{"id":105169,"date":"2016-12-25T19:08:00","date_gmt":"2016-12-25T21:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=105169"},"modified":"2016-12-25T19:08:00","modified_gmt":"2016-12-25T21:08:00","slug":"projetos-independentes-se-unem-e-lancam-livro-sobre-37-casas-antigas-de-belo-horizonte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=105169","title":{"rendered":"Projetos independentes se unem e lan\u00e7am livro sobre 37 casas antigas de Belo Horizonte"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o s\u00e3o poucas as casas antigas de Belo Horizonte que chamam a aten\u00e7\u00e3o pela singularidade arquitet\u00f4nica. Dispersas por bairros que surgiram nos primeiros anos da capital mineira, elas guardam em seu interior uma beleza escondida para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o. Um livro lan\u00e7ado no \u00faltimo final de semana revela imagens e hist\u00f3rias de 37 desses im\u00f3veis. A iniciativa \u00e9 fruto da uni\u00e3o de dois projetos independentes que viraram refer\u00eancia quando o assunto \u00e9 patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e resgate da mem\u00f3ria da capital mineira: o Ch\u00e3o Que Eu Piso e o Casas de BH.<\/p>\n<p>O\u00a0Ch\u00e3o Que Eu Piso, da jornalista Paola Carvalho e da designer Ra\u00edssa Pena, tem como objetivo resgatar mem\u00f3rias dos im\u00f3veis a partir de pisos e ladrilhos. As imagens s\u00e3o postadas nas redes sociais, acompanhadas de um descritivo com informa\u00e7\u00f5es sobre o local. O projeto, que tem mais de 10 mil seguidores no Instagram, tamb\u00e9m deu origem a produtos como calend\u00e1rios e agendas.<\/p>\n<p>O Casas de BH re\u00fane fotos de im\u00f3veis antigos e tamb\u00e9m apresenta detalhes arquitet\u00f4nicos e hist\u00f3ricos de cada de um deles. Criada pelo arquiteto Ivan Ara\u00fajo, a iniciativa desperta interessa de internautas de dezenas de pa\u00edses. Considerando os variados canais, s\u00e3o cerca de 15 mil seguidores. &#8220;Surgiu como um hobby na minha p\u00e1gina pessoal, mas eu me surpreendi com a receptividade e a intera\u00e7\u00e3o e acabei transformando em um projeto&#8221;, diz Ivan.<\/p>\n<p>Intitulado\u00a0<em>Casa e Ch\u00e3o<\/em>, o livro produzido a partir da parceria entre ambos os projetos re\u00fane fotos do exterior e do interior das casas, al\u00e9m de detalhes dos pisos e textos que regatam a trajet\u00f3ria do lugar. A publica\u00e7\u00e3o levou em conta n\u00e3o apenas a pesquisa hist\u00f3rica, mas tamb\u00e9m relatos apresentados pelos pr\u00f3prios propriet\u00e1rios. As p\u00e1ginas iniciais e finais trazem ainda textos de conceituados arquitetos, urbanistas, historiadores e designers de Belo Horizonte. &#8220;S\u00e3o pessoas que agregam conte\u00fado ao trabalho&#8221;, diz Ivan Ara\u00fajo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/casas_antigas.jpg\" alt=\"\" \/><em>Casar\u00e3o no bairro Serra constru\u00eddo na d\u00e9cada de 1910, originalmente sede de uma ch\u00e1cara, est\u00e1 em livro sobre casas antigas de Belo Horizonte (Foto: L\u00e9o Rodrigues\/Ag\u00eancia Brasil)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado<\/strong><\/p>\n<p>O livro foi publicado gra\u00e7as a uma campanha de financiamento coletivo, que recebeu o apoio de quase 500 pessoas, que ganharam um exemplar em primeira m\u00e3o. Os interessados que n\u00e3o contribu\u00edram previamente podem adquiri-lo ao valor de R$90 nos sites de ambos os projetos.<\/p>\n<p>As 37 casas retratadas, localizadas majoritariamente em bairros tradicionais como Santa Tereza, Floresta, Lagoinha, Barro Preto, Serra, Lourdes, Santo Ant\u00f4nio e Bonfim, foram constru\u00eddas entre o ano de funda\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte, 1897, e a d\u00e9cada de 1960. O foco da publica\u00e7\u00e3o foram resid\u00eancias. Constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas p\u00fablicas aparecem, mas s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. Um exemplo \u00e9 a Casa Kubitschek, projetada em 1943 por Oscar Niemeyer para ser resid\u00eancia de fim de semana do ent\u00e3o prefeito da capital mineira Juscelino Kubitschek. O im\u00f3vel, que \u00e9 um marco do modernismo no Brasil, abriga hoje um museu.<\/p>\n<p>Segundo Ivan Ara\u00fajo, a experi\u00eancia permitiu dar um passo novo em rela\u00e7\u00e3o ao seu projeto. \u201cNo Casas de BH, eu me restringia \u00e0 fachada. Com o livro, n\u00f3s entramos nos im\u00f3veis e pudemos ter um contato pr\u00f3ximo com a hist\u00f3ria das pessoas que moram ali. E os registros internos tamb\u00e9m enriquecem muito o conte\u00fado das casas\u201d.