{"id":106323,"date":"2017-01-07T10:14:48","date_gmt":"2017-01-07T12:14:48","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=106323"},"modified":"2017-01-07T10:14:48","modified_gmt":"2017-01-07T12:14:48","slug":"minas-gerais-tem-media-de-dez-casos-de-estupro-registrados-por-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=106323","title":{"rendered":"Minas Gerais tem m\u00e9dia de dez casos de estupro registrados por dia"},"content":{"rendered":"<p>A pris\u00e3o de Luiz Francisco da Silva, de 46 anos, suspeito de ao menos 10 estupros em Sabar\u00e1, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, liga o alerta para a quantidade de casos que chegam ao conhecimento das autoridades em Minas Gerais regularmente. Todos os dias, 10 ocorr\u00eancias de estupro s\u00e3o registradas em Minas, sendo tr\u00eas na regi\u00e3o metropolitana, totalizando 3.556 atos de viol\u00eancia sexual em 2016 no estado e 1.177 em Belo Horizonte e mais 45 cidades do entorno. Ontem, Luiz foi apresentado pela Pol\u00edcia Civil e admitiu que agia cruelmente contra as v\u00edtimas. <\/p>\n<p>Apesar de os n\u00fameros serem menores do que os registros de anos anteriores, a situa\u00e7\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o da advogada Carla Silene, que \u00e9 diretora do Instituto de Ci\u00eancias Penais de Minas Gerais (ICP\/MG), organiza\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma que congrega criminalistas de v\u00e1rios setores do estado.<\/p>\n<p>Ela destaca que as estat\u00edsticas podem ser ainda maiores, j\u00e1 que muitas v\u00edtimas acabam n\u00e3o denunciando o crime \u00e0s autoridades de seguran\u00e7a p\u00fablica por causa do abalo causado pela viol\u00eancia. \u201cMuitas mulheres preferem ocultar, deixar de formalizar a not\u00edcia do crime, para n\u00e3o ter um segundo choque, que seria mais uma forma de vitimiza\u00e7\u00e3o por conta da exposi\u00e7\u00e3o do caso\u201d, afirma a advogada. A criminalista aponta que, quando os autores s\u00e3o identificados, normalmente a puni\u00e7\u00e3o \u00e9 aplicada, mas ainda \u00e9 necess\u00e1rio evoluir em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s t\u00e9cnicas para descobrir essas pessoas. \u201cQuando a autoria \u00e9 inequ\u00edvoca, a pol\u00edcia tem feito um bom trabalho e a Justi\u00e7a tem mantido essas pessoas presas, mas n\u00f3s precisamos melhorar as formas de coletar as provas, at\u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 sempre que teremos um DNA\u201d, afirma a advogada. <\/p>\n<p>Ainda segundo Carla Silene, um dos fatores que atrapalham o trabalho policial \u00e9 a ocorr\u00eancia de abusos praticados por familiares, o que \u00e9 muito comum nos casos de estupro. O ambiente dom\u00e9stico como palco do crime dificulta a presen\u00e7a das autoridades de seguran\u00e7a naquele cen\u00e1rio. \u201cNormalmente, quem consegue trazer a Justi\u00e7a \u00e0 tona s\u00e3o as escolas, porque os professores que est\u00e3o em contato com a crian\u00e7a, ou com o jovem, percebem altera\u00e7\u00e3o de comportamento. Tamb\u00e9m precisamos investir em forma\u00e7\u00e3o, para que as escolas consigam ter profissionais comprometidos com o trabalho e capazes de olharem para os alunos e perceberem os problemas\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Denunciar para evitar outros abusos<\/strong><\/p>\n<p>A delegada