{"id":127085,"date":"2018-02-01T20:57:31","date_gmt":"2018-02-01T22:57:31","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=127085"},"modified":"2018-02-01T20:57:31","modified_gmt":"2018-02-01T22:57:31","slug":"nova-lei-amplia-certificacao-para-produtos-mineiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=127085","title":{"rendered":"Nova lei amplia certifica\u00e7\u00e3o para produtos mineiros"},"content":{"rendered":"<p>Foram 25 anos de luta para conseguir produzir sem qualquer veneno o seu caf\u00e9. A primeira certifica\u00e7\u00e3o do produto em Minas Gerais, em 2004, coroou tanta persist\u00eancia. \u201cFoi muita emo\u00e7\u00e3o. Achava que nunca conseguiria. Tantas portas que se fecharam e eu n\u00e3o desisti\u201d, declara o agricultor Helcio Sel\u00e9sio Ferreira Lara. A hist\u00f3ria dele se assemelha \u00e0 de Ad\u00e3o Manoel de Oliveira, que tamb\u00e9m obteve a primeira certifica\u00e7\u00e3o do Estado para cacha\u00e7a org\u00e2nica. Agora, muitos casos poder\u00e3o ser contados.<\/p>\n<p>O que era um projeto espec\u00edfico tornou-se uma pol\u00edtica p\u00fablica com a san\u00e7\u00e3o da Lei 22.926, que disp\u00f5e sobre o Programa de Certifica\u00e7\u00e3o de Produtos Agropecu\u00e1rios e Agroindustriais (Certifica Minas), em 13 de janeiro deste ano. A lei \u00e9 origin\u00e1ria do Projeto de Lei (PL) 4.559\/17, do governador Fernando Pimentel, aprovado pelo Plen\u00e1rio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no dia 19 de dezembro de 2017.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/produtos_mg_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Ao atender exig\u00eancias consolidadas do mercado internacional, a certifica\u00e7\u00e3o de produtos agropecu\u00e1rios e agroindustriais do Estado abre as portas para a exporta\u00e7\u00e3o &#8211; Foto: Sarah Torres\/ALMG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O objetivo do programa \u00e9 assegurar qualidade e sustentabilidade para os produtos agropecu\u00e1rios e agroindustriais mineiros. A certifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m abre as portas para a exporta\u00e7\u00e3o, ao atender as exig\u00eancias do mercado internacional, al\u00e9m de otimizar o uso de insumos e recursos naturais e ampliar a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.<\/p>\n<p>\u201cA abertura do mercado \u00e9 uma consequ\u00eancia porque as pessoas est\u00e3o se preocupando com isso. Mas, mais do que uma quest\u00e3o econ\u00f4mica, a certifica\u00e7\u00e3o busca estabelecer boas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o, com preserva\u00e7\u00e3o ambiental, seguran\u00e7a alimentar e responsabilidade social\u201d, explica o superintendente de Abastecimento e Economia Agr\u00edcola da Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa), Jo\u00e3o Ricardo Albanez.<\/p>\n<p>Para o deputado Gustavo Santana (PR), que foi relator da mat\u00e9ria em 1\u00ba turno, a nova lei abre portas nos mercados nacional e internacional para os produtos mineiros. Ele elogia a sensibilidade do governo por estabelecer di\u00e1logo com os interessados para a elabora\u00e7\u00e3o do projeto. &#8220;A tramita\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve qualquer obstru\u00e7\u00e3o. O projeto recebeu apoio tanto da base quanto da oposi\u00e7\u00e3o, pois todos compreenderam que \u00e9 muito importante para Minas Gerais&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A certifica\u00e7\u00e3o, na opini\u00e3o do parlamentar, valoriza os produtos mineiros ao garantir a qualidade e sustentabilidade da produ\u00e7\u00e3o. &#8220;Atende aos interesses de todos os produtores: pequenos, m\u00e9dios e grandes&#8221;, acentua Gustavo Santana.<\/p>\n<p>O governo estadual j\u00e1 vem, desde 2004, certificando produtos de cinco segmentos: caf\u00e9, algod\u00e3o, cacha\u00e7a, produtos org\u00e2nicos (totalmente naturais) e produtos sem agrot\u00f3xico (que podem utilizar adubos qu\u00edmicos, mas n\u00e3o defensivos).