{"id":115429,"date":"2017-05-21T18:16:32","date_gmt":"2017-05-21T20:16:32","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=115429"},"modified":"2017-05-21T18:16:32","modified_gmt":"2017-05-21T20:16:32","slug":"cientistas-mineiros-estudam-fungos-da-antartica-em-busca-de-medicamento-contra-dengue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=115429","title":{"rendered":"Cientistas mineiros estudam fungos da Ant\u00e1rtica em busca de medicamento contra dengue"},"content":{"rendered":"<p>Cientistas mineiros estudam fungos da Ant\u00e1rtica em busca de subst\u00e2ncias que possam servir para elabora\u00e7\u00e3o de medicamentos contra o v\u00edrus da dengue. O projeto Micologia Ant\u00e1rtica ou simplesmente MycoAntar est\u00e1 realizando testes com mais de 5 mil extratos de subst\u00e2ncias obtidas. Dois deles j\u00e1 demostraram potencial para dar origem a antivirais para humanos, pois foram capazes de inibir o v\u00edrus da dengue com baixa toxicidade.<\/p>\n<p>A iniciativa envolve pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre outras institui\u00e7\u00f5es. Durante cada Opera\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica, que ocorre anualmente entre os meses de outubro e mar\u00e7o, cientistas viajam ao continente gelado para realizar a coleta de fungos. As amostras, reunidas desde a cria\u00e7\u00e3o do projeto em 2013, permitiu \u00e0 UFMG constituir a maior cole\u00e7\u00e3o de fungos da Ant\u00e1rtica do mundo. S\u00e3o cerca de 8 mil esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Utilizando essas amostras, os cientistas da UFMG crescem os fungos em baixa temperatura e coletam extratos das subst\u00e2ncias produzidas. Eles s\u00e3o enviados para o Centro de Pesquisa Ren\u00ea Rachou, da Fiocruz, sediado em Belo Horizonte. L\u00e1 s\u00e3o identificados os que manifestaram atividade biol\u00f3gica em contato com o v\u00edrus da dengue.<\/p>\n<p>&#8220;Digamos que, de mil extratos, 100 foram ativos. Ent\u00e3o, vamos mapear cada subst\u00e2ncia desses 100 extratos para test\u00e1-las individualmente. J\u00e1 estamos nessa fase do estudo. Dois extratos j\u00e1 se mostraram mais promissores e agora vamos caracterizar todas as suas subst\u00e2ncias&#8221;, explicou Luiz Rosa, pesquisador da UFMG.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m j\u00e1 foi identificada uma subst\u00e2ncia capaz de inibir o v\u00edrus da dengue, conhecida como meleagrina. No entanto, ela n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dita. &#8220;J\u00e1 havia sido observada em fungo marinho e agora n\u00f3s a encontramos em um fungo da ant\u00e1rtica. O problema \u00e9 o seu pre\u00e7o. Apenas 1 miligrama vale US$ 1 mil. Mas pode ser que, de repente, n\u00f3s descobrimos que esse fungo consegue produzi-la em maior quantidade. Ou quem sabe, no futuro, a gente consiga usar essa subst\u00e2ncia como modelo para criar uma mol\u00e9cula sint\u00e9tica que pode gerar um medicamento acess\u00edvel&#8221;, acrescenta Rosa.<\/p>\n<p>O cientista esclarece que o medicamento que buscam n\u00e3o ser\u00e1 necessariamente capaz de eliminar a dengue. Pode ser, por exemplo, um rem\u00e9dio que alivie os sintomas de uma fase aguda ou que ajude a desenvolver uma vacina.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mineiros_antartica.jpg\" alt=\"\" \/><em>Pesquisadores do MycoAntar (Foto: Projeto MycoAntar\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Biodiversidade<\/strong><\/p>\n<p>Com aproximadamente 14 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, a Ant\u00e1rtica \u00e9 territorialmente 1,6 vezes maior que o Brasil e 1,4 vezes maior que os Estados Unidos. Em toda essa extens\u00e3o h\u00e1 uma grande variedade de seres vivos. No entanto, a vida do continente gelado \u00e9 composta de poucos macroorganismos. A maior biodiversidade \u00e9 microbiana, isto \u00e9, composta de bact\u00e9rias, fungos, v\u00edrus, microalgas etc.<\/p>\n<p>O isolamento da Ant\u00e1rtica tamb\u00e9m faz com que muitas dessas esp\u00e9cies tenham caracter\u00edsticas particulares e sejam exclusivas, n\u00e3o existindo em qualquer outra parte do mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Este ano n\u00f3s descrevemos um fungo novo, azul, o que \u00e9 muito raro. Ent\u00e3o estas esp\u00e9cies que existem l\u00e1 podem ter vias metab\u00f3licas \u00fanicas, o que pode levar a descoberta de subst\u00e2ncias in\u00e9ditas&#8221;, esclareceu o pesquisador Luiz Rosa. A nova esp\u00e9cie foi encontrada na neve da Ant\u00e1rtica e foi batizado de Antarctomyces pellizariae.<\/p>\n<p>Os estudos com foco na busca por medicamentos contra a dengue est\u00e3o mais avan\u00e7ados, mas tamb\u00e9m est\u00e1 sendo verificada a atividade das subst\u00e2ncias coletadas para os v\u00edrus da zika e da febre chikungunya, entre outras doen\u00e7as. Luiz Rosa destacou a import\u00e2ncia dos investimentos p\u00fablicos no Mycoantar.<\/p>\n<p>&#8220;As grandes ind\u00fastrias farmac\u00eauticas investem pouco nos estudos com doen\u00e7as restritas aos pa\u00edses tropicais, que s\u00e3o geralmente pa\u00edses subdesenvolvidos. Isso porque pesquisas com essas enfermidades, como a dengue, a zika e a febre chikungunya, d\u00e3o pouco retorno financeiro. Por isso, damos a elas o nome de doen\u00e7as negligenciadas. Entretanto, elas nos afetam. Cabe aos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, como as universidades e a Fiocruz, desenvolverem esses estudos&#8221;, acrescentou o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>O MycoAntar \u00e9 um dos projetos que integram o Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro (Proantar), voltado para explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do continente gelado. Ele existe desde 1982 e \u00e9 desenvolvido a partir do apoio operacional da Marinha e do financiamento do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTI) e de institui\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 pesquisa.<\/p>\n<p>Desde 1982, em todos os anos, uma Opera\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica \u00e9 realizada. Entre outubro e mar\u00e7o, os pesquisadores viajam para o continente gelado em expedi\u00e7\u00f5es com apoio log\u00edstico da Marinha. Em 2016, ocorreu a 35\u00aa Opera\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica. Embora as expedi\u00e7\u00f5es tenham per\u00edodo determinado, os estudos vinculados ao Proantar s\u00e3o ininterruptos e t\u00eam prosseguimento durante todo o ano nos laborat\u00f3rios das institui\u00e7\u00f5es brasileiras participantes.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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