{"id":113070,"date":"2017-04-19T00:38:45","date_gmt":"2017-04-19T02:38:45","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=113070"},"modified":"2017-04-19T00:38:45","modified_gmt":"2017-04-19T02:38:45","slug":"mpf-expede-recomendacao-em-defesa-das-comunidades-tradicionais-do-parque-nacional-das-sempre-vivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=113070","title":{"rendered":"MPF expede recomenda\u00e7\u00e3o em defesa das comunidades tradicionais do Parque Nacional das Sempre-Vivas"},"content":{"rendered":"<p>A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidad\u00e3o (PRDC), \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), em conjunto com o Grupo de Trabalho Povos e Comunidades Tradicionais, da 6\u00aa C\u00e2mara de Coordena\u00e7\u00e3o e Revis\u00e3o do MPF, recomendou ao Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) que adote diversas medidas para garantir \u00e0s comunidades tradicionais que residem no interior e no entorno do Parque Nacional das Sempre-Vivas a continuidade de seus modos tradicionais de criar, fazer e viver.<\/p>\n<p>Entre as medidas, est\u00e1 a elabora\u00e7\u00e3o de termos de compromisso entre o ICMBio, \u00f3rg\u00e3o gestor do parque, e as comunidades tradicionais, bem como o in\u00edcio imediato de todos os estudos necess\u00e1rios para o processo de recategoriza\u00e7\u00e3o da unidade de conserva\u00e7\u00e3o federal.<\/p>\n<p>Os termos de compromisso s\u00e3o instrumentos que t\u00eam por objetivo, conforme prev\u00ea instru\u00e7\u00e3o normativa do ICMBio, compatibilizar os objetivos da unidade de conservac?a?o com as formas pro?prias de ocupac?a?o do territo?rio e de uso dos recursos naturais pela populac?a?o tradicional residente na unidade, e ainda com seus modos de vida, fontes de subsist\u00eancia e locais de moradia.<\/p>\n<p>O Parque Nacional das Sempre-Vivas est\u00e1 localizado na Serra do Espinha\u00e7o, abrangendo \u00e1reas dos munic\u00edpios mineiros de Bocaiuva, Buen\u00f3polis, Diamantina e Olhos d\u00b4\u00c1gua. Ele foi criado em 2002, sobrepondo sua \u00e1rea de 124 mil hectares aos territ\u00f3rios tradicionais de apanhadores de flores sempre-vivas e de comunidades quilombolas que habitam a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas comunidades foram profundamente afetadas com a cria\u00e7\u00e3o do parque nacional devido \u00e0s numerosas restri\u00e7\u00f5es que caracterizam esse tipo de unidade de conserva\u00e7\u00e3o integral. Os costumes e usos tradicionais das comunidades incluem atividades agr\u00edcolas de subsist\u00eancia e o extrativismo de sempre-vivas, atividade que constitu\u00eda sua principal fonte de gera\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>Para o procurador regional dos Direitos do Cidad\u00e3o, Edmundo Antonio Dias, &#8220;a cria\u00e7\u00e3o do Parque Nacional das Sempre Vivas \u00e9 mais um entre tantos exemplos de institui\u00e7\u00e3o de unidade de conserva\u00e7\u00e3o que desconsidera a preexist\u00eancia de povos ou comunidades tradicionais e se sobrep\u00f5e aos seus territ\u00f3rios. N\u00e3o se trata de um fen\u00f4meno casual, mas, ao contr\u00e1rio, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o causal, que \u00e9 justamente o fato de as \u00e1reas ocupadas por comunidades tradicionais serem comumente pelas mesmas preservadas, para que suas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es possam continuar neles vivendo de modo harmonioso, como acontece com os apanhadores de flores sempre-vivas. A atividade que exercem \u00e9 eloquente em sua pr\u00f3pria leveza.&#8221;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sempre_vivas.jpg\" alt=\"\" \/><em>Parque Nacional das Sempre-Vivas (Foto: Felipe Ribeiro\/Associa\u00e7\u00e3o Montanhas do Espinha\u00e7o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Consulta e participa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>O MPF lembra que, embora o artigo 68 do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias reconhe\u00e7a a propriedade definitiva das comunidades quilombolas sobre as terras que ocupam, e os apanhadores de flores sempre-vivas constituam um segmento de comunidades tradicionais, inclusive com representa\u00e7\u00e3o no Conselho Nacional do Povos e Comunidades Tradicionais (Decreto n\u00b0 8.750\/2016, art. 4\u00b0, \u00a72\u00b0, XVII), bem como na Comiss\u00e3o Estadual para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel dos Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais (Decreto Estadual n\u00ba 46.671\/2014), o parque foi criado sem qualquer participa\u00e7\u00e3o das comunidades afetadas.