<\/p>\n<p>Com a nova lei, outros quatro produtos passar\u00e3o a ser certificados j\u00e1 neste ano: leite, frutas, carne bovina e queijos artesanais. A meta \u00e9, numa pr\u00f3xima etapa, incluir tamb\u00e9m os agroindustrializados.<\/p>\n<p>Atualmente existem 1.221 propriedades de caf\u00e9 certificadas, e a previs\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ar 3.500 em 2020. O segmento de algod\u00e3o conta com 1.043 certificados, n\u00famero que permanecer\u00e1 inalterado nos pr\u00f3ximos dois anos. Dos 38 produtores de org\u00e2nicos com certifica\u00e7\u00e3o, o Certifica Minas pretende ampliar para 90 no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>Quantidade de propriedades certificadas e previs\u00e3o para os pr\u00f3ximos anos:<\/strong><\/p>\n<table width=\"522\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Produto<\/strong><\/td>\n<td><strong>2017<\/strong><\/td>\n<td><strong>2018<\/strong><\/td>\n<td><strong>2019<\/strong><\/td>\n<td><strong>2020<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Caf\u00e9<\/td>\n<td>1.221<\/td>\n<td>1.800<\/td>\n<td>3.200<\/td>\n<td>3.500<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Leite*<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>300<\/td>\n<td>400<\/td>\n<td>900<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Frutas*<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>150<\/td>\n<td>400<\/td>\n<td>420<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Algod\u00e3o<\/td>\n<td>1.043<\/td>\n<td>1.043<\/td>\n<td>1.043<\/td>\n<td>1.043<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Org\u00e2nico<\/td>\n<td>38<\/td>\n<td>50<\/td>\n<td>65<\/td>\n<td>90<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Sem agrot\u00f3xico<\/td>\n<td>15<\/td>\n<td>360<\/td>\n<td>450<\/td>\n<td>540<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Carne bovina*<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>256<\/td>\n<td>263<\/td>\n<td>269<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Cacha\u00e7a<\/td>\n<td>34<\/td>\n<td>120<\/td>\n<td>150<\/td>\n<td>180<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Queijos artesanais*<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>80<\/td>\n<td>130<\/td>\n<td>220<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>*Produtos inclu\u00eddos na nova pol\u00edtica de certifica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica assegura recursos no or\u00e7amento<\/strong><\/p>\n<p>Ao ser transformado em pol\u00edtica p\u00fablica, o Certifica Minas assegura recursos do or\u00e7amento do Estado para os pr\u00f3ximos quatro anos, previstos no Plano Plurianual de A\u00e7\u00e3o Governamental (PPAG). Para este ano, os investimentos ser\u00e3o da ordem de R$ 5,11 milh\u00f5es. O programa ter\u00e1 um grupo gestor, composto por representantes dos seguintes \u00f3rg\u00e3os:<\/p>\n<p>&#8211; Secretaria de Estado de Agricultura, coordenadora do grupo e respons\u00e1vel por estabelecer as pol\u00edticas do programa. Contar\u00e1 com R$ 500 mil do or\u00e7amento deste ano para o trabalho;<\/p>\n<p>&#8211; Instituto Mineiro de Agropecu\u00e1ria (IMA), que vai conceder o Certificado e o Selo de Conformidade Certifica Minas e realizar auditorias para analisar as conformidades das propriedades produtoras. Ao instituto, ser\u00e3o destinados R$ 1,02 milh\u00e3o em 2018;<\/p>\n<p>&#8211; Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural do Estado (Emater-MG), que vai oferecer assist\u00eancia t\u00e9cnica especializada para os produtores se adequarem \u00e0s regras exigidas pela certifica\u00e7\u00e3o. Seu or\u00e7amento em 2018 ser\u00e1 de R$ 2,16 milh\u00f5es;<\/p>\n<p>&#8211; Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria de Minas Gerais (Epamig), que desenvolve e disponibiliza tecnologias para as atividades agropecu\u00e1rias, contar\u00e1 com R$ 1,43 milh\u00e3o este ano.