{"id":104591,"date":"2016-12-19T19:27:49","date_gmt":"2016-12-19T21:27:49","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=104591"},"modified":"2016-12-19T19:27:49","modified_gmt":"2016-12-19T21:27:49","slug":"seca-derruba-ate-a-safra-de-pequi-no-norte-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=104591","title":{"rendered":"Seca derruba at\u00e9 a safra de pequi no Norte de Minas"},"content":{"rendered":"<p>A safra do pequi, que vai de dezembro a fevereiro, sempre proporcionou o aumento da gera\u00e7\u00e3o de renda e o sustento de fam\u00edlias de pequenos produtores, ocasionando tamb\u00e9m maior movimento no com\u00e9rcio, em v\u00e1rios munic\u00edpios do Norte de Minas. Neste ano, no entanto, a chegada da \u201c\u00e9poca do pequi\u201d est\u00e1 longe de representar a bonan\u00e7a das safras anteriores, devido a uma situa\u00e7\u00e3o inusitada: a elevada queda na produ\u00e7\u00e3o do fruto-s\u00edmbolo do cerrado. A falta de chuvas e a morte de pequizeiros, atacados por uma praga, s\u00e3o apontados como os motivos da vertiginosa redu\u00e7\u00e3o da colheita, que segundo os pr\u00f3prios produtores, pode chegar a 80%.<\/p>\n<p>Os pequizeiros sempre foram resistentes \u00e0 escassez de chuvas. Mas, avaliam os produtores, como o Norte de Minas teve quatro ano seguidos de estiagens prolongadas, a esp\u00e9cie tamb\u00e9m n\u00e3o resistiu e sofreu a dr\u00e1stica queda na produ\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, os p\u00e9s de pequi tamb\u00e9m est\u00e3o sendo atacados por um besouro que destr\u00f3i as folhas e as flores da planta, impedindo a produ\u00e7\u00e3o e matando as \u00e1rvores.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/pequizeiro.jpg\" alt=\"\" \/><em>Seca reduziu safra do pequi no Norte de Minas (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Pen\u00faria em Japonvar<\/strong><\/p>\n<p>Os efeitos negativos da brusca queda na produ\u00e7\u00e3o do pequi s\u00e3o sentidos em Japonvar \u2013 munic\u00edpio de 8,4 mil habitantes. Como em outros pequenos munic\u00edpios do Norte de Minas, os moradores ficam na expectativa da chegada desta \u00e9poca do ano, com a esperan\u00e7a de ganhar algum dinheiro como catadores do fruto nativo no mato, em um trabalho que envolve fam\u00edlias inteiras, incluindo as crian\u00e7as. Desta vez, a reden\u00e7\u00e3o n\u00e3o veio.<\/p>\n<p>\u201cAcho que neste ano ser\u00e1 colhida apenas 20% da quantidade de pequi que deveria ser produzida na regi\u00e3o\u201d, afirma Jos\u00e9 Afonso Pereira de Aquino, presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel de Japonvar. \u201cNos \u00faltimos quatro anos, as chuvas foram poucas. A \u00e1gua da chuva foi pouca e ficou na superf\u00edcie, sem penetrar no solo. Muitos pequizeiros n\u00e3o resistiram e morreram\u201d, diz Jos\u00e9 Afonso. Segundo ele, a mortandade dos pequizeiros na regi\u00e3o de quatro anos para c\u00e1 tamb\u00e9m ficou na faixa de 20%.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Afonso Aquino explica que, em anos anteriores, muitas fam\u00edlias de Japonvar, al\u00e9m de garantir a compra de mantimentos para o pr\u00f3prio sustento, compraram bens dur\u00e1veis como geladeira e fog\u00e3o a g\u00e1s com a \u201crenda do pequi\u201d. \u201cTeve gente que comprou at\u00e9 carro e moto ou reformou a casa com o dinheiro que ganhou catando o fruto\u201d, relata, lamentando que, neste ano, no entanto, o sagrado \u201cdinheirinho do pequi\u201d n\u00e3o veio por cauda da quebra na safra.<\/p>\n<p>O presidente da Cooperativa dos Pequenos Produtores e Catadores de Pequi de Japonvar (Cooperjap), Josu\u00e9 Barbosa de Ara\u00fajo, afirma que Japonvar tem cerca de 400 fam\u00edlias \u2013 totalizando em torno de 2 mil pessoas \u2013 que, nesta \u00e9poca, acordam cedo para ir para o meio do mato \u201ccatar\u201d pequi, que \u00e9 apanhado depois de cair no ch\u00e3o, normalmente, de madrugada e pela manh\u00e3. Como o fruto \u00e9 nativo, ele \u00e9 catado no ch\u00e3o pelos moradores de maneira extrativista, independentemente de quem seja dono das propriedades onde est\u00e3o os pequizeiros.