<\/p>\n<p>O MPF recomenda a realiza\u00e7\u00e3o de consulta pr\u00e9via, livre e informada, nos termos da Conven\u00e7\u00e3o n\u00b0 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, \u00e0s comunidades tradicionais atingidas pela cria\u00e7\u00e3o do PARNA Sempre-Vivas, com o objetivo de decidir, inclusive, se deve ser realizada a recategoriza\u00e7\u00e3o da unidade de conserva\u00e7\u00e3o e, em caso positivo, em qual extens\u00e3o ela deve ocorrer.<\/p>\n<p>As comunidades tradicionais tamb\u00e9m devem ser previamente consultadas se tais \u00e1reas devem ser transformadas em Reserva Extrativista (Resex), em outro tipo de unidade de conserva\u00e7\u00e3o de uso sustent\u00e1vel, ou, especialmente \u2013 como foi aprovado pelo Conselho do PARNA Sempre-Vivas, em 26 de junho de 2015 \u2013, em Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (RDS), conforme melhor atenda \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das comunidades tradicionais cujos direitos foram violados pela cria\u00e7\u00e3o do parque.<\/p>\n<p>O MPF ainda ressalta que, no processo de cria\u00e7\u00e3o da unidade, tamb\u00e9m n\u00e3o foram observados dispositivos da Lei 9.985\/2000 e do Decreto n\u00ba 4.340\/2002, que imp\u00f5em ao \u00f3rg\u00e3o executor indicar, de modo claro e em linguagem acess\u00edvel, as implica\u00e7\u00f5es que a cria\u00e7\u00e3o da unidade trar\u00e1 para a popula\u00e7\u00e3o residente no interior e no entorno da unidade proposta.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o destacou tamb\u00e9m que, tanto no processo de constru\u00e7\u00e3o dos termos de compromisso quanto no de recategoriza\u00e7\u00e3o da unidade de conserva\u00e7\u00e3o, dever\u00e1 ser assegurada a participa\u00e7\u00e3o das comunidades para a constru\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o coletiva das decis\u00f5es, inclusive para valida\u00e7\u00e3o das equipes que, pelo ICMBio, trabalhar\u00e3o no processo de constru\u00e7\u00e3o dos termos de compromisso.<\/p>\n<p>\u201cO ICMBio j\u00e1 vinha sinalizando, em mesas de di\u00e1logo realizadas pelo Governo do Estado de Minas Gerais, posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos termos de compromisso, os quais podem de fato funcionar como um primeiro passo para a solu\u00e7\u00e3o desse conflito socioambiental que j\u00e1 perdura por mais de 14 anos. Ocorre que os representantes das comunidades tradicionais entendem, com raz\u00e3o, que a constru\u00e7\u00e3o dos termos de compromisso \u00e9 um processo que pressup\u00f5e a confian\u00e7a rec\u00edproca entre, de um lado, apanhadores de sempre-vivas e comunidades quilombolas e, de outro, representantes do ICMBio. Da\u00ed que essas comunidades tradicionais preferiram n\u00e3o estar presentes \u00e0 \u00faltima reuni\u00e3o da mesa de di\u00e1logo, em 28 de mar\u00e7o deste ano, o que demonstra que, sem sua participa\u00e7\u00e3o na defini\u00e7\u00e3o das equipes do ICMBio que atuar\u00e3o nesse trabalho coletivo, n\u00e3o se alcan\u00e7ar\u00e1 a necess\u00e1ria confian\u00e7a entre os atores desse processo, sem o que n\u00e3o se chegar\u00e1 a um resultado satisfat\u00f3rio para a sociedade e para todos os envolvidos\u201d, afirmou o procurador Edmundo Dias, que participou das primeiras mesas de di\u00e1logo, n\u00e3o tendo comparecido \u00e0 \u00faltima justamente em fun\u00e7\u00e3o da anunciada aus\u00eancia dos representantes das comunidades tradicionais.<\/p>\n<p>Foi recomendada ainda a anula\u00e7\u00e3o dos autos de infra\u00e7\u00e3o e das multas deles decorrentes que tenham sido lavrados com o intuito de coibir as pr\u00e1ticas extrativistas de comunidades tradicionais residentes no interior ou no entorno do parque.<\/p>\n<p>Clique\u00a0<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/mg\/sala-de-imprensa\/docs\/recomendacao-parque-nacional-sempre-vivas.pdf\" target=\"_self\">aqui<\/a>\u00a0para ter acesso \u00e0 \u00edntegra da recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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