{"id":125704,"date":"2018-01-02T12:16:59","date_gmt":"2018-01-02T14:16:59","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=125704"},"modified":"2018-01-02T12:16:59","modified_gmt":"2018-01-02T14:16:59","slug":"menos-da-metade-dos-infectados-por-hiv-e-tuberculose-tomam-antirretroviral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=125704","title":{"rendered":"Menos da metade dos infectados por HIV e tuberculose tomam antirretroviral"},"content":{"rendered":"<p>Menos da metade das pessoas que t\u00eam tuberculose e foram infectadas pelo v\u00edrus HIV tomam o rem\u00e9dio antirretroviral no Brasil. Apenas 41,8% dos\u00a0pacientes\u00a0de tuberculose com coinfec\u00e7\u00e3o por HIV fazem uso da terapia antirretroviral (TARV)\u00a0no pa\u00eds, enquanto no mundo o percentual foi de 85%,\u00a0segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Quando associadas e n\u00e3o tratadas, as duas infec\u00e7\u00f5es podem provocar outras doen\u00e7as e diminuir a sobrevida do paciente.\u00a0Pessoas que vivem com HIV\/aids no Brasil est\u00e3o\u00a028\u00a0vezes mais propensas a desenvolver a tuberculose, uma das doen\u00e7as que mais matam no mundo e que ocupa a nona posi\u00e7\u00e3o no\u00a0<em>ranking\u00a0<\/em>geral de mortes no mundo.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es constam do \u00faltimo relat\u00f3rio global da tuberculose elaborado pela OMS e divulgado no fim do ano passado. Segundo o documento, o Brasil est\u00e1 entre os 20 pa\u00edses com a maior carga de pessoas com tuberculose e infectadas com o v\u00edrus HIV. Em 2016, al\u00e9m do Brasil, outros cinco pa\u00edses tinham menos de 50% dos pacientes infectados pelas duas doen\u00e7as em tratamento antirretroviral: Congo, Gana, Guin\u00e9-Bissau, Indon\u00e9sia e Lib\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente est\u00e1 com HIV sem tratamento, o HIV vai destruindo a imunidade no corpo da pessoa e a\u00ed abre as portas para\u00a0a\u00a0tuberculose, tanto pra pessoa se contaminar com o bacilo da tuberculose, quanto para, uma vez contaminada, desenvolver a doen\u00e7a da tuberculose\u201d,\u00a0explica\u00a0o infectologista Rafael Sacramento, integrante da organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dico sem Fronteiras.<\/p>\n<p>No Brasil,\u00a0a tuberculose \u00e9 a principal causa de morte de pacientes que vivem com\u00a0o v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana.\u00a0De\u00a0acordo com o mais recente panorama\u00a0de\u00a0mortalidade da\u00a0tuberculose\u00a0dispon\u00edvel\u00a0no\u00a0pa\u00eds,\u00a0seis em cada dez das pessoas que morreram por HIV em\u00a02014 tinham tuberculose\u00a0como causa associada do \u00f3bito.<\/p>\n<p>A OMS estima que ocorreram, em 2016, cerca de 1,3 milh\u00e3o de mortes no mundo por tuberculose entre pacientes n\u00e3o infectados pelo v\u00edrus HIV e 374 mil mortes entre os soropositivos, o que corresponde a uma m\u00e9dia de mil mortes por dia. No Brasil, no mesmo ano, foram mais de 5 mil mortes por tuberculose e quase 2 mil pela coinfec\u00e7\u00e3o tuberculose e HIV.<\/p>\n<p>\u201cOs desfechos [do tratamento da tuberculose] quando a pessoa tem HIV s\u00e3o muito ruins, porque continua tendo muito \u00f3bito. Tem um percentual de \u00f3bito, um percentual de perda de acompanhamento ou abandono e um percentual de falha, o que faz com que o tratamento n\u00e3o tenha uma efici\u00eancia boa\u201d, relata a pesquisadora Valeria Rolla, coordenadora do laborat\u00f3rio de micobacterioses da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade,\u00a0pacientes coinfectados\u00a0com tuberculose e HIV\u00a0que\u00a0tomam os medicamentos 35% mais chance de cura e morrem 44% menos por tuberculose do que os pacientes que n\u00e3o usam a terapia. A OMS\u00a0tamb\u00e9m ressalta\u00a0que a maioria das mortes por tuberculose pode ser prevenida com diagn\u00f3stico precoce e tratamento adequado. A organiza\u00e7\u00e3o calcula que entre os anos 2000 e 2016 foram evitadas 53 milh\u00f5es de mortes de pessoas que foram diagnosticas e tratadas com sucesso.