{"id":125241,"date":"2017-12-20T11:54:16","date_gmt":"2017-12-20T13:54:16","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=125241"},"modified":"2017-12-20T11:54:16","modified_gmt":"2017-12-20T13:54:16","slug":"condicoes-de-vida-sao-mais-baixas-em-areas-longe-dos-centros-diz-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=125241","title":{"rendered":"Condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00e3o mais baixas em \u00e1reas longe dos centros, diz IBGE"},"content":{"rendered":"<p>O estudo Tipologia Intraurbana, divulgado hoje (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), analisou concentra\u00e7\u00f5es urbanas com mais de 300 mil habitantes de 435 munic\u00edpios brasileiros onde residiam mais de 94 milh\u00f5es de pessoas em 2010, praticamente metade da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>Foram inclu\u00eddas no estudo as capitais de Roraima (Boa Vista) e Tocantins (Palmas). O trabalho revela uma caracter\u00edstica geral no pa\u00eds: quanto mais se afasta do centro das cidades, as condi\u00e7\u00f5es de vida se tornam mais baixas.<\/p>\n<p>O ge\u00f3grafo Maur\u00edcio Gon\u00e7alves e Silva, pesquisador do IBGE e um dos t\u00e9cnicos respons\u00e1veis pela pesquisa, observou, contudo, que existem subn\u00facleos que n\u00e3o t\u00eam \u00e1reas boas, ou regi\u00f5es afastadas que contribuem com a capital para a produ\u00e7\u00e3o de riquezas, como o ABC Paulista, por exemplo, no caso de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia mostra padr\u00e3o de vida do tipo A, porque foi uma cidade planejada, tem renda per capita (por pessoa) elevada, saneamento b\u00e1sico, n\u00edvel de escolaridade alto e acesso \u00e0 internet, entre outras vari\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cEla foi planejada para dirigir o pa\u00eds. Tem moradias dos altos escal\u00f5es\u201d, disse. No Rio de Janeiro, o que se nota \u00e9 que, perto das praias, o padr\u00e3o de vida \u00e9 melhor, e tende a piorar nas \u00e1reas mais distantes das regi\u00f5es costeiras. No sub\u00farbio, centros tradicionais do Rio foram crescendo ao longo da via f\u00e9rrea, como M\u00e9ier, Madureira e Bangu, e t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de vida um pouco melhores do que bairros localizados no seu entorno.<\/p>\n<p>Silva afirmou que o diagn\u00f3stico tra\u00e7ado permite identificar o que existe de melhor nas cidades, tanto no que se refere \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, como em termos de oportunidades na \u00e1rea privada, inclusive, na quest\u00e3o do esgotamento sanit\u00e1rio terceirizado pelas prefeituras.<\/p>\n<p>\u201cTem tanto op\u00e7\u00f5es de neg\u00f3cio para identificar as \u00e1reas melhores, como nas \u00e1reas piores, tamb\u00e9m, para a iniciativa privada\u201d. Para o setor p\u00fablico, o principal \u00e9 pensar o que pode ser melhorado na gest\u00e3o para corrigir as defici\u00eancias de maneira que efetivamente se atinja, \u201cno m\u00ednimo\u201d, uma m\u00e9dia condi\u00e7\u00e3o de vida nas \u00e1reas urbanas. O pesquisador acentuou que um conjunto de fatores leva os gestores a se preocupar com essas \u00e1reas e com a popula\u00e7\u00e3o que ali est\u00e1. \u201cDireciona tanto a vis\u00e3o privada como a p\u00fablica\u201d, disse.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pobreza_br_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Na cidade do Rio de Janeiro, perto das praias padr\u00e3o de vida \u00e9 melhor, mas piora nas \u00e1reas mais distantes (Foto: Vladimir Platonow \/ Ag\u00eancia Brasil)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Tipos intraurbanos<\/strong><\/p>\n<p>O estudo considerou uma distribui\u00e7\u00e3o percentual da popula\u00e7\u00e3o segundo o tipo intraurbano nas concentra\u00e7\u00f5es urbanas selecionadas no Brasil e grandes regi\u00f5es. Foram definidos 11 tipos intraurbanos que v\u00e3o do A ao K, descritos de acordo com 13 vari\u00e1veis que incluem percentual de pessoas com domic\u00edlio com coleta de lixo, \u00e1gua distribu\u00edda por rede geral de abastecimento, esgotamento sanit\u00e1rio, densidade de moradores por dormit\u00f3rio, domic\u00edlios de alvenaria com revestimento externo, raz\u00e3o da depend\u00eancia de menores de 15 anos, computador com acesso \u00e0 internet, domic\u00edlios com m\u00e1quina de lavar, instru\u00e7\u00e3o n\u00edvel m\u00e9dio e superior completo e renda familiar per capita.<\/p>\n<p>Do tipo F ao A, s\u00e3o consideradas condi\u00e7\u00f5es de vida m\u00e9dias e boas. J\u00e1 do G ao K, as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o baixas, baix\u00edssimas e prec\u00e1rias. O tipo A apresenta o melhor desempenho com \u00e1reas com boas condi\u00e7\u00f5es de vida e B caracteriza-se por ter \u00f3timo desempenho dentre os temas avaliados, mas n\u00e3o superior ao A.<\/p>\n<p>O C tem boas condi\u00e7\u00f5es de vida, mas perde em rela\u00e7\u00e3o a outros em termos de exist\u00eancia de computador com acesso \u00e0 internet no domic\u00edlio, em n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o e em rendimento. O tipo D abrange \u00e1reas onde predomina bom desempenho na maioria das vari\u00e1veis, ainda reflete boas condi\u00e7\u00f5es de vida, estando comumente disposto no entorno de \u00e1reas mais ricas.