{"id":108455,"date":"2017-02-06T15:22:00","date_gmt":"2017-02-06T17:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=108455"},"modified":"2017-02-06T15:22:08","modified_gmt":"2017-02-06T17:22:08","slug":"filhos-de-pais-separados-como-lidar-com-essa-situacao-coluna-nilberto-antonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=108455","title":{"rendered":"Filhos de pais separados: como lidar com essa situa\u00e7\u00e3o? &#8211; Nilberto Ant\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<p>Quando um casal constitui fam\u00edlia, os filhos tendem a ser um projeto comum a ambos. Sejam planejados ou n\u00e3o, a presen\u00e7a deles \u00e9 o que existe de mais permanente entre duas pessoas. Mesmo que os pais se separem, continuam sendo pais. A rela\u00e7\u00e3o pode chegar ao fim, mas a rela\u00e7\u00e3o de parentalidade n\u00e3o. Cabe esclarecer que o conceito de parentalidade vem sendo utilizado para descrever o conjunto de atividades desempenhadas pelos adultos de refer\u00eancia da crian\u00e7a no seu papel de assegurar a sua sobreviv\u00eancia e o seu desenvolvimento f\u00edsico, social e ps\u00edquico saud\u00e1vel. <\/p>\n<p> No entanto, com o fracasso da rela\u00e7\u00e3o do casal, e toda dor que isso representa, o lugar dos filhos fica redimensionado. Como compartilhar um projeto comum de paternidade diante das dificuldades da dupla m\u00e3e e pai? Muitos pais se questionam se poder\u00e3o continuar sendo bons pais de filhos de pessoas com quem n\u00e3o t\u00eam mais di\u00e1logo, por exemplo. Os filhos podem aparecer como uma constante lembran\u00e7a das dificuldades. Lembran\u00e7a de sonhos que n\u00e3o vingaram, ou simplesmente do pr\u00f3prio c\u00f4njuge (\u201cele \u00e9 a cara do pai\u201d, ou \u201ctem o g\u00eanio ruim da m\u00e3e\u201d, etc). A dor da separa\u00e7\u00e3o, do fim de um projeto de vida comum, a sensa\u00e7\u00e3o de fracasso, o fim da idealiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es eternas, toda essa experi\u00eancia tende a ser uma das mais dolorosas na vida adulta. Assemelha-se ao luto por perda de um ente querido e requer um tempo vari\u00e1vel para ser elaborado. <\/p>\n<p>A experi\u00eancia da crian\u00e7a e do adolescente \u00e9 muito espec\u00edfica. Sentimentos fortes e amb\u00edguos podem aparecem num misto de raiva, culpa e medo. Raiva pelo fracasso dos pais a quem eles n\u00e3o se acham capazes de superar como modelo, culpa por desejos inconscientes de ter cada pai s\u00f3 para si (do ci\u00fame natural que se sente do casal), medo das transforma\u00e7\u00f5es que essa situa\u00e7\u00e3o acarretar\u00e1 (\u201cquem vai morar com quem?\u201d, \u201cterei madastra\/padastro?\u201d, \u201ccomo ser\u00e1 minha rotina?\u201d, \u201cverei meus pais tanto quanto antes?\u201d, etc) e, eventualmente, sentir\u00e3o al\u00edvio quando a situa\u00e7\u00e3o se mostrava perigosa ou violenta. Mas mesmo o fim de uma situa\u00e7\u00e3o ruim \u00e9 causadora de ansiedade por ter rumos desconhecidos. Como podemos evitar que os filhos sofram al\u00e9m do necess\u00e1rio numa situa\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 muito dolorosa? <\/p>\n<p>Primeiro, tendo em mente que antes de serem filhos de fulano e sicrana eles s\u00e3o pessoas \u00fanicas e incompar\u00e1veis. Coloc\u00e1-los para arbitrar desaven\u00e7as, julgando quem est\u00e1 certo e quem est\u00e1 errado, fazer compara\u00e7\u00f5es depreciativas com um dos pais, us\u00e1-los como pombos-correio ou espi\u00f5es s\u00e3o formas de abuso psicol\u00f3gico. Por qu\u00ea? Porque ao sucumbir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de