{"id":12268,"date":"2013-10-16T18:32:41","date_gmt":"2013-10-16T18:32:41","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=12268"},"modified":"2013-10-16T19:08:04","modified_gmt":"2013-10-16T19:08:04","slug":"berco-do-bolsa-familia-cidade-de-itinga-ainda-caminha-para-espantar-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=12268","title":{"rendered":"Ber\u00e7o do Bolsa Fam\u00edlia, cidade de Itinga ainda caminha para espantar a pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Em janeiro de 2003, dez dias depois de tomar posse, o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, acompanhado por 29 ministros e pelo ent\u00e3o governador A\u00e9cio Neves (PSDB), desembarcou em Itinga, cidade de 14 mil habitantes no Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais, depois de passar por Pernambuco e Piau\u00ed. Os objetivos da chamada Caravana da Mis\u00e9ria eram dar um &#8220;banho de realidade&#8221; nos ministros e anunciar o programa Fome Zero, que meses depois, ap\u00f3s ajustes, seria rebatizado como Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, Lula prometeu &#8220;o maior esfor\u00e7o j\u00e1 feito por um governo&#8221; para garantir cidadania aos moradores da regi\u00e3o. Passados dez anos muita coisa melhorou em Itinga, em boa parte gra\u00e7as \u00e0s a\u00e7\u00f5es do governo federal. O \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) subiu de 0,440 (muito baixo) em 2003 para 0,600 (m\u00e9dio) em 2010. A renda l\u00edquida per capta aumentou de R$ 660 para R$ 1.010 (65%). O PIB cresceu 179% em oito anos.<\/p>\n<p>As casas est\u00e3o mais bem cuidadas, com pintura e telhados novos, inclusive nos bairros mais pobres, e podem ser vistas muitas obras em andamento na cidade. O n\u00famero de estabelecimentos comerciais aumentou, assim como a variedade e qualidade dos itens nas prateleiras. A frota de ve\u00edculos quadruplicou gra\u00e7as \u00e0 ponte Presidente Lula, inaugurada pelo pr\u00f3prio em 2004, que serviu para unir a cidade antes dividida ao meio pelo rio Jequitinhonha.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a passagem de Lula, Itinga ganhou notoriedade nacional e foi alvo das a\u00e7\u00f5es positivas de diversos grupos e entidades que aderiram imediatamente \u00e0 proposta de erradica\u00e7\u00e3o da fome lan\u00e7ada pelo ex-presidente. A Vale do Rio Doce bancou a constru\u00e7\u00e3o da ponte que, por sua vez, viabilizou a chegada de quatro empresas para extra\u00e7\u00e3o de granito. A prefeitura de Diadema (SP) adotou Itinga enviando m\u00e1quinas e treinando gestores. A Confedera\u00e7\u00e3o Israelita do Brasil (Conib) e o hospital Albert Einstein firmaram conv\u00eanios na \u00e1rea de sa\u00fade. No rastro do Bolsa Fam\u00edlia chegaram outros programas federais como Pronatec, PETI, Travessia e Projovem.<\/p>\n<p>&#8220;Sem d\u00favida, o Bolsa Fam\u00edlia ajudou a aquecer a economia da cidade, aumentou o com\u00e9rcio e indiretamente ajudou a criar empregos&#8221;, diz o secret\u00e1rio municipal de governo, Marcos Elias.<\/p>\n<p><strong>Uma d\u00e9cada depois<\/strong><\/p>\n<p>Itinga conta hoje com 2.072 fam\u00edlias, cerca de seis mil pessoas, beneficiadas com R$ 104,80, em m\u00e9dia, do Bolsa Fam\u00edlia. O n\u00famero, 43% dos 14 mil moradores da cidade, representa metade das 4.150 fam\u00edlias cadastradas. Ou seja, mais de 80% dos moradores de Itinga solicitaram o benef\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8220;O efeito principal do programa foi dar autonomia \u00e0s fam\u00edlias. O pessoal j\u00e1 n\u00e3o precisa sair de Itinga para trabalhar no corte de cana, que era a maior fonte de renda da popula\u00e7\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o se v\u00ea crian\u00e7a nas ruas porque o estudo \u00e9 uma condicionante&#8221;, diz D\u00e9bora Ramalho, uma das gestoras do Bolsa Fam\u00edlia em Itinga. &#8220;Mas tem muita gente que ficou totalmente dependente do benef\u00edcio. Algumas fam\u00edlias n\u00e3o desenvolvem nenhuma outra atividade e se acomodaram&#8221;, avalia. \u201cMuita gente tem medo de arrumar emprego, perder o Bolsa Fam\u00edlia e depois ser demitido&#8221;, diz Greise Pinheiro Murta, tamb\u00e9m gestora.<\/p>\n<p>Mais que a \u201cacomoda\u00e7\u00e3o\u201d ou o \u201cmedo de arrumar emprego\u201d, h\u00e1 quest\u00f5es palp\u00e1veis que impedem Itinga de caminhar mais rapidamente na dire\u00e7\u00e3o da prosperidade. A parceria com a Conib, por exemplo, expirou. O conv\u00eanio com Diadema foi cancelado. E o principal: a falta de vagas no mercado de trabalho. &#8220;As mineradoras que chegaram para explorar granito trazem toda a m\u00e3o-de-obra especializada de fora. Aqui na cidade s\u00f3 pegam gente para o bra\u00e7al&#8221;, diz Marcos Elias.