{"id":107528,"date":"2017-01-23T22:38:48","date_gmt":"2017-01-24T00:38:48","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=107528"},"modified":"2017-01-23T22:46:24","modified_gmt":"2017-01-24T00:46:24","slug":"as-maiores-vitimas-da-febre-amarela-sao-os-primatas-diz-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=107528","title":{"rendered":"\u201cAs maiores v\u00edtimas da febre amarela s\u00e3o os primatas\u201d, diz pesquisador"},"content":{"rendered":"<p>O surto de febre amarela em Minas Gerais tem preocupado as autoridades p\u00fablicas de sa\u00fade, a popula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m os pesquisadores que estudam as esp\u00e9cies de primatas catalogadas nos trechos de Mata Atl\u00e2ntica no Leste do estado.<\/p>\n<p>Mesmo sendo considerado pela Secretaria Estadual de Sa\u00fade de Minas Gerais o maior surto de febre amarela j\u00e1 registrado no estado, o professor e doutor em ecologia, S\u00e9rgio Lucena Mendes, acredita os mais afetados pela doen\u00e7a s\u00e3o os macacos barbados, ou esp\u00e9cie Alouatta, como s\u00e3o conhecidos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os dias 17 e 20 deste m\u00eas, o professor e a pesquisadora americana, Karen Strer, estiveram na reserva ecol\u00f3gica Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga, para analisar os impactos causados pela surto de febre amarela.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso entender que os primatas s\u00e3o mais suscet\u00edveis a adoecer com o v\u00edrus da febre amarela. O surto, na verdade, quem est\u00e1 vivendo s\u00e3o os primatas, porque para os humanos n\u00e3o existe uma epidemia da doen\u00e7a, mas para os macacos barbados sim. Deles est\u00e3o morrendo milhares. Lamentamos a morte humana, mas atualmente as maiores v\u00edtimas da doen\u00e7a s\u00e3o primatas\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Sergio Mendes afirma ainda que o objetivo da expedi\u00e7\u00e3o \u00e9 montar um plano para monitorar os impactos desse surto sobre a popula\u00e7\u00e3o de primatas, e avaliar o choque ecol\u00f3gico que a biodiversidade brasileira est\u00e1 sofrendo com o surto da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos saber exatamente como essa doen\u00e7a est\u00e1 se dispersando na paisagem, e nos prepararmos para tomar atitudes que visem a conserva\u00e7\u00e3o desses primatas, depois que o surto passar. No momento n\u00f3s n\u00e3o temos muito o que fazer para impedir que eles venham adoecer\u201d, diz.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio relembra que em 2009 o estado do Rio Grande Sul tamb\u00e9m registrou um surto da doen\u00e7a, e que na ocasi\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o de Bugiu, como \u00e9 conhecido os Barbados na regi\u00e3o do Sul do pa\u00eds, foi a mais afetada.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 sete anos passamos por algo parecido ao que est\u00e1 ocorrendo hoje, s\u00f3 que no Sul do Brasil. Cerca de 80% dos primatas foram mortos em decorr\u00eancia do v\u00edrus, o que significa a mortandade de 2 mil macacos. Em humanos, 90% n\u00e3o tiveram sintomas ou tiveram sintomas brandos, e em 10% a doen\u00e7a se manifestou de forma mais grave; foram sete pessoas mortas. Para o ser humano existe vacina que \u00e9 completamente eficaz, mas n\u00e3o podemos sair vacinando os macacos nas matas\u201d, explicou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/macaco_cm_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Macaco encontrado morto em Coronel Murta (Foto: Rep\u00f3rter Dindol)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Risco de extin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o professor, no Leste de Minas Gerais existem cinco esp\u00e9cies de primatas amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00e3o tr\u00eas categorias que caracterizam extin\u00e7\u00e3o. A primeira \u00e9 vulnerabilidade, seguida de perigo, e por \u00faltimo criticamente em perigo. Quando essas popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o atingidas por uma epidemia, elas podem subir da categoria de amea\u00e7adas, e serem empurradas para a extin\u00e7\u00e3o\u201d, alertou.