<\/p>\n<p>Cada uma das categorias de produtos certificados contar\u00e1 com regulamentos espec\u00edficos. As assessoras t\u00e9cnicas da Superintend\u00eancia T\u00e9cnica de Agroind\u00fastria, Jaqueline Santos e Isabelle Colares, explicam que os segmentos contar\u00e3o com crit\u00e9rios e requisitos que se baseiam em princ\u00edpios b\u00e1sicos a serem atendidos:<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; Boas pr\u00e1ticas agron\u00f4micas:<\/strong> todo o processo produtivo deve preservar o meio ambiente, cuidando do solo, descartando adequadamente os res\u00edduos e com uso respons\u00e1vel de agrot\u00f3xicos (nos casos em que s\u00e3o permitidos);<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; Responsabilidade social e ambiental:<\/strong> produtores certificados devem respeitar as leis trabalhistas e ambientais. N\u00e3o \u00e9 permitido trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o nem agress\u00e3o ao meio ambiente;<\/p>\n<p><strong>3 &#8211; Gest\u00e3o administrativa:<\/strong> controle sobre o sistema de produ\u00e7\u00e3o, qualidade dos produtos e gerenciamento dos recursos cont\u00e1beis, t\u00e9cnicos e financeiros para o bom desempenho do empreendimento.<\/p>\n<p>A expectativa dos t\u00e9cnicos da Seapa \u00e9 de que, at\u00e9 junho deste ano, todas as categorias j\u00e1 estejam regulamentadas para dar in\u00edcio ao processo de certifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/produtos_mg_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>A propriedade de Helcio, localizada na zona rural de Piedade dos Gerais, \u00e9 100% livre de produtos qu\u00edmicos. Tudo que passa por l\u00e1 \u00e9 natural e aproveitado &#8211; Foto: Willian Dias\/ALMG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Uma propriedade livre de produtos sint\u00e9ticos<\/strong><\/p>\n<p>A primeira certifica\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 org\u00e2nico no Estado, o Sabor de Minas, significou, para seu produtor, a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho pessoal. Desde que come\u00e7ou a cultivar o produto, h\u00e1 37 anos, Helcio Sel\u00e9sio Ferreira Lara perseguia uma forma artesanal de produ\u00e7\u00e3o. \u201cTodo mundo que eu procurava me desanimava. &#8216;C\u00ea t\u00e1 doido? Isso n\u00e3o d\u00e1 certo&#8217;\u201d, lembra.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, em 2001, o t\u00e9cnico da Emater Wagner Henrique foi a Piedade dos Gerais (Regi\u00e3o Central do Estado) e, sob sua orienta\u00e7\u00e3o, Helcio e a esposa Maria da Concei\u00e7\u00e3o de Jesus Lara, a Mariinha, transformaram o S\u00edtio Campo Redondo em uma propriedade 100% livre de produtos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>Tudo que passa pela propriedade \u00e9 totalmente natural e aproveitado. At\u00e9 os animais do s\u00edtio s\u00e3o tratados com medicamentos homeop\u00e1ticos. Al\u00e9m do caf\u00e9 catua\u00ed vermelho, os agricultores tamb\u00e9m plantam e comercializam cana e feij\u00e3o; criam porcos, gado e galinhas; e vendem ovos e leite. Essas atividades auxiliares, al\u00e9m de aumentar o ganho, ajudam na produ\u00e7\u00e3o dos insumos utilizados na propriedade.<\/p>\n<p>O adubo e os defensivos s\u00e3o feitos pelo pr\u00f3prio casal. O primeiro \u00e9 produzido pela mistura de esterco seco de gado com palha de cana e fosfato de arax\u00e1 \u2013 um composto tamb\u00e9m org\u00e2nico. O mato que cresce e as folhas que caem do caf\u00e9 tamb\u00e9m s\u00e3o aparados e triturados por uma ro\u00e7adeira mec\u00e2nica e aproveitados como forragem para fertilizar a terra.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m produzem um biofertilizante composto por estrume verde, frutas, folhas, talos e restos de vegetais produzidos ou consumidos na propriedade. O manejo das pragas igualmente \u00e9 feito de forma org\u00e2nica. Helcio e Mariinha preparam uma mistura de urina de vaca com calda de mamona, que se torna um eficiente repelente para formigas e outros insetos.