<\/p>\n<p>\u201cMeu marido \u00e9 pedreiro, mas n\u00e3o encontra servi\u00e7o aqui e precisa fazer bicos na rua. Trabalha um dia sim, outro n\u00e3o&#8221;, diz Alessandra Cardoso Oliveira, 32 anos, dois filhos, que recebe R$ 102 por m\u00eas do Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em 2003, a m\u00e3e dela, dona Rosalina, recebeu Lula e seus ministros na casa simples da fam\u00edlia no bairro Mutir\u00e3o. O ex-presidente, encharcado de suor e l\u00e1grimas, se deixou fotografar na janela da casa e prometeu mudan\u00e7as. \u201cAquela visita deu esperan\u00e7a, Gilberto Gil (ent\u00e3o ministro da Cultura) chegou a usar o banheiro da casa da minha sogra. Mas n\u00e3o mudou nada&#8221;, afirma Alessandra.<\/p>\n<p>Para fugir do desemprego, muitos homens de Itinga deixam a cidade para trabalhar na constru\u00e7\u00e3o civil em grandes cidades como Belo Horizonte. \u201cMeu marido trabalha de pe\u00e3o em Belo Horizonte. Ele n\u00e3o v\u00ea os filhos h\u00e1 sete meses&#8221;, relata Sarajane Pessoa, 24 anos, que recebe R$ 272 por m\u00eas do governo federal.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda problemas pontuais da gest\u00e3o municipal que geram respingos no governo federal. Para M\u00e1rio Gusm\u00e3o, assessor especial do prefeito de Itinga, ex-l\u00edder do PT local e cicerone de Lula em suas passagens pela cidade, &#8220;o governo (federal) tinha \u00e9 que educar o povo a usar o benef\u00edcio porque quem mais tem lucrado s\u00e3o comerciantes.\u201d \u201cConhe\u00e7o gente que recebe o benef\u00edcio, mas ainda vive na mis\u00e9ria. Eles n\u00e3o sabem que \u00e9 poss\u00edvel comprar R$ 5 ou R$ 10 de cada vez e nem quanto tem na conta. Muitas vezes o cart\u00e3o fica na m\u00e3o de comerciantes&#8221;, acusa.<\/p>\n<p><strong>Panela no fogo<\/strong><\/p>\n<p>A rotina de Itinga mostra que, para a maior parte dos beneficiados, o dinheiro do Bolsa Fam\u00edlia representa uma boa ajuda no or\u00e7amento. &#8220;Recebo R$ 140. Com isso n\u00e3o d\u00e1 para botar comida na mesa. Tem que trabalhar&#8221;, diz a artes\u00e3 Evangelina Martins de Souza, 55 anos.<\/p>\n<p>Ela vive com os quatro filhos em Pasmadinho, vilarejo simples a 15km do centro de Itinga. Vende panelas feitas \u00e0 m\u00e3o por pre\u00e7os entre R$ 1 e R$ 5 e nunca teve renda fixa antes do Bolsa Fam\u00edlia. &#8220;N\u00e3o d\u00e1 para melhorar de vida, mas garante a feira. Agrade\u00e7o a Deus por este dinheiro. Antes disso tinha gente aqui que n\u00e3o botava a panela no fogo.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar da prosperidade vis\u00edvel, Itinga ainda luta para afastar o estigma de capital da mis\u00e9ria. Em 2010, a cidade ganhou o inc\u00f4modo t\u00edtulo de pior cidade de Minas Gerais para se viver em um levantamento feito pela Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro, do governo estadual.<\/p>\n<p>&#8220;Quem diz que \u00e9 o pior lugar de Minas para viver deveria morar aqui um tempo. Itinga tem dificuldades? Tem. Mas j\u00e1 rodei esse Brasil como caminhoneiro e \u00e9 a melhor cidade para se viver. Durmo com a porta aberta. No domingo acordo com um monte de gente dentro de casa. Entram e deixam o caf\u00e9 pronto. Uma cunhada que vive em Belo Horizonte diz que somos privilegiados&#8221;, diz M\u00e1rio Gusm\u00e3o. Um bom resumo de um local que tem muito a evoluir, mas parece ter deixado para l\u00e1 da ponte um passado calcado, quase todo, na aridez.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=12280\">Fiscaliza\u00e7\u00e3o aponta falhas de Itinga na gest\u00e3o do Bolsa Fam\u00edlia<\/a><\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=12273\"><strong>Ex-benefici\u00e1ria do Bolsa Fam\u00edlia vira empres\u00e1ria<\/strong><\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=12277\"><strong>Vinte anos depois, moradora de Itinga cobra casa prometida por Lula<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Fonte: IG &#8211; Ricardo Galhardo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em janeiro de 2003, dez dias depois de tomar posse, o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, acompanhado por 29 ministros e pelo ent\u00e3o governador A\u00e9cio Neves (PSDB), desembarcou em Itinga, cidade de 14 mil habitantes no Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais, depois de passar por Pernambuco e Piau\u00ed. 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