{"id":120758,"date":"2017-08-29T12:59:08","date_gmt":"2017-08-29T14:59:08","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=120758"},"modified":"2017-08-29T12:59:08","modified_gmt":"2017-08-29T14:59:08","slug":"cebola-que-nao-faz-chorar-chega-ao-mercado-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=120758","title":{"rendered":"Cebola que n\u00e3o faz chorar chega ao mercado brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>As l\u00e1grimas de quem corta cebolas para cozinhar est\u00e3o com os dias contados. A safra 2017 do estado de S\u00e3o Paulo, que chega aos mercados nos pr\u00f3ximos dias, tem uma novidade: uma variedade &#8220;que n\u00e3o faz chorar&#8221;. Isso porque pesquisadores da multinacional alem\u00e3 Bayer, ap\u00f3s mais de 20 anos, conseguiram reduzir a quantidade de enxofre que \u00e9 liberado quando a cebola \u00e9 cortada e em contato com os olhos, causa irrita\u00e7\u00e3o e choro.<\/p>\n<p>O processo de cria\u00e7\u00e3o da nova variedade, chamada Dulciana, come\u00e7ou com a avalia\u00e7\u00e3o das diversas variedades de cebola dispon\u00edveis no mercado. Depois, as que tinham caracter\u00edsticas desejadas \u2013 como mais a\u00e7\u00facares, menos acidez e menos enxofre \u2013 foram selecionadas e, ent\u00e3o, foi feito o cruzamento entre elas, para fazer o melhoramento gen\u00e9tico. &#8220;Depois, testamos o novo h\u00edbrido no campo, avaliamos os \u00edndices de produtividade e a resist\u00eancia a doen\u00e7as&#8221;, conta o pesquisador Joelson Freitas, do segmento de cebolas da Bayer.<\/p>\n<p>Os agricultores que plantaram a nova variedade queriam ter em m\u00e3os um produto diferenciado, como Sidimar Mengali, de Itobi, munic\u00edpio localizado a 250 quil\u00f4metros de S\u00e3o Paulo. Ele e outros colegas de sua regi\u00e3o come\u00e7aram a colher na sexta-feira passada a nova variedade. &#8220;Os compradores est\u00e3o pedindo por ser uma cebola menos ardida, mais agrad\u00e1vel&#8221;, diz o agricultor, que plantou 40 hectares no total.<\/p>\n<p>Em 2015, o Estado de S\u00e3o Paulo colheu 197 mil toneladas de cebola, o equivalente a 13,6% da produ\u00e7\u00e3o nacional, de 1,44 milh\u00e3o, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Santa Catarina e Bahia foram os campe\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o, com 339 mil e 282 mil toneladas, respectivamente. <\/p>\n<p>A nova cebola \u00e9 o sonho de quem &#8220;sofre&#8221; quando vai cozinhar. Marisabel Woodman, propriet\u00e1ria de um restaurante peruano que usa 150 quilos de cebola por semana, diz que ter outra variedade \u00e9 bom, principalmente se ela evita as l\u00e1grimas. &#8220;Na hora de cortar, todo mundo aqui no restaurante chora, o ambiente fica at\u00e9 carregado&#8221;, brinca a chef do La Peruana, na zona oeste paulistana.<\/p>\n<p>Cozinheiro-chefe de um restaurante por quilo, Rildo F\u00e9lix afirma que, apesar da experi\u00eancia, n\u00e3o consegue evitar as l\u00e1grimas quando corta cebolas. &#8220;\u00c9 s\u00f3 cortar a primeira que j\u00e1 come\u00e7a o choro, \u00e9 inevit\u00e1vel&#8221;, diz ele, que usa 30 quilos por semana no Feij\u00e3o Brasil, nas proximidades da Avenida Paulista. &#8220;Nunca tinha ouvido falar, me despertou a curiosidade&#8221;, comenta. Para F\u00e9lix, variedades diferentes podem diversificar o consumo da cebola no Pa\u00eds, ainda vista como tempero.<\/p>\n<p>Feirante h\u00e1 35 anos, Ant\u00f4nio de Campos Madeira relata que a maior parte de seus clientes busca cebola para temperar arroz, feij\u00e3o ou acompanhar um bife. Mas alguns procuram cebolas mais suaves, sem sucesso. &#8220;Essa variedade nova vai satisfazer esse pessoal&#8221;, opina.<\/p>\n<p><strong>Futuro<\/strong><\/p>\n<p>O coordenador da C\u00e2mara Setorial de Cebola da Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria de Santa Catarina (Epagri), Daniel Schmitt diz que cebolas menos \u00e1cidas t\u00eam espa\u00e7o nos Estados Unidos. L\u00e1, nos anos 1980, o consumo do alimento ca\u00eda entre jovens e crian\u00e7as. Ent\u00e3o, pesquisadores selecionaram variedades mais suaves, que tiveram boa aceita\u00e7\u00e3o e alavancaram o consumo. &#8220;Faltava essa oferta no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Vamos alcan\u00e7ar um novo p\u00fablico e o consumo de cebola, em m\u00e9dia de 7 quilos por pessoa por ano, pode aumentar&#8221;, diz Schmitt. Uruguaios e argentinos comem cerca de 12 quilos por ano.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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