<\/p>\n<p><strong>Tratamento e cura<\/strong><\/p>\n<p>Entre as pessoas diagnosticadas\u00a0com tuberculose e HIV, h\u00e1 o desafio de garantir a\u00a0total\u00a0ades\u00e3o\u00a0\u00e0 terapia antirretroviral\u00a0(TARV) ou \u00e0 terapia de combate \u00e0 tuberculose. Seja por falta de acesso aos medicamentos ou por rejei\u00e7\u00e3o aos efeitos colaterais da terapia,\u00a0muitos pacientes enfrentam dificuldades para\u00a0seguir o tratamento de forma adequada.<\/p>\n<p>A artes\u00e3 Sandra Maria da Silva Gon\u00e7alo, de 37 anos, vivenciou a experi\u00eancia de abandonar a terapia antirretroviral. Moradora de Beberibe, no Recife (PE), Sandra descobriu ser soropositiva em 2003 e sempre seguiu com rigor a rotina de tomar os medicamentos antirretrovirais. Mas h\u00e1 pouco mais de um ano, abandonou o tratamento por alguns meses e desenvolveu a tuberculose.<\/p>\n<p>\u201cFiquei doente, a imunidade baixou, porque eu estava em depress\u00e3o e terminei contraindo a tuberculose. A\u00ed, eu me internei pra investigar, porque meu caso foi extrapulmonar. Quando \u00e9 no pulm\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil diagnosticar, eu estava com todos os sintomas, mas n\u00e3o estava com tosse, n\u00e3o estava com secre\u00e7\u00e3o. Fiz todo o processo e bateria de exames pra poder vir descobrir que era no ba\u00e7o\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Sandra deixou de tomar os antirretrovirais depois de enfrentar um processo de viol\u00eancia dom\u00e9stica e psicol\u00f3gica, o que a levou \u00e0 depress\u00e3o e ao abandono dos rem\u00e9dios do HIV. Foi a primeira vez que ela desenvolveu a doen\u00e7a. Ela acredita que foi infectada pelo ex-marido, que tinha tuberculose e n\u00e3o tratava adequadamente.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do ex-companheiro, Sandra iniciou imediatamente o tratamento e retomou a rotina com os medicamentos para controle do HIV. Ficou curada da tuberculose em nove meses. Os medicamentos foram adquiridos na rede p\u00fablica de sa\u00fade e, apesar dos fortes efeitos colaterais, Sandra conseguiu manter a disciplina para concluir a terapia.<\/p>\n<p>\u201cA dificuldade que eu enfrentei foi na quest\u00e3o dos medicamentos [da tuberculose] mesmo, porque eram muito fortes e tem que tomar quatro comprimidos todos os dias em jejum. Eu tinha tontura, ficava com mal-estar, sentia dor de est\u00f4mago. N\u00e3o pensei em desistir porque adquiri a tuberculose por conta de falha no meu tratamento do HIV. A\u00ed pensei: &#8216;vou fazer logo o tratamento pra me livrar dela'&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Agora, a artes\u00e3 enfrenta o desafio de manter o tratamento do HIV devido \u00e0 falta de medicamentos personalizados que necessita. Depois do abandono tempor\u00e1rio no tratamento, Sandra teve de fazer tr\u00eas vezes exames de genotipagem para checar se o v\u00edrus passou por algum tipo de muta\u00e7\u00e3o e se tornou resistente \u00e0 medica\u00e7\u00e3o. A partir dos resultados, ela precisou iniciar a chamada terapia de resgate, em que \u00e9 utilizada uma combina\u00e7\u00e3o diferente de medicamentos para surtir mais efeito sobre a carga viral.<\/p>\n<p>\u201cO medicamento da tuberculose nunca faltou, mas os antirretrovirais sempre faltam. Estou at\u00e9 hoje na terapia de resgate. Quando eu vou pegar um medicamento e est\u00e1 faltando, eu corro pra ouvidoria do hospital, vou na farm\u00e1cia e eles conseguem emprestado de outro hospital. Eu falo: &#8216;tem de arrumar medicamento, porque eu estou na terapia de resgate e se eu falho com medicamento, voc\u00ea vai responder pela minha vida?&#8217;\u201d relatou.