{"id":109966,"date":"2017-03-08T01:39:29","date_gmt":"2017-03-08T03:39:29","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=109966"},"modified":"2017-03-08T01:39:29","modified_gmt":"2017-03-08T03:39:29","slug":"acordo-com-governo-de-minas-pode-evitar-despejo-nas-ocupacoes-do-izidora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=109966","title":{"rendered":"Acordo com governo de Minas pode evitar despejo nas ocupa\u00e7\u00f5es do Izidora"},"content":{"rendered":"<p>As fam\u00edlias das ocupa\u00e7\u00f5es Rosa Le\u00e3o, Vit\u00f3ria e Esperan\u00e7a, conhecida como Izidora, que fica na regi\u00e3o de Belo Horizonte, avaliam uma proposta de acordo do governo de Minas Gerais que pode colocar fim ao risco de despejo. As comunidades devem responder at\u00e9 o dia 21 de mar\u00e7o. A reintegra\u00e7\u00e3o de posse est\u00e1 autorizada pelo Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais (TJMG) desde setembro do ano passado, em decis\u00e3o que\u00a0provocou revolta dos moradores.<\/p>\n<p>Segundo a proposta, o governo de Minas Gerais e a prefeitura de Belo Horizonte implantariam o Projeto Vila Viva, voltado para a urbaniza\u00e7\u00e3o de vilas e favelas. As fam\u00edlias das ocupa\u00e7\u00f5es seriam cadastradas para regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Seriam regularizadas parte da ocupa\u00e7\u00e3o Vit\u00f3ria e a totalidade das ocupa\u00e7\u00f5es Esperan\u00e7a e Rosa Le\u00e3o.<\/p>\n<p>O acordo prev\u00ea obras para instala\u00e7\u00e3o de rede de saneamento e equipamentos p\u00fablicos, pavimenta\u00e7\u00e3o das ruas e constru\u00e7\u00e3o de unidades m\u00e9dicas. As interven\u00e7\u00f5es ocorreriam em di\u00e1logo com as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Por outro lado, a comunidade seria respons\u00e1vel por desocupar uma parte da ocupa\u00e7\u00e3o Vit\u00f3ria. A \u00e1rea seria destinada ao Programa Minha Casa, Minha Vida, com a constru\u00e7\u00e3o de 4.748 unidades habitacionais, sendo priorizada a contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra entre as pessoas que moram no local.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/ocupacao_izidora.jpg\" alt=\"\" \/><em>Ocupa\u00e7\u00e3o Izidora (Foto: Frederico Haikal\/Jornal Hoje em Dia)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>D\u00favidas<\/strong><\/p>\n<p>As fam\u00edlias v\u00eam realizando reuni\u00f5es peri\u00f3dicas para discutir a proposta apresentada e apresentaram diversas d\u00favidas. &#8220;H\u00e1 uma s\u00e9ria de quest\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o transparentes o suficiente e que demandam esclarecimento&#8221;, diz a cientista pol\u00edtica Bella Gon\u00e7alves, ativista das Brigadas Populares, organiza\u00e7\u00e3o que vem dando suporte aos moradores. Ela acha curto o prazo de 21 de mar\u00e7o para se chegar a um consenso e espera que a proposta seja melhorada em alguns pontos.<\/p>\n<p>Entre as quest\u00f5es que podem gerar dificuldades na aceita\u00e7\u00e3o da proposta, est\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de reassentamento. Segundo Bella, a remo\u00e7\u00e3o atingiria 60% da ocupa\u00e7\u00e3o Vit\u00f3ria e as fam\u00edlias que vivem nesse local receberiam um aux\u00edlio de R$ 500 mensais at\u00e9 que o empreendimento do Minha Casa, Minha Vida fique pronto e permita o reassentamento.<\/p>\n<p>A cientista pol\u00edtica entende que o valor \u00e9 insuficiente para o pagamento do aluguel de novas resid\u00eancias e diz que a realidade das fam\u00edlias \u00e9 diversificada. &#8220;Esse \u00e9 um dos pontos que precisamos esclarecer. N\u00f3s temos fam\u00edlias de duas pessoas e fam\u00edlias de dez. Ser\u00e3o os mesmos R$ 500 em ambos os casos?&#8221;<\/p>\n<p>Bella diz ainda que existe resist\u00eancia por parte de alguns moradores em deixar uma casa j\u00e1 constru\u00edda para morar em um apartamento de aproximadamente 40 metros quadrados, em pr\u00e9dios de oito andares sem elevador, como costumam ser os empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida. &#8220;O ideal \u00e9 que o poder p\u00fablico pudesse oferecer outras possibilidades de assentamento e n\u00e3o apenas atrav\u00e9s do Minha Casa, Minha Vida&#8221;, sugere.<\/p>\n<p>As d\u00favidas levantadas at\u00e9 o momento foram reunidas em um documento e apresentadas ao governo mineiro. Os representantes dos moradores tamb\u00e9m pediram garantias de que a lei que regulamenta a Opera\u00e7\u00e3o Urbana na regi\u00e3o do Izidora ser\u00e1 revista, uma vez que parte da \u00e1rea das ocupa\u00e7\u00f5es est\u00e1 definida como ambiental e n\u00e3o edificante.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>As ocupa\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o do Izidora tiveram in\u00edcio em 2013. Cerca de 8 mil fam\u00edlias vivem no local. S\u00e3o mais de 30 mil pessoas, segundo estimativas dos ocupantes. O terreno tem 933 hectares (um hectare tem uma \u00e1rea equivalente \u00e0 de um campo de futebol) e abrange propriedades do munic\u00edpio e de particulares. A destina\u00e7\u00e3o de parte dessa \u00e1rea para programas habitacionais era previsto pelo Minha Casa, Minha Vida.<\/p>\n<p>Os moradores sempre se disseram dispostos a resistir em caso de um eventual despejo. A urbaniza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea \u00e9 tamb\u00e9m um pleito antigo das fam\u00edlias. &#8220;J\u00e1 se encontram consolidadas mais de 5 mil casas constru\u00eddas. S\u00e3o sonhos constru\u00eddos. N\u00e3o temos alternativa de moradia. Ningu\u00e9m quer voltar a morar na rua. Derrubar casas para construir novas casas \u00e9 insano. \u00c9 inclusive mais econ\u00f4mico para o poder p\u00fablico urbanizar essa \u00e1rea&#8221;, disse Charlene Eg\u00eddio, educadora popular e moradora da ocupa\u00e7\u00e3o Rosa Le\u00e3o, durante um ato nas ocupa\u00e7\u00f5es em novembro do ano passado.<\/p>\n<p>Em nota, o governo mineiro descartou qualquer a\u00e7\u00e3o de despejo \u00e0 for\u00e7a e informou que aposta no di\u00e1logo como solu\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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