{"id":109840,"date":"2017-03-05T07:49:09","date_gmt":"2017-03-05T09:49:09","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=109840"},"modified":"2017-03-05T07:49:09","modified_gmt":"2017-03-05T09:49:09","slug":"viver-e-morrer-lidando-com-o-luto-superar-nao-e-esquecer-e-aceitar-e-continuar-a-viver-coluna-nilberto-antonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=109840","title":{"rendered":"Viver e morrer, lidando com o luto: Superar n\u00e3o \u00e9 esquecer, \u00e9 aceitar e continuar a viver &#8211; Coluna Nilberto Ant\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<p>Prezado leitor!<\/p>\n<p>Em um texto publicado anteriormente (Qual sentido da vida? Voc\u00ea tem se questionado sobre isso) questionei sobre o sentido da vida. Hoje irei discutir um pouco, sobre o que para muitos \u00e9 o oposto a vida, \u00e0 morte e o processo de luto. A morte \u00e9 um processo \u2018natural\u2019 que est\u00e1 presente na vida de todos n\u00f3s, para alguns mais cedo, para outros, de modo mais tr\u00e1gico, e para os privilegiados, de forma a corresponder com os grandes ciclos naturais da vida. Embora parte da vida, a morte \u00e9 vista em nossa sociedade como algo a ser evitado, postergado, como se morrer fosse advers\u00e1rio do processo de viver.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o se baseia em tr\u00eas princ\u00edpios. Primeiramente, quando se est\u00e1 na vida, \u00e9 preciso encontrar for\u00e7as para lutar por ela e a morte elimina qualquer possibilidade de continuidade dentro da mesma perspectiva de antes. Pode-se falar, \u00e9 claro, da continuidade espiritual, da preval\u00eancia das mem\u00f3rias que mant\u00eam viva uma pessoa que se foi. Mas o fato \u00e9 que a morte interrompe um processo, modificando as possibilidades e os rumos dos envolvidos. Por isso, a batalha entre puls\u00e3o de vida e puls\u00e3o de morte, coloca muitas vezes as duas em extremidades opostas, apesar da morte estar contida na vida e esta naquela.<\/p>\n<p>O segundo ponto que nos faz temer a morte \u00e9 o que vem depois dela. De todas as transforma\u00e7\u00f5es, a morte \u00e9 a mais definitiva e profunda. Se h\u00e1 vida depois da morte&#8230; eis uma quest\u00e3o de foro \u00edntimo, uma quest\u00e3o de f\u00e9 e de percep\u00e7\u00e3o de vida. Da perspectiva da Terra, pura e simples, o que h\u00e1 na morte \u00e9 a saudade e o encerramento de uma hist\u00f3ria. Se esse encerramento \u00e9 uma passagem para um mundo diferente do nosso, nem todos conseguem se agarrar a essa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>O \u00faltimo elemento que nos faz ter repulsa \u00e0 ideia da morte \u00e9 a dor. Em qualquer l\u00edngua, em qualquer \u00e9poca, em qualquer hist\u00f3ria, dor \u00e9 dor, e requer muito treino, paci\u00eancia e aceita\u00e7\u00e3o para se tornar construtiva em nossa trajet\u00f3ria. A dor \u00e9 uma viol\u00eancia para a alma e nos tira do patamar de compreens\u00e3o que t\u00ednhamos at\u00e9 ent\u00e3o para nos lan\u00e7ar ao estado do limbo, no qual n\u00e3o se pertence a mundo nenhum, pois a conex\u00e3o com a realidade fica fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>Quando se perde algu\u00e9m violentamente, de modo repentino ou inesperado, quem fica permanece nesse limbo por um tempo indeterminado. \u00c9 comum pessoas em processo de luto serem tomadas por um estado de tristeza profunda, sem vontades. Uma parte continua vivendo, pois entende ser necess\u00e1rio, mas a outra n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1. A alma fica dividida e constantemente, o enlutado sente que morreu tamb\u00e9m e que sua hist\u00f3ria nunca mais ser\u00e1 a mesma. De fato, nunca mais ser\u00e1, pois a morte marca a alma. Entretanto, estamos na vida para sermos transformados a partir das experi\u00eancias que o acaso (ser\u00e1?) nos prop\u00f5e. A supera\u00e7\u00e3o s\u00f3 se d\u00e1 a partir de um longo processo e ela n\u00e3o significa esquecer, fingir que n\u00e3o aconteceu ou ainda n\u00e3o sentir dor quando lembrar. Superar significa apenas aceitar e continuar.