Camila Miller, da Delegacia de Combate \u00e0 Viol\u00eancia Sexual, de Belo Horizonte, refor\u00e7a que a den\u00fancia deve sempre ser feita, pois pode evitar que outras mulheres venham a ser atacadas pelo mesmo estuprador. \u201cVejo muito medo e vergonha nas mulheres que v\u00eam aqui. A mulher violentada sexualmente \u00e9 v\u00edtima, e n\u00e3o culpada. Ningu\u00e9m escolhe sofrer esse tipo de abuso. Al\u00e9m de fazer a den\u00fancia, ela deve sempre procurar assist\u00eancia m\u00e9dica\u201d, continuou a delegada. Ela alerta as mulheres para redobrar a aten\u00e7\u00e3o caso estejam em locais ermos.<\/p>\n<p>Na entrevista concedida durante a apresenta\u00e7\u00e3o de Luiz, a delegada Alessandra Alvares Bueno da Rosa, da 2\u00aa Delegacia de Sabar\u00e1, classificou as a\u00e7\u00f5es dele como \u201ccru\u00e9is\u201d. \u201cO requinte de crueldade dele \u00e9 t\u00e3o grande que ele fica por volta de 3 horas com as v\u00edtimas. Ele \u00e9 muito cruel, psic\u00f3tico\u201d, contou a delegada. O modo e abordagem se repetia: o suspeito abordava mulheres \u2013 morenas, acima de 30 anos \u2013 pr\u00f3ximo \u00e0 linha f\u00e9rrea da cidade, no bairro Nossa Senha de F\u00e1tima. <\/p>\n<p>\u201cPrimeiro ele esbarrava nas mulheres, que se assustavam. Depois, colocava a m\u00e3o na boca delas para evitar os gritos. Em seguida, colocava a faca no pesco\u00e7o\u201d, contou a delegada. As garotas eram levadas para um local ermo em um bairro da cidade. Ele as levava para um barranco, onde tem um vale embaixo, e cometia os estupros. O \u00faltimo crime ocorreu na segunda-feira, por volta das 20h. <\/p>\n<p>O estuprador tamb\u00e9m cortou as pernas e os bra\u00e7os da v\u00edtima. Luiz n\u00e3o tinha passagem pela pol\u00edcia e justifica os crimes como uma a\u00e7\u00e3o irracional: \u201cNo decorrer da noite, a gente v\u00ea um casal passando e a gente n\u00e3o liga, mas a partir do momento que a gente v\u00ea uma mulher sozinha, passando tarde na noite&#8230; Eu n\u00e3o sei o que d\u00e1 na gente n\u00e3o.\u201d <\/p>\n<p>A delegada j\u00e1 come\u00e7ou a ouvir as mulheres atacadas. \u201cOntem, n\u00f3s ouvimos cinco v\u00edtimas e todas fizeram o reconhecimento. Os casos de nove ou oito v\u00edtimas n\u00e3o est\u00e3o sendo investigados porque n\u00e3o fizeram o BO\u201d, disse. Ela explica que, das 13 v\u00edtimas, tr\u00eas dos estupros n\u00e3o teriam sido consumados. Ele contou que duas delas estavam menstruadas e que a terceira falava muito de Deus, que o desencorajou de consumar o ato. <\/p>\n<p>As caracter\u00edsticas do homem ajudaram as v\u00edtimas a o reconhecer. \u201cSempre usava um bon\u00e9 e uma mesma mochila. Todas as v\u00edtimas o reconheceram pelo bon\u00e9\u201d, comentou Alessandra Rosa. As investiga\u00e7\u00f5es come\u00e7aram em 2012, quando o primeiro caso de estupro foi cometido. A delegada aponta que Luiz tinha vida dupla, j\u00e1 que aparentemente era um homem trabalhador, tinha um filho de 8 meses com a namorada, al\u00e9m de outros tr\u00eas de outro relacionamento. O homem foi preso na quarta-feira depois que a pol\u00edcia rastreou o aparelho celular roubado pelo criminoso de uma das v\u00edtimas. Ele deu de presente o aparelho para um dos seus filhos ainda com o chip da mulher violentada.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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