<\/p>\n<p><strong>Preserva\u00e7\u00e3o <\/strong>\u2013 A preocupa\u00e7\u00e3o do casal de agricultores com o meio ambiente vai al\u00e9m do emprego de t\u00e9cnicas e insumos naturais. Dos 42 hectares do s\u00edtio, mais de 4 formam uma reserva de mata nativa. Na \u00e1rea do s\u00edtio, duas nascentes tamb\u00e9m s\u00e3o preservadas e abastecem toda a propriedade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/produtos_mg_3.jpg\" alt=\"\" \/><em>Mariinha torra o caf\u00e9 em uma m\u00e1quina movida \u00e0 lenha, para n\u00e3o alterar a qualidade, o aroma e o sabor do gr\u00e3o &#8211; Foto: Willian Dias\/ALMG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Produto mais valorizado<\/strong><\/p>\n<p>Produzir o caf\u00e9 Sabor de Minas representa um custo maior para o casal. Por outro lado, o produto tamb\u00e9m \u00e9 vendido por um pre\u00e7o diferenciado: o quilo \u00e9 comercializado a R$ 40. Al\u00e9m do lucro comercial, Mariinha valoriza o ganho sobre a sa\u00fade e o meio ambiente. \u201cUsar produtos naturais \u00e9 um ganho t\u00e3o grande para a sa\u00fade que podemos at\u00e9 trabalhar descal\u00e7os sem qualquer risco\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 o cultivo \u00e9 natural &#8211; todo o processo da produ\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 \u00e9 artesanal. Depois de colhido, o fruto \u00e9 seco e torrado em uma m\u00e1quina movida a lenha. O torrador el\u00e9trico foi dispensado pelo casal porque, segundo Mariinha, altera a qualidade, o aroma e o sabor do caf\u00e9. O processo de torra do gr\u00e3o \u00e9 fundamental no resultado do produto final.<\/p>\n<p>Torrados, os gr\u00e3os podem ser armazenados e mo\u00eddos \u00e0 medida em que houver demanda ou forem vendidos. O caf\u00e9, embalado manualmente e a v\u00e1cuo, pode ser consumido em at\u00e9 um ano. Exig\u00eancia da certifica\u00e7\u00e3o, o produto n\u00e3o pode ser transportado em ve\u00edculo usado para outro tipo de mercadoria, para evitar contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O S\u00edtio Campo Redondo produz 40 sacas\/m\u00eas e a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 destinada apenas para o mercado nacional. \u201cTodo caf\u00e9 bom \u00e9 exportado. Achamos que o brasileiro tamb\u00e9m merece um caf\u00e9 de qualidade\u201d, justifica Mariinha. De fato, de acordo com o superintendente da Seapa Jo\u00e3o Albanez, 84% do caf\u00e9 in natura produzido em Minas \u00e9 exportado para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/produtos_mg_4.jpg\" alt=\"\" \/><em>Ad\u00e3o e Daniel produzem 30 mil litros\/ano de tr\u00eas tipos de cacha\u00e7as, al\u00e9m de licores de pequi, jabuticaba, araticum e jenipapo, entre outros &#8211; Foto: Sarah Torres\/ALMG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a preserva tradi\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Em 1912, seu Juvenil Teixeira de Oliveira come\u00e7ou a produzir a cacha\u00e7a Flor das Gerais em Felixl\u00e2ndia (Regi\u00e3o Central). Mais de 100 anos depois, seu neto Ad\u00e3o Manoel de Oliveira mant\u00e9m a tradi\u00e7\u00e3o do processo org\u00e2nico e ostenta o t\u00edtulo de aguardente mais certificada do Brasil e a primeira certificada no Estado, em 2009.<\/p>\n<p>Com a ajuda da esposa, a artista pl\u00e1stica Maria L\u00facia Duarte, e do filho, o engenheiro agr\u00f4nomo Daniel Duarte de Oliveira, Ad\u00e3o produz, na Fazenda Mour\u00f5es, 30 mil litros\/ano de tr\u00eas tipos de cacha\u00e7as, envelhecidas entre dois e quatro anos.