<\/p>\n<p>Mas como aceitar algo que n\u00e3o faz sentido? Algo que n\u00e3o vem com avisos, que n\u00e3o parece ter um por qu\u00ea dentro da l\u00f3gica do merecimento? Como aceitar a morte de algu\u00e9m bom, que tinha uma vida enorme pela frente? E que o destino levou em segundos, sem nos ter orientado para aquele momento? Como continuar sem ter mais vontade de viver, sem ter um sentido que nos norteie?<\/p>\n<p>Conforme a estudiosa Elizabeth Kluber-Ross, autora de v\u00e1rios livros sobre o tema, diante do luto pela perda de algu\u00e9m qualquer ser humano passa por cinco est\u00e1gios: nega\u00e7\u00e3o, raiva, barganha, depress\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o. Esses est\u00e1gios n\u00e3o necessariamente s\u00e3o subsequentes, podendo estar misturados e serem vividos ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Negar \u00e9 n\u00e3o poder ver e usar recursos para afastar a realidade que d\u00f3i. Entre esses recursos temos uma infinidade de a\u00e7\u00f5es: acreditar que o morto ainda voltar\u00e1, manter todos os objetos dele intactos, como se o esperasse voltar, ou ainda negar a dor da situa\u00e7\u00e3o, indo se divertir de modo desproporcional ao que o momento pediria, ou entregando-se a algum v\u00edcio. <\/p>\n<p>Ter raiva \u00e9 querer culpar algu\u00e9m. \u00c9 procurar um respons\u00e1vel pela dor, \u00e9 pensar que poderia ter sido diferente se o fulano n\u00e3o tivesse errado nisso, se o m\u00e9dico tivesse tentado aquilo, se a pessoa que ficou tivesse chegado minutos antes&#8230; A raiva n\u00e3o permite encarar o processo como algo que fugiu do controle, ela \u00e9 necess\u00e1ria para descarregar, mas \u00e9 um esfor\u00e7o quase v\u00e3o que nos liga ao passado.<\/p>\n<p>Barganhar \u00e9 tentar negociar com o destino. Fazer promessa, magia. Esses recursos s\u00e3o importantes, mas ainda demonstram uma liga\u00e7\u00e3o com um passado que n\u00e3o se quer deixar ir. <\/p>\n<p>A depress\u00e3o \u00e9 o \u00faltimo est\u00e1gio antes da aceita\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 por acaso. Quem se deprime est\u00e1 mais perto de ver as coisas como elas s\u00e3o e compreender o que a morte causou. O perigo desse est\u00e1gio \u00e9 o tempo de perman\u00eancia, pois longos per\u00edodos de perman\u00eancia podem causar s\u00e9rios impactos vida do sujeito. <\/p>\n<p>Finalmente, a aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo que nos torna capazes de ver, tocar, falar sobre a morte e ao mesmo tempo, deix\u00e1-la ir para onde tiver que ir, longe de nossos dom\u00ednios, de nosso controle racional. Deixar ir n\u00e3o significa esquecer, tampouco n\u00e3o sofrer nunca mais. Deixar ir \u00e9 fazer as pazes com o tempo, com novas chances para quem ficou, com a \u00fanica certeza de que absolutamente tudo muda e que \u00e9 preciso se transformar junto com a vida e com a morte.<\/p>\n<h4><strong>Nilberto Ant\u00f4nio<\/strong><\/h4>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/nilberto_antonio.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Nilberto Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves, psic\u00f3logo cl\u00ednico com \u00eanfase em atendimento de crian\u00e7as especiais. Trabalha com Orienta\u00e7\u00e3o Profissional. Psic\u00f3logo do Projeto Responsabilidade na Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia &#8211; RIA do Centro Social Mali Martin. Atua voluntariamente na Associa\u00e7\u00e3o Amar e Renascer &#8211; Aamar (Institui\u00e7\u00e3o para tratamento de dependentes qu\u00edmicos) de Itamarandiba.<\/p>\n<p>Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/nilberto.antonio\" target=\"_blank\">Nilberto Ant\u00f4nio<\/a><br \/>\nInstagram: @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nilberto_antonio\/\" target=\"_blank\">nilberto_antonio<\/a><br \/>\nE-mail: nilbertog@ymail.com ou nilbertoantonio@bol.com.br<br \/>\nTelefone: (38) 9 9139-6023<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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