{"id":117436,"date":"2017-06-16T16:38:02","date_gmt":"2017-06-16T18:38:02","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=117436"},"modified":"2017-06-16T16:38:02","modified_gmt":"2017-06-16T18:38:02","slug":"ministerio-publico-federal-pede-condenacao-de-ex-reitor-da-ufjf-por-improbidade-administrativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=117436","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal pede condena\u00e7\u00e3o de ex-reitor da UFJF por improbidade administrativa"},"content":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra Henrique Duque de Miranda Chaves Filho, ex-reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), por improbidade administrativa. O ex-reitor \u00e9 acusado de transferir indevidamente recursos p\u00fablicos da universidade para a Funda\u00e7\u00e3o de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o (Fadepe), que, apesar de ligada \u00e0 UFJF, \u00e9 uma entidade privada, n\u00e3o estando, portanto, sujeita ao regime jur\u00eddico que rege a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. <\/p>\n<p>Os atos ilegais consistiram em tr\u00eas principais expedientes: pagamento il\u00edcito de taxa de administra\u00e7\u00e3o, recolhimento de pre\u00e7os p\u00fablicos a contas banc\u00e1rias da Fadepe e transfer\u00eancia da gest\u00e3o de espa\u00e7o p\u00fablico \u00e0 funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o MPF, as manobras tinham o objetivo de obter excedente de recursos que, na pr\u00e1tica, funcionavam como uma esp\u00e9cie de &#8220;caixa dois&#8221;, de forma que pudessem ser geridos como bens privados, sem sujei\u00e7\u00e3o \u00e0s normas que obrigam a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, por exemplo, pr\u00e9via realiza\u00e7\u00e3o de processos licitat\u00f3rios formais. <\/p>\n<p>Tal pr\u00e1tica, embora amplamente disseminada entre as institui\u00e7\u00f5es superiores com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas funda\u00e7\u00f5es, \u00e9 totalmente ilegal. A a\u00e7\u00e3o cita jurisprud\u00eancia firmada pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) no sentido de que a finalidade das funda\u00e7\u00f5es de apoio \u00e9 estritamente a de \u201cdar suporte a projetos de pesquisa, ensino e extens\u00e3o e de desenvolvimento institucional, cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico de interesse das institui\u00e7\u00f5es apoiadas e, primordialmente, ao desenvolvimento da inova\u00e7\u00e3o e da pesquisa cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<p>Ainda segundo o TCU, as funda\u00e7\u00f5es de apoio universit\u00e1rio n\u00e3o podem ser utilizadas em atividades que envolvam atividades administrativas de rotina, como conserva\u00e7\u00e3o, limpeza, secretariado e servi\u00e7os administrativos na \u00e1rea de inform\u00e1tica, gr\u00e1ficos, reprogr\u00e1ficos e de telefonia. Mas o que acabou ocorrendo ao longo dos anos foi o seu uso como &#8220;laranjas&#8221;, ou seja, \u201ccomo institui\u00e7\u00f5es interpostas em contrata\u00e7\u00f5es para a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, obras ou fornecimento de bens \u00e0s universidades \u2013 hip\u00f3tese em que \u00e9 um terceiro que executa a presta\u00e7\u00e3o \u00e0 universidade, mas esse terceiro n\u00e3o \u00e9 contratado diretamente pela universidade por regular processo licitat\u00f3rio, mas pela funda\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; e como intermedi\u00e1ria na contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra \u2013 hip\u00f3tese em que se viola \u201co princ\u00edpio do concurso p\u00fablico para contrata\u00e7\u00e3o de pessoal a qualquer t\u00edtulo, uma vez que o pessoal envolvido no contrato n\u00e3o presta servi\u00e7os \u00e0 funda\u00e7\u00e3o, mas direta e pessoalmente \u00e0 entidade p\u00fablica\u201d. <\/p>\n<p>O Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 2731\/2008 do TCU tamb\u00e9m afirma que, no campo dos recursos financeiros, &#8220;as funda\u00e7\u00f5es atuam como simples manipuladoras de receitas, ou, em termos mais contundentes, como gestoras de caixa dois de receita, mediante descumprimento do princ\u00edpio da unidade de caixa&#8221;.