<\/p>\n<p>A pinga envelhecida em carvalho tem cor dourada, sabor encorpado e paladar forte. Tratada em toneis de jequitib\u00e1 rosa, outra cacha\u00e7a \u00e9 branca, com sabor mais suave e adocicado. Dourada, encorpada e adocicada s\u00e3o as principais caracter\u00edsticas do produto envelhecido em amburana. Tamb\u00e9m \u00e9 comercializado um blend, combina\u00e7\u00e3o da jequitib\u00e1 com amburana, que resulta em uma bebida dourada, de paladar leve e adocicado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da cacha\u00e7a, tamb\u00e9m s\u00e3o produzidos licores de pequi, jabuticaba, araticum e jenipapo. Dona L\u00facia produz ainda outras iguarias naturais, como p\u00e3es, geleias, queijos e doces. Comercializam, ainda, defumados de diferentes carnes, como til\u00e1pia e lombo. Os produtos s\u00e3o vendidos na loja da fazenda.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel<\/strong> &#8211; Em 1990, Ad\u00e3o passou a preparar a propriedade para atender \u00e0s exig\u00eancias de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e reduziu a \u00e1rea de plantio em 60%, para facilitar o manejo e controle de pragas. Com isso, ele dobrou a produtividade.<\/p>\n<p>Desde o plantio, a produ\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a \u00e9 toda natural e artesanal. O solo \u00e9 adubado com esterco misturado ao baga\u00e7o da cana. O canavial tamb\u00e9m recebe fertiliza\u00e7\u00e3o com vinha\u00e7a, um res\u00edduo da fermenta\u00e7\u00e3o rico em nutrientes como nitrog\u00eanio, c\u00e1lcio, pot\u00e1ssio e zinco. A palha da cana tamb\u00e9m contribui para o enriquecimento do solo.<\/p>\n<p>O combate a pragas \u00e9 feito manualmente. A principal praga, a cigarrinha, nunca incomodou os agricultores, mas Daniel conta que, em propriedades que enfrentam o problema, s\u00e3o introduzidos predadores naturais para o controle.<\/p>\n<p>O canavial \u00e9 isolado de outras culturas e pastagens, para evitar contamina\u00e7\u00f5es, e cercado por uma \u00e1rea nativa de 14 hectares, reservat\u00f3rio de diferentes esp\u00e9cies animais. \u201cNenhum animal \u00e9 morto na fazenda. O ambiente tem que ser totalmente equilibrado\u201d, afirma Ad\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/produtos_mg_5.jpg\" alt=\"\" \/><em>As embalagens da Cacha\u00e7a Flor das Gerais s\u00e3o exclusivas &#8211; Foto: Sarah Torres\/ALMG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Processo manual assegura qualidade<\/strong><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a utiliza t\u00e9cnicas que asseguram um produto livre de qualquer subst\u00e2ncia qu\u00edmica. O processo tamb\u00e9m aproveita todos os res\u00edduos gerados, garantindo o respeito ao meio ambiente.<\/p>\n<p>A cana \u00e9 mo\u00edda logo ap\u00f3s a colheita. Do engenho, a garapa segue para a sala de corre\u00e7\u00e3o do teor de a\u00e7\u00facar, o que assegura a qualidade do produto. A fermenta\u00e7\u00e3o da garapa \u00e9 feita com adi\u00e7\u00e3o de fub\u00e1 produzido na pr\u00f3pria fazenda, evitando contamina\u00e7\u00e3o externa.<\/p>\n<p>O baga\u00e7o resultante da moagem \u00e9 utilizado para aquecer a fornalha usada na destila\u00e7\u00e3o. A m\u00e1quina \u00e9 uma engenhoca criada pelo agricultor Ad\u00e3o Oliveira, de forma a evitar o uso de madeira e oferecer mais seguran\u00e7a para o trabalhador. <\/p>\n<p>A destila\u00e7\u00e3o \u00e9 feita em alambiques de cobre e s\u00f3 \u00e9 aproveitada para comercializa\u00e7\u00e3o o chamado \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d da cacha\u00e7a, o l\u00edquido que sai no meio do processo, correspondente a aproximadamente 10% do que \u00e9 processado.<\/p>\n<p>O cuidado com a cacha\u00e7a chega at\u00e9 ao engarrafamento. As embalagens s\u00e3o fabricadas exclusivamente para o produto. A Flor das Gerais \u00e9 vendida em feiras agropecu\u00e1rias, para comerciantes espalhados pelo pa\u00eds e, tamb\u00e9m, pelo site da marca.