{"id":125095,"date":"2017-12-17T00:00:15","date_gmt":"2017-12-17T02:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=125095"},"modified":"2017-12-17T00:00:15","modified_gmt":"2017-12-17T02:00:15","slug":"desastre-com-barragem-acordou-monstro-de-poluentes-no-rio-doce-diz-perito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=125095","title":{"rendered":"Desastre com barragem acordou monstro de poluentes no Rio Doce, diz perito"},"content":{"rendered":"<p>O desastre ambiental com a Barragem de Fund\u00e3o, explorada pela Samarco em Mariana (MG), que completou dois anos em novembro, fez com que poluentes que estavam estabilizados no fundo do Rio Doce subissem, piorando ainda mais as condi\u00e7\u00f5es da \u00e1gua. Metais como ars\u00eanio, chumbo, mangan\u00eas, n\u00edquel, cromo e alum\u00ednio (subst\u00e2ncias danosas \u00e0 sa\u00fade humana) passaram a ser encontrados nas coletas de pesquisadores. Esses elementos n\u00e3o faziam parte do que foi encontrado originalmente no rejeito da barragem.<\/p>\n<p>\u201cCom a passagem da lama, que veio de uma vez com muita energia e grande volume, o movimento revolveu o fundo do leito do rio. \u00c9 como se tivesse acordado um monstro\u201d, explica o perito criminal federal Marcus Vin\u00edcius Andrade, que chefiou a equipe que fez a coleta de provas e coordenou os laudos da investiga\u00e7\u00e3o. \u201cAt\u00e9 hoje, em v\u00e1rios pontos, temos um n\u00edvel alto de poluentes\u201d.<\/p>\n<p>O \u201cmonstro acordado\u201d pode ser um dos respons\u00e1veis pela piora na qualidade da \u00e1gua dois anos depois do desastre, conforme constatou a Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica. Segundo\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #ff0000; text-decoration: underline;\"><a href=\"https:\/\/www.sosma.org.br\/106705\/qualidade-da-agua-na-bacia-rio-doce-piora-dois-anos-apos-tragedia-em-mariana\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff0000; text-decoration: underline;\">estudo<\/span><\/a>\u00a0<\/span><\/span><\/strong>da entidade, as condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o ruins ou p\u00e9ssimas em 88,9% dos 18 pontos de coleta analisados. Em apenas dois pontos, a qualidade foi apontada como regular (11,1%). A funda\u00e7\u00e3o informou que a \u00e1gua apresenta concentra\u00e7\u00f5es \u201celevadas de s\u00f3lidos em suspens\u00e3o e metais pesados\u201d como mangan\u00eas, cobre, alum\u00ednio e zinco.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio dos peritos criminais federais explicou que \u201ca onda liberada pelo rompimento da barragem, com elevado volume e energia, carreou parte do solo \u00e0s margens e revolveu sedimentos do fundo do Rio Doce e seus afluentes, suspendendo elementos at\u00e9 ent\u00e3o retidos para esses corpos d\u2019\u00e1gua\u201d. Foram mais de 330 mil an\u00e1lises de \u00e1gua em laborat\u00f3rios brasileiros. Os peritos realizaram ainda, na \u00e9poca, 26 coletas em Fund\u00e3o, com o lan\u00e7amento de sondas por helic\u00f3ptero, quando foram encontrados min\u00e9rios de ferro e mangan\u00eas. Ao longo do rio, a coleta \u00e9 feita com equipes em barcos.