<\/p>\n<p>Para o MPF, &#8220;o desvio de recursos p\u00fablicos pela UFJF, em proveito da Fadepe, seguido do seu emprego na aquisi\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os como se privados fossem, resultou em burla ao dever de licitar, aus\u00eancia de transpar\u00eancia na contrata\u00e7\u00e3o de fornecedores para a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e omiss\u00e3o da exig\u00eancia de prova de qualifica\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e0 garantia do cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Desobedi\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Os pagamentos a t\u00edtulo de taxa de administra\u00e7\u00e3o foram feitos pela Reitoria da UFJF, em percentual elevado e linear, no \u00e2mbito de conv\u00eanios nos quais seria cab\u00edvel t\u00e3o-somente o ressarcimento de despesas administrativas suportadas pela Fadepe, desde que efetivamente demonstradas.<\/p>\n<p>Segundo a a\u00e7\u00e3o, tal pagamento \u00e9 proibido, porque conv\u00eanios e contratos de repasse n\u00e3o se destinam a proporcionar enriquecimento \u00e0 entidade convenente, mas t\u00e3o somente a fornecer os meios necess\u00e1rios \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de programas, projetos e atividades de interesse rec\u00edproco. O \u00fanico pagamento poss\u00edvel diz respeito ao ressarcimento de despesas administrativas expressamente autorizadas e demonstradas, e, assim mesmo, at\u00e9 o m\u00e1ximo de 15% do valor pactuado. <\/p>\n<p>Apesar da proibi\u00e7\u00e3o legal e de advert\u00eancias feitas pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, Henrique Duque Filho, durante toda a sua gest\u00e3o, &#8220;obstinadamente seguiu celebrando conv\u00eanios com a FADEPE, de forma a estipular o pagamento a essa entidade do percentual linear de 15% dos valores pactuados&#8221;, em desrespeito \u00e0s normas e \u00e0s determina\u00e7\u00f5es do TCU.   <\/p>\n<p><strong>Pr\u00e1tica mais grave<\/strong><\/p>\n<p>O MPF, por\u00e9m, destaca que a maior perplexidade nem foi o pagamento linear de taxa de administra\u00e7\u00e3o, mas a transfer\u00eancia ou dep\u00f3sito de pre\u00e7os p\u00fablicos nas contas banc\u00e1rias da funda\u00e7\u00e3o, mesmo quando a Fadepe n\u00e3o tinha qualquer participa\u00e7\u00e3o na presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os que resultavam na cobran\u00e7a das tarifas. <\/p>\n<p>Inicialmente a a\u00e7\u00e3o registra que o acusado jamais respeitou o princ\u00edpio da unidade de caixa ou de tesouraria que, conforme Lei 4.320\/1964, Decreto-lei 1.755\/1979 e Decreto 93.872\/1986, obriga que todas as receitas da Uni\u00e3o e dos seus \u00f3rg\u00e3os aut\u00f4nomos sejam recolhidas \u00e0 conta \u00fanica do Tesouro Nacional.<\/p>\n<p>Ao assumir a reitoria, em 2007, Henrique Duque Filho foi pessoal e diretamente cientificado de ac\u00f3rd\u00e3o do TCU que advertia sobre a necessidade de observ\u00e2ncia do princ\u00edpio da unidade de caixa. Em 2009, o tribunal novamente intimou o ex-reitor, afirmando, no Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 2000\/2009, &#8220;aus\u00eancia de registros na Conta \u00danica do Tesouro dos recursos arrecadados por Funda\u00e7\u00e3o de Apoio, decorrentes da execu\u00e7\u00e3o de projetos e cursos de especializa\u00e7\u00e3o lato sensu&#8221;. Em 2010, o TCU volta a instar a UFJF e o reitor sobre a necessidade de cumprimento da determina\u00e7\u00e3o. Todas em v\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, o ex-reitor, al\u00e9m de ignorar as determina\u00e7\u00f5es do TCU quanto \u00e0 observ\u00e2ncia do princ\u00edpio da unidade de caixa, acabou incorrendo em uma pr\u00e1tica ainda mais grave, que foi o recolhimento de pre\u00e7os p\u00fablicos nas contas banc\u00e1rias da Fadepe, consistente, por exemplo, na transfer\u00eancia ou dep\u00f3sito para essas contas do numer\u00e1rio obtido por meio da cobran\u00e7a de taxas para o registro de diplomas expedidos por outras institui\u00e7\u00f5es de ensino superior.