descarregar as raivas e frustra\u00e7\u00f5es neles, usando-os, esse pai, essa m\u00e3e estar\u00e1 saindo da sua posi\u00e7\u00e3o de figura paterna\/materna, que tem por fun\u00e7\u00f5es principais proteger e cuidar, e estar\u00e1 fazendo dos filhos meros objetos. <\/p>\n<p>O grande problema \u00e9 usar os filhos como objetos para tentar atingir o ex-c\u00f4njuge de algum modo \u00e9 que durante um tempo eles podem, por pena de si ou dos pais, acabar tomando partido, mas ao longo dos anos e com o afastamento da situa\u00e7\u00e3o, tendem a ver e ter seus pr\u00f3prios julgamentos. A manipula\u00e7\u00e3o das opini\u00f5es dos filhos pode ser feita enquanto s\u00e3o pequenos e influenci\u00e1veis, mas tende a se voltar contra quem os influenciou, quando eles percebem que foram usados. Mesmo que um dos pais tenha raz\u00e3o diante de uma disputa, o fato de n\u00e3o terem protegido os filhos da mesma faz com que, muitas vezes, as crian\u00e7as se revoltem. Al\u00e9m disso, faz-se necess\u00e1rio esclarecer que ao fazer do filho um objeto para atingir o ex-c\u00f4njuge, manipulando-o para que o filho se afaste do mesmo, pode incorrer no que chamamos de Aliena\u00e7\u00e3o Parental. Esta pr\u00e1tica \u00e9 tipificada como crime pela Lei 12.318 de agosto de 2010. Portanto, pass\u00edvel de puni\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Contudo, o drama da separa\u00e7\u00e3o pode ser amenizado se os filhos forem percebidos como pessoas que n\u00e3o podem escolher entre os pais sem sofrer danos com isso. O ser humano tem capacidade de enfrentar imensos desafios e sair engrandecido dessas experi\u00eancias. Foi-se o tempo que o filho de pais separados era crian\u00e7a problema, mesmo porque hoje em dia isto \u00e9 mais do que comum. No entanto, situa\u00e7\u00f5es de crise revelam a natureza das rela\u00e7\u00f5es dentro de uma fam\u00edlia, em que come\u00e7am a aparecer as rupturas que antes podiam passar desapercebidas. Se os pais n\u00e3o est\u00e3o conseguindo manter suas dificuldades no \u00e2mbito do casal, podem a qualquer momento procurar ajuda especializada, poupando os filhos de um sofrimento a mais. Separa\u00e7\u00f5es envolvendo filhos s\u00e3o dram\u00e1ticas, mas n\u00e3o necessariamente traum\u00e1ticas. A fam\u00edlia dos an\u00fancios de margarina n\u00e3o existe. A constru\u00e7\u00e3o do grupo familiar demanda tempo e enorme dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Nilberto Ant\u00f4nio<\/strong><\/h4>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/nilberto_antonio.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Nilberto Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves, psic\u00f3logo cl\u00ednico com \u00eanfase em atendimento de crian\u00e7as especiais. Trabalha com Orienta\u00e7\u00e3o Profissional. Psic\u00f3logo do Projeto Responsabilidade na Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia &#8211; RIA do Centro Social Mali Martin. Atua voluntariamente na Associa\u00e7\u00e3o Amar e Renascer &#8211; Aamar (Institui\u00e7\u00e3o para tratamento de dependentes qu\u00edmicos) de Itamarandiba.<\/p>\n<p>Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/nilberto.antonio\" target=\"_blank\">Nilberto Ant\u00f4nio<\/a><br \/>\nInstagram: @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nilberto_antonio\/\" target=\"_blank\">nilberto_antonio<\/a><br \/>\nE-mail: nilbertog@ymail.com ou nilbertoantonio@bol.com.br<br \/>\nTelefone: (38) 9 9139-6023<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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