<\/p>\n<p>O tipo E se caracteriza por condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dias de vida, com v\u00e1rios temas mostrando percentuais satisfat\u00f3rios, mas com alguns ainda por melhorar. E o F tamb\u00e9m tem condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dias de vida, mas tem pend\u00eancias em algumas vari\u00e1veis analisadas.<\/p>\n<p>O tipo G engloba \u00e1reas onde prevalecem fortes oscila\u00e7\u00f5es nos resultados das vari\u00e1veis pesquisadas, estando presente em todas as grandes regi\u00f5es do pa\u00eds. O tipo H se caracteriza por ter resultados bons, m\u00e9dios e ruins de acordo com o tema avaliado. O tipo I re\u00fane \u00e1reas com defici\u00eancias em v\u00e1rios atributos analisados.<\/p>\n<p>O J \u00e9 o segundo tipo de pior desempenho na classifica\u00e7\u00e3o e, por fim, o tipo K tem o pior desempenho na classifica\u00e7\u00e3o de modo geral, sendo as condi\u00e7\u00f5es de vida definidas como prec\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es de vida<\/strong><\/p>\n<p>Observando as 13 vari\u00e1veis, percebe-se que a Regi\u00e3o Sul \u00e9 a que mostra mais condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dias e boas de vida, com os maiores percentuais acumulados, seguida pelo Sudeste. Segundo a pesquisa, 44,6% dos residentes no Sul brasileiro s\u00e3o do tipo E. No Sudeste, o percentual atinge 41,2%.<\/p>\n<p>Na m\u00e9dia do Brasil, a maior parte das 435 concentra\u00e7\u00f5es urbanas pesquisadas (30,9%) \u00e9 encontrada no tipo E, com condi\u00e7\u00f5es medianas de vida. \u00d3timas condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00e3o registradas por apenas 1,9% da amostra, em n\u00edvel nacional, enquanto 20,6% est\u00e3o inseridos no tipo G.<\/p>\n<p>Segundo explicou Maur\u00edcio Gon\u00e7alves da Silva, a regi\u00e3o Centro-Oeste \u00e9 bem parecida com a m\u00e9dia do pa\u00eds, com predomin\u00e2ncia do tipo E (23,2%), embora mostre 22,7% de pessoas com condi\u00e7\u00f5es de vida baixas (tipo H).<\/p>\n<p>As regi\u00f5es Norte e Nordeste apresentam peculiaridades na distribui\u00e7\u00e3o de suas popula\u00e7\u00f5es. No Norte, por exemplo, 37% dos habitantes s\u00e3o do tipo F, contra 17,7% no Nordeste. O tipo G prevalece na amostra no Nordeste (34,1%), contra 9% na regi\u00e3o Norte.<\/p>\n<p>Considerando que boas condi\u00e7\u00f5es de vida no pa\u00eds est\u00e3o entre os tipos A e D (23,9%), constata-se que tr\u00eas quartos da popula\u00e7\u00e3o, ou o correspondente a 76,1%, n\u00e3o disp\u00f5em de boas condi\u00e7\u00f5es de vida em \u00e1reas urbanas e se situam entre os tipos E e K.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, entre a popula\u00e7\u00e3o urbana com as piores condi\u00e7\u00f5es de vida (do tipo G ao K), os maiores percentuais est\u00e3o no Norte (56,3%) e no Nordeste (59,9%).<\/p>\n<p>A abordagem sobre as capitais revela que Bel\u00e9m, Boa Vista, Cuiab\u00e1, Jo\u00e3o Pessoa, Macap\u00e1, Palmas, Porto Velho, Rio Branco e Teresina n\u00e3o possuem popula\u00e7\u00e3o em \u00e1reas consideradas ricas (tipos A e B).<\/p>\n<p><strong>Particularidades<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a pesquisa do IBGE, nas concentra\u00e7\u00f5es urbanas acima de um milh\u00e3o e at\u00e9 2,5 milh\u00f5es de habitantes, os maiores percentuais de jovens de zero a 14 anos de idade podem ser encontrados nas \u00e1reas mais prec\u00e1rias de Manaus e Jo\u00e3o Pessoa (tipo intraurbano J), em S\u00e3o Lu\u00eds (tipo K) e Baixada Santista (tipo I), todos com propor\u00e7\u00f5es acima de 30%.<\/p>\n<p>Os idosos ultrapassam 14% em \u00e1reas com tipologia B, caso de Natal, A e B em Campinas e tipos C e D na Baixada Santista (SP). Nessas concentra\u00e7\u00f5es urbanas, predomina o percentual de cat\u00f3licos em quase todos os tipos, com destaque para Natal, S\u00e3o Lu\u00eds e Macei\u00f3 (todos tipo B acima de 75%) e Bel\u00e9m (tipo C).<\/p>\n<p><strong>Internet<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador do IBGE salientou que a inclus\u00e3o da internet entre as vari\u00e1veis que nortearam o estudo \u00e9 importante porque a pessoa conectada est\u00e1 dentro do mundo.<\/p>\n<p>\u201cEla acaba tendo mais oportunidades porque est\u00e1 [dentro] da discuss\u00e3o do que existe no mundo\u201d. Quando n\u00e3o tem esse meio de comunica\u00e7\u00e3o, a pessoa fica em desvantagem em rela\u00e7\u00e3o a outros grupos. Esse \u00e9 um dos exemplos de vari\u00e1veis que podem indicar vantagens e deveres de gest\u00e3o para serem pensados e corrigidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo Tipologia Intraurbana, divulgado hoje (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), analisou concentra\u00e7\u00f5es urbanas com mais de 300 mil habitantes de 435 munic\u00edpios brasileiros onde residiam mais de 94 milh\u00f5es de pessoas em 2010, praticamente metade da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca. 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