<\/p>\n<p>&#8220;E a especial gravidade de tal expediente estava em que a destina\u00e7\u00e3o de tais recursos \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de apoio jamais se baseou em conv\u00eanio que previsse, ainda que de forma esp\u00faria, o envolvimento da Fadepe naquela atividade de rotina administrativa da UFJF e a sua remunera\u00e7\u00e3o pelos servi\u00e7os que acaso prestasse&#8221;, afirma o MPF. Pelo contr\u00e1rio. N\u00e3o cabia \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de apoio a execu\u00e7\u00e3o de qualquer servi\u00e7o relacionado ao registro de diplomas, atividade inteiramente executada pela pr\u00f3pria autarquia. &#8220;Tratava-se, pura e simplesmente, portanto, de desvio de recursos p\u00fablicos em proveito daquela funda\u00e7\u00e3o, mediante a &#8216;fragmenta\u00e7\u00e3o para cria\u00e7\u00e3o de caixas especiais&#8217; vedada pelo art. 56 da Lei n\u00ba 4.320\/1964&#8221;. <\/p>\n<p><strong>Cess\u00e3o indevida<\/strong><\/p>\n<p>Por fim, o acusado tamb\u00e9m cedeu \u00e0 Fadepe, indevidamente, a gest\u00e3o de determinados espa\u00e7os p\u00fablicos pertencentes \u00e0 UFJF, de modo a proporcionar super\u00e1vit \u00e0 funda\u00e7\u00e3o por meio da cess\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do bem a terceiros.<\/p>\n<p>Para o MPF, &#8220;se a simples delega\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o de bem p\u00fablico \u00e0 Fadepe, atividade administrativa de rotina, j\u00e1 seria incab\u00edvel, a utiliza\u00e7\u00e3o da funda\u00e7\u00e3o de apoio como interposta pessoa para o fim de celebra\u00e7\u00e3o de contrato com terceiro, o qual a UFJF poderia \u2013 e deveria \u2013 firmar por si mesma, afigurou-se inadmiss\u00edvel&#8221;, lembrando que tamb\u00e9m quanto a essa pr\u00e1tica o ex-reitor tinha conhecimento de sua veda\u00e7\u00e3o face a intima\u00e7\u00f5es de ac\u00f3rd\u00e3os proferidos pelo TCU.<\/p>\n<p>Desse modo, o acusado, &#8220;obstinando-se em perpetuar pr\u00e1ticas il\u00edcitas, mesmo reiteradamente advertido pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) a n\u00e3o faz\u00ea-lo, agiu com desonestidade e deslealdade \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, incorrendo dolosamente na pr\u00e1tica de atos de improbidade administrativa&#8221;, sustenta a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se condenado, Henrique Duque Filho estar\u00e1 sujeito \u00e0s san\u00e7\u00f5es previstas na Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429\/92), entre elas, perda da fun\u00e7\u00e3o ou cargo p\u00fablico, pagamento de multa civil, suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos, ressarcimento ao er\u00e1rio e proibi\u00e7\u00e3o de contratar com o Poder P\u00fablico e de receber incentivos fiscais ou credit\u00edcios de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O ex-reitor da UFJF j\u00e1 havia sido condenado, em 2016, a 2 anos e 1 m\u00eas de reclus\u00e3o \u2013 convertidos em presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade e pagamento de presta\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias \u2013 pelo crime previsto no artigo 10 da Lei 7.347\/1985, que consiste em recusar, retardar ou omitir dados t\u00e9cnicos que foram requisitados pelo MPF para investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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