{"id":112786,"date":"2017-04-15T21:50:50","date_gmt":"2017-04-15T23:50:50","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=112786"},"modified":"2017-04-15T21:50:50","modified_gmt":"2017-04-15T23:50:50","slug":"risco-de-contrair-febre-amarela-pode-ser-menor-para-quem-ja-teve-dengue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=112786","title":{"rendered":"Risco de contrair febre amarela pode ser menor para quem j\u00e1 teve dengue"},"content":{"rendered":"<p>O paciente que contraiu dengue pode ter menos chance de ser infectado pela febre amarela. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 do consultor cient\u00edfico do Instituto de Tecnologia em Imunobiol\u00f3gicos (Bio-Manguinhos) da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) Reinaldo Menezes. O professor disse que h\u00e1 muitas evid\u00eancias laboratoriais, epidemiol\u00f3gicas e hist\u00f3ricas de que a dengue protege contra a febre amarela. Um estudo feito pela equipe de Menezes mostrou que a viremia (presen\u00e7a de v\u00edrus no sangue) \u00e9 mais baixa nas pessoas que j\u00e1 tiveram dengue.<\/p>\n<p>\u201cEmbora n\u00e3o esteja provado nem eu tenha a certeza, acho que a gente pode falar que \u00e9 muito prov\u00e1vel que a dengue tenha protegido o Rio de Janeiro at\u00e9 agora contra a febre amarela e tamb\u00e9m dos eventos adversos\u201d, disse o professor.<\/p>\n<p>Entre as evid\u00eancias e fatores hist\u00f3ricos, Menezes lembrou a observa\u00e7\u00e3o feita, ap\u00f3s uma epidemia de febre amarela, de um grupo de soldados do interior do Equador que n\u00e3o tiveram dengue e outros da regi\u00e3o costeira que tinham contra\u00eddo a doen\u00e7a. A avalia\u00e7\u00e3o indicou maior incid\u00eancia de febre amarela nos militares da regi\u00e3o sem dengue.<\/p>\n<p>\u201cEstudei bastante isso. Acho que o n\u00famero de evid\u00eancias \u00e9 muito forte mostrando que dengue n\u00e3o evita a febre amarela, mas evita as formas mais graves da doen\u00e7a, pelo menos, diminui muito a incid\u00eancia dessas formas mais graves. Isso dever\u00e1 proteger contra febre amarela e tamb\u00e9m deve proteger contra os eventos adversos da vacina\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>Rea\u00e7\u00f5es adversas<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o professor, ainda n\u00e3o h\u00e1 uma confirma\u00e7\u00e3o de casos de morte em decorr\u00eancia de rea\u00e7\u00f5es adversas nos estados onde est\u00e3o ocorrendo campanhas de vacina\u00e7\u00e3o contra a febre amarela. Os exames ainda est\u00e3o sendo feitos e um deles se refere \u00e0 morte de um homem, no dia 30 de mar\u00e7o, em Silva Jardim, na Baixada Litor\u00e2nea do Rio de Janeiro, para verificar se ele morreu por evento adverso da vacina ou se j\u00e1 tinha a doen\u00e7a antes da imuniza\u00e7\u00e3o. Ainda assim, para o pesquisador, h\u00e1 uma ocorr\u00eancia menor de casos graves em compara\u00e7\u00e3o ao total de imuniza\u00e7\u00f5es realizadas. \u201cEu diria que parece que est\u00e1 havendo um n\u00famero de eventos adversos aqu\u00e9m do esperado.\u201d<\/p>\n<p>O aparecimento da doen\u00e7a viscerotr\u00f3pica, o mais grave efeito adverso \u00e0 vacina, geralmente ocorre ap\u00f3s quatro dias da imuniza\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que o prazo \u00e9 menor. \u201cNa maioria dos casos, a pessoa come\u00e7a a ter sintomas de que alguma coisa anormal est\u00e1 acontecendo al\u00e9m dos sintomas comuns da vacina l\u00e1 pelo quarto dia. A pessoa estava com um pouco de febre, de mal-estar, em vez de melhorar piora e depois continua piorando. Se isso acontecer, tem que tomar cuidado e tem que ficar atento\u201d, alertou Menezes. De acordo com o pesquisador, embora, o paciente possa receber atendimento m\u00e9dico, a confirma\u00e7\u00e3o de que contraiu a doen\u00e7a viscerotr\u00f3pica s\u00f3 pode ser realizada ap\u00f3s a morte. \u201cS\u00f3 se consegue provar quando a pessoa morre, porque tem que encontrar les\u00e3o e o v\u00edrus nas v\u00edsceras. Se n\u00e3o morre, sempre ficar\u00e1 em d\u00favida.\u201d<\/p>\n<p><strong>Projetos<\/strong><\/p>\n<p>O professor informou que est\u00e1 em an\u00e1lise tamb\u00e9m a influ\u00eancia de fatores gen\u00e9ticos no surgimento de eventos adversos como a doen\u00e7a viscerotr\u00f3pica. Por isso, Bio-Manguinhos iniciou um projeto para a cria\u00e7\u00e3o de um\u00a0<em>kit<\/em>\u00a0de diagn\u00f3stico capaz de identificar pessoas que tenham resist\u00eancia \u00e0 vacina da febre amarela. \u201cA ideia \u00e9 ter um\u00a0<em>kit<\/em>\u00a0diagn\u00f3stico que permita fazer um teste, no sangue, talvez em uma gota e verificar se aquela pessoa tem o marcador biol\u00f3gico que o identifica como tendo um risco maior de evento adverso \u00e0 vacina.