<\/p>\n<p>A doutora Karen Strer estuda os Muriquis h\u00e1 mais de 30 anos, e, como a esp\u00e9cie estudada por ela tamb\u00e9m vive na Mata Atl\u00e2ntica, na regi\u00e3o de Caratinga, junto com os Barbados, houve uma preocupa\u00e7\u00e3o de que os Muriquis tamb\u00e9m pudessem ser afetados com o surto.<\/p>\n<p>\u201cEstou aqui porque quero me certificar que a popula\u00e7\u00e3o de Muriquis continua forte, e que n\u00e3o perdemos muitos animais. J\u00e1 vimos muitos deles, todos t\u00eam nome, mas ainda n\u00e3o encontramos os 350 que vivem nesta mata. Portanto, minha equipe segue a procura dos demais. Tenho esperan\u00e7a de que os Muriquis tenham mais resist\u00eancia que os Barbados, no que diz respeito \u00e0 febre amarela, mas n\u00f3s ainda n\u00e3o podemos afirmar isso com certeza&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/macaco_cm_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>Macaco encontrado morto em Coronel Murta (Foto: Rep\u00f3rter Dindol)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Sentinelas<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e9rgio Mendes alerta que os macacos j\u00e1 estavam morrendo antes mesmo da doen\u00e7a tirar v\u00edtimas humanas em Minas Gerais. O pesquisador localizou na reserva Miguel Abidala, uma ossada de um poss\u00edvel Barbado, que morreu h\u00e1 mais de 40 dias.<\/p>\n<p>\u201cOs macacos se comportam como sentinelas da febre amarela. A doen\u00e7a \u00e9 transmitida por mosquitos. Mesmo doentes, os macacos n\u00e3o t\u00eam a condi\u00e7\u00e3o de infectar. Por isso, os primatas s\u00e3o um sinalizador para alerta da doen\u00e7a, e n\u00e3o um transmissor. Eles s\u00e3o afetados antes dos seres humanos. Como os animais est\u00e3o nas matas, mais expostos aos mosquitos, eles s\u00e3o mais sens\u00edveis. Quando um macaco aparece doente, isso \u00e9 um sinal que n\u00f3s humanos estamos expostos tamb\u00e9m\u201d, apontou.<\/p>\n<p>De acordo com Mendes, na regi\u00e3o Leste de MG existem muitos fragmentos de Mata Atl\u00e2ntica, e tamb\u00e9m muitos moradores que habitam pr\u00f3ximo a reserva. Essa intera\u00e7\u00e3o entre natureza e homem pode ser a raz\u00e3o da incid\u00eancia de febre amarela silvestre no ser humano.<\/p>\n<p>\u201cOs macacos n\u00e3o est\u00e3o levando a doen\u00e7a de um lugar para o outro, isso porque eles n\u00e3o saem da mata. Ent\u00e3o de alguma forma esse v\u00edrus est\u00e1 viajando da mata e atingindo pessoas que moram em zona urbana. Isso precisa ser identificado e estudado. Em um primeiro momento acredito que pode ser o pr\u00f3prio mosquito que tem uma mobilidade maior e pode chegar at\u00e9 5 km. Outra forma \u00e9 que esses mosquitos tamb\u00e9m podem ser acidentalmente transportados, talvez por caminh\u00f5es de carga at\u00e9 a cidade\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Mortes em Minas<\/strong><\/p>\n<p>A febre amarela come\u00e7ou a vitimar os primeiros pacientes no Leste e Nordeste de Minas Gerais no in\u00edcio do m\u00eas de janeiro. Nesta segunda-feira (23), data da \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o, a Secretaria Estadual de Sa\u00fade informou que 32 pessoas morreram em decorr\u00eancia da doen\u00e7a contra\u00edda no estado. De acordo com a secretaria, existem 391 casos notificados da doen\u00e7a; destes, 58 foram confirmados.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica segue sendo em Ladainha, na Regi\u00e3o do Vale do Mucuri, que tem oito mortes confirmadas da doen\u00e7a. No ranking negativo das mortes Ipanema est\u00e1 em segundo, com 5, seguida de Te\u00f3filo Otoni (3), Piedade de Caratinga (2), Malacacheta (2), Imb\u00e9 de Minas (2), S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Maranh\u00e3o (2), Itambacuri (2), Pot\u00e9 (1), Concei\u00e7\u00e3o de Ipanema (1), Setubinha (1), Jos\u00e9 Raydan (1), Ubaporanga (1).<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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