{"id":116902,"date":"2017-06-07T18:39:04","date_gmt":"2017-06-07T20:39:04","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=116902"},"modified":"2017-06-07T18:39:04","modified_gmt":"2017-06-07T20:39:04","slug":"febre-amarela-dizimou-primatas-na-regiao-leste-de-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=116902","title":{"rendered":"Febre amarela dizimou primatas na regi\u00e3o Leste de Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de matar pelo menos 151 pessoas em Minas \u2013 n\u00e3o inclu\u00eddos os 54 \u00f3bitos ainda em investiga\u00e7\u00e3o \u2013, a febre amarela, que registrou seu maior surto no pa\u00eds desde os anos 1980, causou mortandade tamb\u00e9m entre primatas. Pesquisadores que se dedicam a estudar e acompanhar esp\u00e9cies estimam que somente em uma das reservas do Leste de Minas, epicentro do surto, pelo menos 90% da popula\u00e7\u00e3o de 500 bugios \u2013 tamb\u00e9m conhecidos como barbados \u2013 tenham morrido. A devasta\u00e7\u00e3o ocorreu na Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga, onde a esp\u00e9cie entrou em risco de extin\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o momento, apenas 12 desses animais foram encontrados e buscas est\u00e3o sendo feitas na tentativa de localizar um n\u00famero maior em outras \u00e1reas da reserva. Macacos-prego e saguis da serra tamb\u00e9m foram atingidos e est\u00e3o em n\u00famero menor que antes. Embora ainda n\u00e3o tenha havido comprova\u00e7\u00e3o de mortes por febre amarela entre os muriquis, considerados s\u00edmbolo da mata atl\u00e2ntica, esses animais tiveram redu\u00e7\u00e3o de 10% na popula\u00e7\u00e3o de 350 primatas, durante o per\u00edodo do surto da doen\u00e7a. Com isso, o n\u00famero chegou a patamares de cinco anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u201cEstamos fazendo levantamentos, e, no futuro, teremos n\u00fameros mais precisos. Mas a investiga\u00e7\u00e3o na mata j\u00e1 feita at\u00e9 agora \u00e9 suficiente para dizer que os barbados correm risco de extin\u00e7\u00e3o nessa reserva, que \u00e9 uma \u00e1rea que tinha alt\u00edssima densidade desses animais. Eles foram aniquilados, exterminados pela virose da febre amarela\u201d, afirma o primatologista da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santos (Ufes) S\u00e9rgio Lucena. O pesquisador chama aten\u00e7\u00e3o ainda para o perigo que correm os saguis da serra, j\u00e1 classificados como esp\u00e9cie com risco de desaparecer daquele ambiente. \u201cEssa \u00e9 uma reserva importante para a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e, para n\u00f3s, j\u00e1 est\u00e1 obvio que houve redu\u00e7\u00e3o expressiva da popula\u00e7\u00e3o. Em diversas caminhadas feitas na mata, ainda n\u00e3o foi registrado nenhum deles. Vamos tentar outra \u00e1rea, porque acreditamos que eles ainda estejam por aqui, mas em n\u00famero bem menor\u201d, afirma o professor, que estuda primatas do Vale do Rio Doce e regi\u00f5es vizinhas h\u00e1 mais de 30 anos.<\/p>\n<p>Os macacos s\u00e3o altamente sens\u00edveis ao v\u00edrus da febre amarela, especialmente os barbados e os saguis ou micos. A morte de macacos devido \u00e0 doen\u00e7a serve como alerta aos \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade sobre a necessidade de vacina\u00e7\u00e3o imediata da popula\u00e7\u00e3o humana. Assim como humanos, os macacos s\u00e3o considerados hospedeiros e v\u00edtimas do v\u00edrus e ainda ajudam a sociedade se proteger, j\u00e1 que sua morte indica o risco da doen\u00e7a na regi\u00e3o. Por isso, atuam como sentinelas da circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da febre amarela. Nos primatas, o v\u00edrus se mant\u00e9m por um curto espa\u00e7o de tempo, pois eles adoecem e morrem por conta da infec\u00e7\u00e3o. Os reservat\u00f3rios do v\u00edrus e respons\u00e1veis por sua manuten\u00e7\u00e3o na natureza s\u00e3o mosquitos silvestre, que podem transmitir o v\u00edrus para novos hospedeiros durante os cerca de 30 dias que vivem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/macaco.jpg\" alt=\"\" \/><em>Bugio-ruivo-do-norte (Alouatta guariba guariba) &#8211; Leonardo gomes neves\/ICMBio<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>MURIQUIS<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m considerados uma esp\u00e9cie em situa\u00e7\u00e3o de perigo e um dos 25 primatas mais amea\u00e7ados do mundo, os muriquis do norte foram os menos impactados entre os primatas dizimados na reserva Feliciano Miguel Abdala. De acordo com a primatologista americana Karen Strier, professora de antropologia da Universidade Wisconsin-Madison (EUA), a perda de 10% do total de 350 animais coincidiu com o per\u00edodo do surto da doen\u00e7a no Leste de Minas. \u201cChegamos a n\u00famero de cinco anos atr\u00e1s e isso significa um impacto enorme para esses primatas, j\u00e1 amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. Mas, ao contr\u00e1rio dos barbados e demais atingidos, eles t\u00eam mais chance de recuperar a popula\u00e7\u00e3o anteriormente registrada\u201d, afirma Karen, que \u00e9 tamb\u00e9m presidente da Sociedade Internacional de Primatologia.<\/p>\n<p>Ela destaca, no entanto, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o houve confirma\u00e7\u00e3o de que tenha sido a febre amarela a causa da morte dos muriquis. \u201cTivemos uma coincid\u00eancia das mortes no mesmo per\u00edodo do surto, mas isso pode ser reflexo de outras situa\u00e7\u00f5es, como outros tipos de doen\u00e7a, idade e o fato de os \u00faltimos dois anos n\u00e3o terem registro de muita chuva. Mas temos suspeita de que pelo menos uma propor\u00e7\u00e3o possa ter sofrido os efeitos da febre amarela tamb\u00e9m\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>REMANESCENTE FLORESTAL<\/strong><\/p>\n<p>O dom\u00ednio da mata atl\u00e2ntica ocupa cerca de 36% do estado de Minas Gerais. Menos de 4% dessa forma\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 coberta por vegeta\u00e7\u00e3o natural, que se estendia originalmente por todo o Leste mineiro. A Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural Feliciano Miguel Abdala representa, neste contexto, um importante remanescente florestal localizado no munic\u00edpio de Caratinga, \u00e0 margem esquerda do Rio Manhua\u00e7u, na Bacia do Rio Doce, em Minas Gerais. Com \u00e1rea de 957 hectares, a reserva corresponde a 72% da Fazenda Montes Claros, formada por 80% de matas em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o e 20% de pastos abandonados e florestas em regenera\u00e7\u00e3o. Muitos vizinhos da Fazenda Montes Claros contam com pequenas \u00e1reas de florestas em suas propriedades, o que totaliza cerca 1.450ha de mata atl\u00e2ntica original na regi\u00e3o. Devido ao elevado n\u00famero de plantas end\u00eamicas e da rica fauna de aves e mam\u00edferos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o existentes na \u00e1rea, a reserva \u00e9 considerada uma das \u00e1reas priorit\u00e1rias para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade na mata atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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