{"id":109977,"date":"2017-03-08T10:45:46","date_gmt":"2017-03-08T12:45:46","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=109977"},"modified":"2017-03-08T10:45:46","modified_gmt":"2017-03-08T12:45:46","slug":"dia-internacional-da-mulher-tera-greve-feminina-em-diversos-paises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=109977","title":{"rendered":"Dia Internacional da Mulher ter\u00e1 greve feminina em diversos pa\u00edses"},"content":{"rendered":"<p>O Dia Internacional da Mulher, lembrado hoje (8), dever\u00e1 ser marcado por paralisa\u00e7\u00f5es de mulheres em pelo menos 30 pa\u00edses. A ideia \u00e9 fazer uma greve geral, para refor\u00e7ar a import\u00e2ncia do papel das mulheres no mercado de trabalho e na sociedade.<\/p>\n<p>A ideia do protesto veio do movimento de mulheres argentinas Ni Una Menos. Em 19 de outubro do ano passado, elas foram \u00e0s ruas e paralisaram as atividades para protestar contra os 200 assassinatos anuais no pa\u00eds em decorr\u00eancia de viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>No Brasil, movimentos feministas programaram protestos para hoje em todos os estados, mas a greve prevista para outros pa\u00edses deve ser mais dif\u00edcil de se concretizar por aqui, por causa das dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es de trabalho enfrentadas pelas brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cUma coisa \u00e9 organizar uma greve em um pa\u00eds que tem quase pleno emprego, outra coisa s\u00e3o as mulheres aqui no Brasil, completamente precarizadas \u2013 a maior parte empregada no servi\u00e7o dom\u00e9stico, aut\u00f4nomas, completamente sem prote\u00e7\u00e3o \u2013 dizerem que v\u00e3o parar\u201d, admite Maria Fernanda Marcelino, integrante da Sempreviva Organiza\u00e7\u00e3o Feminista e militante da Marcha Mundial das Mulheres.<\/p>\n<p>Para as que n\u00e3o puderem parar suas atividades, as organiza\u00e7\u00f5es feministas incentivam o protesto de outras maneiras \u2013 usando uma roupa roxa ou fazendo manifesta\u00e7\u00f5es no pr\u00f3prio local de trabalho. \u201cO importante \u00e9 identificar que estamos em luta, independentemente de podermos parar ou fazer greve. Sabemos que nem todo mundo pode parar, ainda mais diante de um cen\u00e1rio de desemprego no Brasil\u201d, diz Fernanda Sab\u00f3ia, da Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Brasileiras.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que as interven\u00e7\u00f5es sejam postadas em redes sociais, com as hashtags #8MBR, #EuParo e #ParadaBrasileiraDeMulheres.<\/p>\n<p>Para a assessora t\u00e9cnica do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Joluzia Batista, as manifesta\u00e7\u00f5es mais simb\u00f3licas tamb\u00e9m devem ser valorizadas. \u201c\u00c9 uma forma de as mulheres que est\u00e3o mais impossibilitadas, com hor\u00e1rios mais r\u00edgidos, poderem se manifestar tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p><strong>Reforma da Previd\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, a principal pauta das manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 a proposta de reforma da Previd\u00eancia apresentada pelo governo federal. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que as mulheres ser\u00e3o as mais prejudicadas com a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cSe essa reforma da Previd\u00eancia passar, as mais atingidas, que padecer\u00e3o com o empobrecimento rapidamente ser\u00e3o as mulheres, pela equipara\u00e7\u00e3o do tempo de aposentadoria com os homens, desconsiderando a dupla jornada de trabalho, toda a precariedade que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho formal\u201d, diz Maria Fernanda.<\/p>\n<p>As mulheres tamb\u00e9m querem chamar a aten\u00e7\u00e3o para temas como racismo, aborto e viol\u00eancia contra as mulheres. Apesar dos temas em comum que ser\u00e3o abordados em todo o pa\u00eds, cada estado se organizou de acordo com as suas prioridades. \u201cAcreditamos na for\u00e7a do movimento feminista de construir as pautas em cada estado, em cada cidade, as mulheres tem organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e sabem muito bem o que est\u00e1 afetando as suas vidas\u201d, explica Fernanda Sab\u00f3ia.