{"id":129716,"date":"2018-03-22T16:07:19","date_gmt":"2018-03-22T18:07:19","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=129716"},"modified":"2018-03-22T16:07:19","modified_gmt":"2018-03-22T18:07:19","slug":"pesquisadora-mineira-ganha-premio-internacional-por-pesquisa-sobre-zika-e-chagas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=129716","title":{"rendered":"Pesquisadora mineira ganha pr\u00eamio internacional por pesquisa sobre zika e Chagas"},"content":{"rendered":"<p>A pesquisadora mineira Rafaela Ferreira, professora adjunta do Departamento de Bioqu\u00edmica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ganhou ontem (21\/03\/2018), em Paris, um pr\u00eamio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e Cultura (Unesco), que reconhece o trabalho de mulheres cientistas que mais se destacaram no mundo em 2017.<\/p>\n<p>\u00danica representante da Am\u00e9rica Latina entre as 15 vencedoras do\u00a0<em>International Rising Talents<\/em>\u00a0(talentos internacionais em ascens\u00e3o, numa tradu\u00e7\u00e3o livre), Rafaela recebeu uma premia\u00e7\u00e3o de 15 mil euros para dar continuidade a uma pesquisa que busca desenvolver medicamentos para o tratamento do v\u00edrus da Zika e da doen\u00e7a de Chagas.<\/p>\n<p>A cientista ganhou, no ano passado, a vers\u00e3o brasileira dessa premia\u00e7\u00e3o, o Para Mulheres na Ci\u00eancia. Com esse reconhecimento, ela espera obter mais apoio e visibilidade para o desenvolvimento da pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cDe um ponto de vista mais pr\u00e1tico, o problema que a gente tem \u00e9 o alto investimento necess\u00e1rio para desenvolver um medicamento, e que vai ficando cada vez caro maior conforme o avan\u00e7o do seu est\u00e1gio do desenvolvimento\u201d, explica. Conhecidas como doen\u00e7as negligenciadas, o Chagas e a zika historicamente n\u00e3o atraem o interesse da ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>\u201cO Chagas, por exemplo, foi descrito h\u00e1 mais de 100 anos [pelo cientista brasileiro Carlos Chagas] e at\u00e9 hoje a ind\u00fastria simplesmente n\u00e3o investe muito nisso porque \u00e9 uma doen\u00e7a que afeta pa\u00edses mais pobres. \u00c9 muito importante ter um esfor\u00e7o de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para que a gente possa avan\u00e7ar no desenvolvimento desses f\u00e1rmacos\u201d, observa a pesquisadora.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/professora_mineira.jpg\" alt=\"\" \/><em>Rafaela Ferreira, professora da UFMG (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Gravidade<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de ter recebido, em 2006, o selo da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade que certifica o pa\u00eds como livre da transmiss\u00e3o do Chagas pela picada do mosquito barbeiro (<em>Triatoma infestans<\/em>), a doen\u00e7a continua circulando no Brasil por meio de outras formas de transmiss\u00e3o, especialmente a oral, que ocorre na ingest\u00e3o de alimentos triturados com o mosquito.<\/p>\n<p>Isso acontece com o caldo de cana-de-a\u00e7\u00facar e a\u00e7a\u00ed, por exemplo, que s\u00e3o triturados com o mosquito sem que as pessoas percebam. O barbeiro \u00e9 o vetor do Chagas, ele transmite para o corpo humano o protozo\u00e1rio\u00a0<em>Trypanosoma cruzi<\/em>, que causa a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mesmo com o controle da ocorr\u00eancia de novos casos em territ\u00f3rio nacional, a magnitude da doen\u00e7a de Chagas no Brasil permanece relevante, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Estudos recentes estimam que a infec\u00e7\u00e3o atinge de 1% a 2,4% da popula\u00e7\u00e3o, o equivalente a 1,9 a 4,6 milh\u00f5es de pessoas. A taxa de mortalidade (entre 2014 e 2015) foi de 2,19 a cada 100 mil habitantes, de acordo com dados do Datasus, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>J\u00e1 a zika foi registrada pela primeira vez no Brasil em 2015. No ano seguinte, houve um surto da doen\u00e7a \u2013 que tamb\u00e9m \u00e9 transmitida pelo mosquito\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>\u00a0(o mesmo da dengue e da chikungunya) \u2013 com mais de 214 mil casos registrados, o que deu uma taxa de 104,8 registros a cada 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>Bem menos letal que a dengue, cerca de 80% dos casos de zika s\u00e3o benignos e as pessoas infectadas nem sequer descobrem a doen\u00e7a. O problema da zika est\u00e1 relacionado \u00e0 m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o de fetos, causado pelo v\u00edrus em mulheres gr\u00e1vidas infectadas. A s\u00edndrome, j\u00e1 reconhecida pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), resultou em mais de 3.037 casos de microcefalia em beb\u00eas registrados entre janeiro de 2015 e dezembro de 2017, segundo o boletim mais recente do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, de janeiro deste ano.<\/p>\n<p><strong>Descobertas<\/strong><\/p>\n<p>Na pesquisa liderada pela cientista Rafaela Ferreira, o objetivo \u00e9 descobrir mol\u00e9culas que sejam capazes de alterar a estrutura de funcionamento do protozo\u00e1rio causador da doen\u00e7a de Chagas e do v\u00edrus que provoca a zika, inibindo, assim, a a\u00e7\u00e3o desses agentes no corpo humano.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, j\u00e1 foram analisadas mais de 400 mil mol\u00e9culas em complexos programas computacionais e algumas delas foram identificadas como \u201cpromissoras\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNosso trabalho aqui \u00e9 o desenvolvimento de f\u00e1rmacos no seu est\u00e1gio inicial, que \u00e9 a descoberta de mol\u00e9culas promissoras. Depois disso, elas ainda precisam ser avaliadas em modelos animais, passar por v\u00e1rios testes de seguran\u00e7a e, finalmente, os ensaios cl\u00ednicos, nos quais essas mol\u00e9culas s\u00e3o avaliadas em humanos para analisar efic\u00e1cia e seguran\u00e7a do medicamento\u201d, afirma a cientista. No caso da zika, os inibidores sint\u00e9ticos est\u00e3o sendo preparados para testes futuros em c\u00e9lulas cerebrais (neur\u00f4nios) dos beb\u00eas com microcefalia, para que possam degradar a a\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e interromper os efeitos da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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