\u201d<\/p>\n<p>Menezes acrescentou que o projeto de elabora\u00e7\u00e3o do protocolo para criar o\u00a0<em>kit<\/em>\u00a0est\u00e1 em fase inicial e conta com parceria da Universidade Rockefeller, dos Estados Unidos. Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estimar o tempo de conclus\u00e3o da pesquisa. \u201c\u00c9 um estudo em que a gente deposita muita esperan\u00e7a de ter uma maneira de fazer um diagn\u00f3stico, como se fosse o teste do pezinho. A ideia \u00e9: a pessoa vai ao posto de sa\u00fade pela primeira vez para fazer a primeira a vacina e faz o teste. Se der positivo para fator de risco, j\u00e1 fica registrado como contraindica\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina.\u201d<\/p>\n<p>Em outra frente, Bio-Manguinhos est\u00e1 ampliando a pesquisa realizada em 2009 com cerca de 900 militares volunt\u00e1rios que receberam doses reduzidas da vacina. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 verificar a situa\u00e7\u00e3o atual deles. Cerca de mil pesquisadores est\u00e3o em campo para essa observa\u00e7\u00e3o. \u201cEsse estudo foi h\u00e1 oito anos. Estamos chamando outra vez esses volunt\u00e1rios para ver se continuam imunes. Essa \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 faltando. Depois temos que fazer em crian\u00e7as. \u201dO estudo est\u00e1 sendo financiado por interm\u00e9dio da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Outra pesquisa \u00e9 um estudo gen\u00e9tico em pessoas que tiveram eventos adversos para verificar se elas t\u00eam algo diferente. \u201cInicialmente, a ideia \u00e9 procurar as pessoas que j\u00e1 tiveram para a gente poder fazer a investiga\u00e7\u00e3o com mais tranquilidade.\u201d<\/p>\n<p><strong>Fracionamento da vacina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Quanto \u00e0 possibilidade de fracionamento da vacina da febre amarela, que chegou a ser analisada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o professor disse que seria uma medida para atender \u00e0 demanda maior que a oferta. Segundo Menezes, no primeiro trimestre do ano, a Bio-Manguinhos entregou cerca de 20 milh\u00f5es de doses da vacina, mas chega uma hora em que h\u00e1 descompasso entre produ\u00e7\u00e3o e demanda. Por isso, se pensa em fazer a dose \u00fanica ou o fracionamento da vacina. \u201cCom a dose fracionada, a gente pode multiplicar por cinco o n\u00famero de doses. Se a gente tem 5 milh\u00f5es de doses, pode transformar em 25 milh\u00f5es\u201d, disse, lembrando que os estudos do fracionamento na \u00c1frica foram realizados no Bio-Manguinhos, segundo ele, o maior produtor mundial de vacinas contra a febre amarela.<\/p>\n<p>Como exemplo da necessidade do fracionamento ou da dose \u00fanica, o pesquisador citou o surto que come\u00e7ou em Angola em 2015 e depois alcan\u00e7ou a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo no ano seguinte. Nestes casos, o Bio-Manguinhos sugeriu a dose \u00fanica e o resultado foi positivo.\u201cTinha que vacinar rapidamente a popula\u00e7\u00e3o porque a febre amarela urbana avan\u00e7a de pessoa a pessoa\u201d, destacou, ao acrescentar que a situa\u00e7\u00e3o da \u00c1frica deve ter contribu\u00eddo para a OMS tamb\u00e9m recomendar a dose \u00fanica da vacina.<\/p>\n<p>Segundo Menezes, no caso de fracionamento, h\u00e1 estudos que mostram imunidade at\u00e9 um ano depois da aplica\u00e7\u00e3o da vacina. Mas \u00e9 preciso avan\u00e7ar nas pesquisas para verificar se continua 20 anos depois. \u201cS\u00f3 o tempo vai nos permitir dar resposta a isso. Acompanhando as pessoas, coletando o sangue e vendo o n\u00edvel de anticorpos. \u00c9 o que estamos fazendo neste momento. O nosso estudo foi em 2009. Para 2017 s\u00e3o oito anos. Estamos chamando os volunt\u00e1rios e coletando o sangue.&#8221;<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. Clique em curtir no endere\u00e7o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aconteceunovale\" target=\"_blank\"><font color=\"red\">www.facebook.com\/aconteceunovale<\/font><\/a> ou no box abaixo:<\/strong><\/p>\n<div class=\"fb-like\" data-href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aconteceunovale\" data-width=\"120\" data-layout=\"standard\" data-action=\"like\" data-size=\"small\" data-show-faces=\"true\" data-share=\"true\"><\/div>\n<p><\/br><\/p>\n<p><em>(Fonte: Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O paciente que contraiu dengue pode ter menos chance de ser infectado pela febre amarela. 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