<\/p>\n<p><strong>Dia de Luta<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO 8 de mar\u00e7o n\u00e3o \u00e9 dia de flor, \u00e9 um dia de luta\u201d, ressalta Maria Fernanda. \u201cAinda continuamos trabalhando muito mais que os homens e sendo completamente desvalorizadas, sofrendo viol\u00eancia, e tantas quest\u00f5es que precisamos inverter.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da mulher no mercado de trabalho, o movimento quer conscientizar a sociedade para todos os problemas enfrentados pelas mulheres.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres est\u00e3o sobrecarregadas, seja do trabalho remunerado, como o n\u00e3o remunerado, porque n\u00f3s somos donas de casa, m\u00e3es, trabalhamos fora. Somos 52% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, ent\u00e3o a nossa situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 \u00e0 margem da sociedade, v\u00edtimas de tanta viol\u00eancia\u201d, diz Fernanda Sab\u00f3ia.<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Uma das organizadoras do protesto no Rio de Janeiro, Tatianny Ara\u00fajo, teme que a proposta de reforma da Previd\u00eancia sobrecarregue mais as mulheres, que se ressentem da falta de uma s\u00e9rie de servi\u00e7os p\u00fablicos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos lavanderias p\u00fablicas, restaurantes p\u00fablicos, sequer temos creches. O nosso trabalho dentro de casa n\u00e3o \u00e9 reconhecido, n\u00e3o \u00e9 remunerado, mas \u00e9 trabalho\u201d, afirmou Tatianny, que \u00e9 servidora federal e representante do F\u00f3rum de Sa\u00fade P\u00fablica do Rio.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica e Aplicada (Ipea), mulheres ganham menos que os homens, na mesma fun\u00e7\u00e3o e mesmo que tenham mais anos de estudo.<\/p>\n<p>Maysa Carvalhal, da Marcha Mundial de Mulheres, destaca que elas t\u00eam os piores sal\u00e1rios, ou s\u00e3o subremuneradas, e que muitas trabalham sem carteira assinada. \u201cE [est\u00e3o] fora dos espa\u00e7os de decis\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>As feministas rebatem o argumento de que, nos pa\u00edses mais desenvolvidos, a contribui\u00e7\u00e3o para a Previd\u00eancia \u00e9 a mesma para homens e mulheres, dizendo que, l\u00e1, as desigualdades de g\u00eanero s\u00e3o menores e que h\u00e1 b\u00f4nus para compensar o servi\u00e7o dom\u00e9stico, o que n\u00e3o ocorre no Brasil.<\/p>\n<p>Est\u00e3o previstas manifesta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza e Curitiba.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>A historiadora Tania Navarro Swain compara a mobiliza\u00e7\u00e3o desta quarta-feira com um fato ocorrido em 1975 na Isl\u00e2ndia, quando mais de 90% das mulheres paralisaram suas atividades para exigir o reconhecimento de seu trabalho.<\/p>\n<p>\u201cE deu resultado, com a equipara\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios logo em seguida e a Presid\u00eancia do pa\u00eds assumida por uma mulher nas elei\u00e7\u00f5es posteriores. N\u00e3o se pode esperar que, em todos os pa\u00edses, a mobiliza\u00e7\u00e3o seja t\u00e3o poderosa, mas espero que seja espetacular, trazendo milh\u00f5es de mulheres \u00e0s ruas para mostrar e exigir uma cidadania que at\u00e9 agora tem sido esgar\u00e7ada em uma pluralidade de aspectos\u201d, diz a professora aposentada da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e editora da revista digital de estudos feministas Labrys. <\/p>\n<p>O movimento no Brasil vai se unir a grupos internacionais como Ni Una Menos, da Argentina, a Marcha das Mulheres de Washington, nos Estados Unidos e as Marchas contra a criminaliza\u00e7\u00e3o do Aborto, na Pol\u00f4nia. A ideia do protesto surgiu com o movimento de mulheres argentinas, em outubro do ano passado, e a organiza\u00e7\u00e3o de mulheres polonesas que, no mesmo m\u00eas, foram \u00e0s ruas contra uma lei que proibia o aborto e que foi rejeitada ap\u00f3s a press\u00e3o popular.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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