<\/p>\n<p>Paola Carvalho diz que viveu experi\u00eancias fascinantes durante o trabalho. &#8220;N\u00f3s cheg\u00e1vamos a casas sem grade, sem port\u00e3o, onde muitas vezes s\u00f3 mora um casal de idosos. \u00c9 uma viagem no tempo. A\u00ed voc\u00ea explica o que est\u00e1 fazendo, eles te convidam para entrar, tomar um caf\u00e9 e come\u00e7am a contar casos do im\u00f3vel. Levamos tardes inteiras com moradores&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Patrim\u00f4nio<\/strong><\/p>\n<p>A obra ajuda a tra\u00e7ar a trajet\u00f3ria arquitet\u00f4nica da cidade. As imagens apresentam uma evolu\u00e7\u00e3o da paisagem urbana. Os depoimentos pessoais trazem detalhes sobre as chegadas das fam\u00edlias em Belo Horizonte e sobre a constru\u00e7\u00e3o das casas. Um prato cheio para futuras pesquisas sobre processos migrat\u00f3rios e sobre estilos arquitet\u00f4nicos privilegiados na cidade em cada \u00e9poca.<\/p>\n<p>\u201cBelo Horizonte tem como valor n\u00e3o uma paisagem homog\u00eanea, referenciada em um tempo, mas ruas, pra\u00e7as, casas e edif\u00edcios que expressam viv\u00eancias diversas presentes na heterogeneidade de seus lugares\u201d, escreve para o livro Michele Arroyo, presidente do Instituto Estadual do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico de Minas Gerais (Iepha-MG).<\/p>\n<p>\u00c9 a percep\u00e7\u00e3o do ecletismo de estilos da capital mineira que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o de Paola durante o trabalho. &#8220;Nos anos 50, havia uma cr\u00edtica muito grande \u00e0 arquitetura de Belo Horizonte dizendo que \u00e9 uma salada, uma mistureba. E de fato \u00e9 assim na maior parte da cidade, com exce\u00e7\u00e3o do Conjunto Moderno da Pampulha, onde existe uma unidade entre os im\u00f3veis. Mas hoje, olhando de longe para a hist\u00f3ria, a gente aprende a valorizar esse ecletismo&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar de avaliar a empreitada como bem-sucedida, Paola diz que houve resist\u00eancias em alguns im\u00f3veis. &#8220;H\u00e1 idosos com receio em receber desconhecidos, outros moradores apresentaram medo da casa ganhar visibilidade e a prefeitura abrir um processo de tombamento&#8221;. Ela lamenta a possibilidade de muitas casas retratadas n\u00e3o sobreviverem ao tempo, uma vez que a maioria n\u00e3o \u00e9 tombada. &#8220;J\u00e1 temos not\u00edcia de que um dos im\u00f3veis que fotografamos, de estilo portugu\u00eas localizada no bairro Barro Preto, foi vendido. Provavelmente ela ser\u00e1 derrubada&#8221;.<\/p>\n<p>A jornalista cobra do poder p\u00fablico mais aten\u00e7\u00e3o com o patrim\u00f4nio da cidade. &#8220;A prefeitura de Belo Horizonte falha ao n\u00e3o contar a hist\u00f3ria dos lugares. Voc\u00ea vai \u00e0s grandes metr\u00f3poles do mundo e h\u00e1 refer\u00eancias. Em Paris, por exemplo, voc\u00ea encontra a placa descritiva no im\u00f3vel onde morou Santos Dumont. Aqui dificilmente voc\u00ea vai ver isso. Na Casa UNA, por exemplo, morou Afonso Pena, ex-presidente do Brasil. Uma das principais avenidas da cidade tamb\u00e9m se chama Afonso Pena. E a\u00ed o turista se pergunta sem resposta, quem foi Afonso Pena?&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Economia criativa<\/strong><\/p>\n<p>Os projetos Ch\u00e3o Que Eu Piso e Casas de BH se inserem em uma rede de economia criativa que vem ganhando terreno em Belo Horizonte. Mesmo que algumas dessas iniciativas n\u00e3o se constituam como principal fonte de renda de seus idealizadores, elas t\u00eam ganhando for\u00e7a econ\u00f4mica a partir do momento que passaram a se organizar coletivamente.<\/p>\n<p>Foi pensando nisso que Paola abriu, h\u00e1 tr\u00eas semanas, o Caf\u00e9 Leopoldina no bairro Santo Ant\u00f4nio. \u00c9 uma cafeteria que pretende ser um ponto de encontro de empreendedores criativos da cidade e oferecer visibilidade aos trabalhos locais. &#8220;Temos uma sala cuja curadoria \u00e9 do BH Cool &#8211; Criativo, Original, Ousado, Local -, uma rede que re\u00fane cerca de 40 empreendedores da economia criativa. Nos demais ambientes, tamb\u00e9m expomos pe\u00e7as de artistas locais. E, a cada tr\u00eas meses, n\u00f3s trocamos os trabalhos&#8221;, explica Paola.<\/p>\n<p>Foi no Caf\u00e9 Leopoldina que o livro Casa e Ch\u00e3o foi lan\u00e7ado, no \u00faltimo s\u00e1bado (17). &#8220;O empreendedorismo criativo, que antes se concentrava no ambiente virtual, agora busca expor trabalhos em locais f\u00edsicos. Est\u00e3o ocorrendo na cidade diversas feiras. E aqui na cafeteria n\u00f3s iremos funcionar como feira permanente&#8221;, diz Paola.<\/p>\n<p>(Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o s\u00e3o poucas as casas antigas de Belo Horizonte que chamam a aten\u00e7\u00e3o pela singularidade arquitet\u00f4nica. Dispersas por bairros que surgiram nos primeiros anos da capital mineira, elas guardam em seu interior uma beleza escondida para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o. 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