ideias suicidas, afirmaram que planejaram se suicidar no \u00faltimo m\u00eas ou reconhecerem j\u00e1 ter tentado alguma vez colocar fim \u00e0 pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Entre as crian\u00e7as, o principal achado da pesquisa da UFMG foi a alta frequ\u00eancia de entrevistados que preencheram crit\u00e9rios para transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, superior a 82%. Nos adultos, este diagn\u00f3stico envolveu 12% dos atingidos. No recorte por sexo, notou-se que a preval\u00eancia nas mulheres, de 13,9%, foi superior em compara\u00e7\u00e3o com os homens, que ficou em 8,6%.<\/p>\n<p><strong>Adoecimento<\/strong><\/p>\n<p>A trag\u00e9dia de Mariana provocou a libera\u00e7\u00e3o no ambiente de aproximadamente 39 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos, que causaram devasta\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa e polui\u00e7\u00e3o de afluentes e do Rio Doce, alcan\u00e7ando at\u00e9 sua foz no Esp\u00edrito Santo. Dezenove pessoas morreram e comunidades foram destru\u00eddas. Em Mariana, os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu foram arrastados pela lama. O epis\u00f3dio \u00e9 considerado a maior trag\u00e9dia ambiental do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Passados mais de dois anos da trag\u00e9dia, as indeniza\u00e7\u00f5es das v\u00edtimas ainda est\u00e3o sendo calculadas e os moradores que perderam suas casas continuam morando em im\u00f3veis alugados pela empresa enquanto convivem com atrasos na reconstru\u00e7\u00e3o dos distritos destru\u00eddos.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio final da UFMG, o adoecimento da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fato isolado e est\u00e1 conectado com estresses e processos de sofrimento social que as fam\u00edlias t\u00eam vivenciado. &#8220;Estudos t\u00eam mostrado que as lembran\u00e7as do ocorrido nas trag\u00e9dias podem tornar-se profundamente vivas na mem\u00f3ria, levando a respostas p\u00f3s-traum\u00e1ticas. As doen\u00e7as f\u00edsicas cr\u00f4nicas, as preocupa\u00e7\u00f5es com os meios de subsist\u00eancia, a perda de emprego, a ruptura de la\u00e7os sociais e as preocupa\u00e7\u00f5es com as indeniza\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram associadas a respostas p\u00f3s-traum\u00e1ticas&#8221;, registra.<\/p>\n<p>De acordo com a literatura m\u00e9dica, a percep\u00e7\u00e3o dos riscos de danos \u00e0 sa\u00fade e de morte, a perda de moradia e de entes queridos e a consci\u00eancia da falta de uma satisfat\u00f3ria assist\u00eancia em sa\u00fade s\u00e3o tamb\u00e9m fatores que podem levar a um diagn\u00f3stico de depress\u00e3o em popula\u00e7\u00f5es acometidas por desastres. A discrimina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 apontada como um elemento agravante, o que levou a pesquisa da UFMG a identificar se os entrevistados j\u00e1 haviam sido v\u00edtimas de atitudes preconceituosas motivadas pela sua condi\u00e7\u00e3o de atingido.<\/p>\n<p>Os resultados mostraram que 62,7% responderam j\u00e1 ter sofrido algum tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e 27,1% alegaram j\u00e1 ter sofrido algum tipo de discrimina\u00e7\u00e3o verbal. Em 21,3% desse casos, a ocorr\u00eancia se deu em lojas, restaurantes ou lanchonetes e em 12,4% em reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, como Receita Federal, cart\u00f3rio, departamento de tr\u00e2nsito, companhias de \u00e1gua, luz, esgoto e outras. Al\u00e9m disso, 17,3% dos entrevistados descreveram tratamentos diferenciados por colegas de trabalho e 12,9% j\u00e1 se sentiram exclu\u00eddos em sua vizinhan\u00e7a. Relatos de preconceito foram tema de reportagem da Ag\u00eancia Brasil em novembro do ano passado.<\/p>\n<p>A UFMG colheu ainda indicadores sobre a qualidade do sono. Dificuldades para dormir no \u00faltimo m\u00eas foram relatados por 52% dos atingidos. Por outro lado, 53,8% classificaram seu sono como sendo \u00f3timo ou bom, enquanto 26,2% o consideraram regular e 19,6% ruim ou p\u00e9ssimo. O uso de medicamentos para dormir foi constatado em 18,2% da popula\u00e7\u00e3o e de antidepressivos em 16,9%. Em todos os casos, os entrevistados afirmaram que os rem\u00e9dios foram prescritos por m\u00e9dico.<\/p>\n<p>A expectativa dos pesquisadores \u00e9 de que os dados possam fomentar a discuss\u00e3o sobre pol\u00edticas p\u00fablicas e planejamento em sa\u00fade, al\u00e9m de permitir uma melhor orienta\u00e7\u00e3o e aloca\u00e7\u00e3o de recursos e estabelecer programas adaptados \u00e0 realidade atual dessa popula\u00e7\u00e3o. Eles tamb\u00e9m sinalizaram a import\u00e2ncia de planos de a\u00e7\u00e3o em casos de trag\u00e9dia para minimizar os transtornos vinculados \u00e0 sa\u00fade mental.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. Clique em curtir no endere\u00e7o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aconteceunovale\" target=\"_blank\"><font color=\"red\">www.facebook.com\/aconteceunovale<\/font><\/a> ou no box abaixo:<\/p>\n<div class=\"fb-like\" data-href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aconteceunovale\" data-width=\"120\" data-layout=\"standard\" data-action=\"like\" data-size=\"small\" data-show-faces=\"true\" data-share=\"true\"><\/div>\n<p><\/br><\/p>\n<p><em>(Fonte: Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de dois anos ap\u00f3s o rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), quase 30% dos atingidos sofrem com depress\u00e3o. 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