<\/p>\n<p><strong>Desde o ciclo do ouro<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Marcus Andrade, esses poluentes que foram suspensos, e que estavam est\u00e1veis no fundo do rio, hoje em quantidade muito acima do n\u00edvel esperado, s\u00e3o o resultado de uma hist\u00f3ria longa de deposi\u00e7\u00e3o que vem desde a explora\u00e7\u00e3o do ciclo do ouro na regi\u00e3o. N\u00e3o houve elementos para avaliar se alguma parte dessas subst\u00e2ncias \u00e9 de outras empresas, que tamb\u00e9m jogam materiais no Rio Doce, antes, durante ou depois do desastre. O perito aponta que, antes do desastre, a maioria dos pontos dos rios tinha qualidade m\u00e9dia ou boa e utiliz\u00e1vel para tratamento de \u00e1gua. \u201cEsse relat\u00f3rio da SOS Mata Atl\u00e2ntica afirma, inclusive, que a maioria dos pontos estava em situa\u00e7\u00e3o ruim ou p\u00e9ssima, o que impede a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em todas aquelas cidades ao longo do rio\u201d.<\/p>\n<p>Para a especialista em \u00e1gua da SOS Mata Atl\u00e2ntica, Malu Ribeiro, condi\u00e7\u00f5es naturais tamb\u00e9m t\u00eam influenciado a situa\u00e7\u00e3o do rio. \u201cA seca extrema e o baixo volume de \u00e1gua causaram uma concentra\u00e7\u00e3o dos poluentes, o que fez com que a polui\u00e7\u00e3o, apesar de impercept\u00edvel a olho nu, esteja em concentra\u00e7\u00e3o bem maior do que no ano passado\u201d. Para Marcus Andrade, a recupera\u00e7\u00e3o do rio deve demorar muito tempo. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a toxicidade do rejeito, mas a pr\u00f3pria caracter\u00edstica de os compostos ficarem suspensos e manter a turbidez, com a pouca transpar\u00eancia da \u00e1gua. At\u00e9 hoje, isso prejudica muito a prolifera\u00e7\u00e3o da vida aqu\u00e1tica ou a utiliza\u00e7\u00e3o do rio\u201d.<\/p>\n<p>O perito criminal federal Rodrigo Mayrink, que \u00e9 veterin\u00e1rio e fez exames nos peixes mortos no Rio Doce, concorda que metais pesados que aparecem nas coletas s\u00e3o resultado do desastre que teria revirado o fundo do leito. Ele lembra que o rio atravessa polo industrial importante em Minas Gerais, o que contribui historicamente para a polui\u00e7\u00e3o. \u201cNo Vale do A\u00e7o, h\u00e1 uma s\u00e9rie de pequenas e m\u00e9dias ind\u00fastrias, como de papel e celulose, que acabam jogando rejeitos no rio, que s\u00e3o tratados de uma forma ou de outra\u201d.<\/p>\n<p><strong>Valor do preju\u00edzo<\/strong><\/p>\n<p>O ocean\u00f3grafo e professor ga\u00facho Antonio Philamena, que realiza per\u00edcia independente em Mariana, faz um estudo para apontar o valor monet\u00e1rio do preju\u00edzo do desastre para a sociedade. Ele utiliza duas metodologias, uma para avaliar o dano na bacia e outra para avaliar os danos indiretos. Philamena defende a valora\u00e7\u00e3o para subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas e legisla\u00e7\u00f5es, a fim de coibir instala\u00e7\u00f5es de empresas sem aporte financeiro para lidar com cen\u00e1rios como esse em Minas Gerais.<\/p>\n<p>\u201cNossa quest\u00e3o \u00e9 entender como uma ind\u00fastria de determinado valor acaba com um rio. Eu vou fazer um c\u00e1lculo para avaliar qual seria o valor de um rio. Estou melhorando o modelo para servir de base. Multa \u00e9 diferente de repara\u00e7\u00e3o. O rio virou um canal. Como uma barragem pode fazer uma destrui\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande? Se a empresa n\u00e3o tem dinheiro para cobrir um desastre, n\u00e3o deveria funcionar\u201d. Alguns gastos s\u00e3o mensur\u00e1veis, outros n\u00e3o. \u201cA parte tecnol\u00f3gica \u00e9 at\u00e9 mais simples, mas o impacto social n\u00e3o tem como calcular\u201d.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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