<\/p>\n<p>Sandra tamb\u00e9m trabalha sensibilizando jovens e adolescentes sobre a import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o \u00e0 aids e da ades\u00e3o ao tratamento na organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Gestos: Soropositividade, Comunica\u00e7\u00e3o e G\u00eanero. A organiza\u00e7\u00e3o decidiu protocolar no m\u00eas passado uma den\u00fancia no Minist\u00e9rio P\u00fablico de Pernambuco (MP-PE), depois de receber v\u00e1rias reclama\u00e7\u00f5es de pessoas com HIV e que n\u00e3o t\u00eam conseguido retirar a medica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para manuten\u00e7\u00e3o do tratamento nas unidades estaduais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>No documento entregue na Promotoria de Sa\u00fade, a ONG destaca que Pernambuco ocupa o primeiro lugar no Nordeste em n\u00fameros de casos de aids, com o registro de duas mortes por dia em decorr\u00eancia da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico e tratamento precoce<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil apresenta tend\u00eancia de estabiliza\u00e7\u00e3o das taxas de infec\u00e7\u00e3o por HIV\u00a0e tem\u00a0atualmente\u00a0cerca de\u00a0830 mil pessoas convivendo com o v\u00edrus. Em 2016, foram diagnosticados no pa\u00eds cerca de 38 mil novos casos. O volume, no entanto, ainda aponta para uma epidemia, em que uma pessoa \u00e9 contaminada a cada 15 minutos.<\/p>\n<p>Dados do\u00a0\u00faltimo boletim epidemiol\u00f3gico de HIV e aids\u00a0apontam que duas a cada dez pessoas\u00a0infectadas\u00a0com o v\u00edrus ainda\u00a0n\u00e3o\u00a0est\u00e3o\u00a0vinculadas\u00a0a\u00a0nenhum\u00a0servi\u00e7o\u00a0p\u00fablico\u00a0de sa\u00fade\u00a0e\u00a0podem n\u00e3o\u00a0estar seguindo\u00a0regularmente o tratamento para controlar a\u00a0carga viral\u00a0e\u00a0fortalecer a imunidade contra\u00a0doen\u00e7as consideradas oportunistas, como a tuberculose.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente, uma das formas mais seguras e mais assertivas de se reduzir a transmiss\u00e3o de HIV \u00e9 diagnosticar as pessoas e coloc\u00e1-las no tratamento o mais precocemente poss\u00edvel.\u00a0Quando a pessoa est\u00e1 fazendo o tratamento de HIV corretamente, a circula\u00e7\u00e3o de v\u00edrus no sangue fica indetect\u00e1vel pelos m\u00e9todos que temos hoje e a gente n\u00e3o consegue encontrar nesses casos possibilidade de transmiss\u00e3o\u201d, explica\u00a0o infectologista Sacramento.<\/p>\n<p>No Brasil,\u00a0os \u00faltimos dados\u00a0divulgados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\u00a0apontam melhora no diagn\u00f3stico e\u00a0no acesso ao\u00a0tratamento de pessoas soropositivas. Em 2016, cerca de\u00a070% das pessoas vivendo com HIV apresentavam ades\u00e3o suficiente\u00a0\u00e0 terapia.\u00a0Contudo, desde 2013,\u00a0o Minist\u00e9rio alerta que\u00a0persiste em 9% a\u00a0taxa de abandono ou interrup\u00e7\u00e3o do tratamento.<\/p>\n<p>\u201cGeralmente s\u00e3o pessoas de baixa renda. O abandono de tratamento tem muito a ver muitas vezes com pessoas que est\u00e3o com seu benef\u00edcio negado e n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00e3o de se manter. A pessoa n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de comer e se alimentar direito, isso impacta no resultado do tratamento. Pessoas relatam que n\u00e3o conseguem tomar a medica\u00e7\u00e3o de barriga vazia\u201d, relata Roberta Gouveia, enfermeira que atua em um centro de refer\u00eancia a pacientes com HIV e tuberculose em Recife (PE).<\/p>\n<p>Roberta tamb\u00e9m atua na ONG Gestos e defende que o foco do tratamento de pacientes soropositivos n\u00e3o deve estar somente no medicamento. \u201cDeveria haver, por parte do setor sa\u00fade, uma preocupa\u00e7\u00e3o com a preven\u00e7\u00e3o da tuberculose no paciente soropositivo. Eu acho que a coisa est\u00e1 muito focada na dispensa\u00e7\u00e3o de medica\u00e7\u00e3o, em fazer o tratamento de HIV, sem dar a devida import\u00e2ncia \u00e0 tuberculose como coinfec\u00e7\u00e3o\u201d, opina a enfermeira.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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