<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia se une em torno do trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Ad\u00e3o Oliveira, que herdou a fazenda do pai, Jos\u00e9 Teixeira de Oliveira, decidiu se dedicar ao trabalho rural em 1989, ap\u00f3s mais de 20 anos trabalhando na iniciativa privada em Sete Lagoas (Regi\u00e3o Central do Estado). A produ\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a havia sido interrompida 19 anos antes. \u201cSempre tive o p\u00e9 na ro\u00e7a, e \u00e9 aqui que encontro minha realiza\u00e7\u00e3o\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>Maria L\u00facia, tamb\u00e9m professora, permaneceu na cidade trabalhando e cuidando dos tr\u00eas filhos. Durante 30 anos, o casal s\u00f3 se via aos finais de semana. Ao se aposentar, mudou de vez para a Fazenda Mour\u00f5es, onde introduziu os v\u00e1rios produtos agora tamb\u00e9m comercializados. \u201cAqui tenho qualidade de vida. O corpo cansa, mas a cabe\u00e7a fica tranquila\u201d.<\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo Daniel, filho ca\u00e7ula dos agricultores, \u00e9, hoje respons\u00e1vel pela gest\u00e3o da propriedade. Ele exalta a import\u00e2ncia da certifica\u00e7\u00e3o por tamb\u00e9m exigir o respeito ao meio ambiente e aos direitos trabalhistas.<\/p>\n<p>Daniel \u00e9 um entusiasta do processo org\u00e2nico. Segundo ele, o produto natural \u00e9 mais vantajoso tanto do ponto de vista ambiental quanto econ\u00f4mico. Al\u00e9m de serem mais seguros, tamb\u00e9m alcan\u00e7am um pre\u00e7o final mais compensador. \u201c\u00c9 muito satisfat\u00f3rio pessoalmente\u201d.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. Clique em curtir no endere\u00e7o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aconteceunovale\" target=\"_blank\"><font color=\"red\">www.facebook.com\/aconteceunovale<\/font><\/a> ou no box abaixo:<\/p>\n<div class=\"fb-like\" data-href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aconteceunovale\" data-width=\"120\" data-layout=\"standard\" data-action=\"like\" data-size=\"small\" data-show-faces=\"true\" data-share=\"true\"><\/div>\n<p><\/br><\/p>\n<p><em>(Fonte: ALMG \/ Rep\u00f3rter: Luciene Ferreira)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram 25 anos de luta para conseguir produzir sem qualquer veneno o seu caf\u00e9. A primeira certifica\u00e7\u00e3o do produto em Minas Gerais, em 2004, coroou tanta persist\u00eancia. \u201cFoi muita emo\u00e7\u00e3o. Achava que nunca conseguiria. Tantas portas que se fecharam e eu n\u00e3o desisti\u201d, declara o agricultor Helcio Sel\u00e9sio Ferreira Lara. A hist\u00f3ria dele se assemelha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":127091,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"amp_status":"","footnotes":""},"categories":[123],"tags":[168452,752,168458,168462,168454,168453,168459,168456,168447,168446,168457,12826,130575,168451,20955,29230,168461,168463,168445,168450,168449,168448,168455,27578,168460],"class_list":["post-127085","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-gerais","tag-adao-manoel-de-oliveira","tag-almg","tag-atuacao-do-deputado-gustavo-santana","tag-cachaca-flor-das-gerais","tag-cachaca-organica-minas-gerais","tag-cafe-organico-minas-gerais","tag-cafe-sabor-de-minas","tag-certifica-minas","tag-certificacao-de-produtos-em-minas-gerais","tag-certificacao-minas-gerais","tag-deputado-gustavo-santana","tag-fernando-pimentel","tag-gustavo-santana","tag-helcio-selesio-ferreira-lara","tag-ima","tag-joao-ricardo-albanez","tag-maria-lucia-duarte","tag-nova-lei-amplia-certificacao-para-produtos-mineiros","tag-primeira-certificacao-do-produto-em-minas-gerais","tag-produtos-de-minas-gerais","tag-produtos-mineiros","tag-produzido-em-minas-gerais","tag-programa-de-certificacao-de-produtos-agropecuarios-e-agroindustriais","tag-seapa","tag-sitio-campo-redondo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/127085","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=127085"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/127085\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/127091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=127085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=127085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=127085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}