<\/p>\n<p>\u201cNa \u00e9poca do pequizeiro florescer, faltou chuva. Por isso, a safra caiu tanto neste ano\u201d, avalia Josu\u00e9. \u201cComo nos \u00faltimos quatro anos as chuvas foram poucas na regi\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o do pequi foi diminuindo ano a ano\u201d, diz ele. \u201cDe fato, o pequi ajuda as fam\u00edlias carentes e gera muito emprego e renda no munic\u00edpio e na regi\u00e3o. Mas, neste ano, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 dif\u00edcil\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o complicada com a queda da safra de pequi em Japonvar \u00e9 enfrentada pela pequena agricultora Marilene Aquino de Jesus, a Lena, de 47 anos, m\u00e3e de cinco filhos. \u201cNa verdade, para mim, o pequi ajuda a manter a casa, a pagar as contas de \u00e1gua e luz e fazer feira. Ajuda tamb\u00e9m a comprar cadernos para as crian\u00e7as, rem\u00e9dios e roupas, pois a gente n\u00e3o tem sal\u00e1rio\u201d, relata Lena, reclamando que, com a redu\u00e7\u00e3o da safra, n\u00e3o sabe como vai cobrir as despesas. Ela conta que planta lavouras na pequena propriedade da fam\u00edlia, na localidade de Rancharia, a sete quil\u00f4metros da \u00e1rea urbana de Japonvar. \u201cInfelizmente, nos \u00faltimos quatro anos choveu muito pouco n\u00e3o colhemos quase nada\u201d, lamenta. \u201cAgora a nossa esperan\u00e7a \u00e9 que Deus possa mandar chuva\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Marilene disse que nos anos anteriores, al\u00e9m de catar o fruto no mato, teve uma boa renda com a produ\u00e7\u00e3o e venda da polpa do pequi \u2013 que agrega valor ao produto, sendo comercializada a R$ 20 o quilo. \u201cA queda da produ\u00e7\u00e3o foi tanta que acho que n\u00e3o vai ter pequi para fazer polpa. O jeito \u00e9 economizar o m\u00e1ximo poss\u00edvel e esperar que ano que vem possa ter uma boa safra de pequi\u201d, diz a batalhadora mulher.<\/p>\n<p>Outro que sofre diretamente com as consequ\u00eancias da redu\u00e7\u00e3o da safra de pequi em Japonvar \u00e9 pequeno agricultor Jovino Soares de Aquino. \u201cNa \u00e9poca do pequi, todo mundo ganha um dinheirinho, at\u00e9 as crian\u00e7as. O pequi \u00e9 uma renda que Deus deixou pra n\u00f3s e que agora est\u00e1 acabando\u201d, diz Jovino. Ele conta que, junto com a mulher, Gasparina, e um filho, Eduardo, sempre dedicou ao neg\u00f3cio do pequi nesta \u00e9poca do ano. \u201cA gente cata, compra e revende o pequi, al\u00e9m de fazer polpa. Compramos, inclusive, de pessoas que catam o pequi dentro do nosso pr\u00f3prio terreno, como se fosse de outro lugar. A natureza produz para todo mundo e todo mundo precisa ser servido\u201d, comenta o agricultor.<\/p>\n<p>Jovino lembra que no ano passado, faturou cerca de R$ 3,5 mil com a comercializa\u00e7\u00e3o de polpa do pequi. Agora, a expectativa de faturamento \u00e9 quase zero. \u201cComo a produ\u00e7\u00e3o caiu muito, a gente nem imagina como ser\u00e1 a renda do pequi, se vai ter como ganhar alguma coisa\u201d, afirma o pequeno produtor rural.<\/p>\n<p>Atualmente, a caixa do pequi (25 quilos) est\u00e1 sendo vendida a R$ 30 em Japonvar. Influenciado pela lei da oferta e da procura, o pre\u00e7o \u00e9 o dobro do praticado no mesmo per\u00edodo de 2015 (R$ 15 a caixa). \u201cMas n\u00e3o sabemos se esse valor ser\u00e1 mantido porque, se a safra cair muito, n\u00e3o ter\u00e1 pequi em grande quantidade. A\u00ed, n\u00e3o ter\u00e1 como carregar caminh\u00f5es aqui para vender para BH, Goi\u00e1s, Bahia e outras regi\u00f5es\u201d, observa Jovino.<\/p>\n<p>Ele testemunha as mortes dos pequizeiros. \u201cAl\u00e9m das folhas, o besouro ataca a raiz dos pequizeiros, que n\u00e3o resistem e morrem. Na minha propriedade, de dois anos para c\u00e1, morreram uns 15 p\u00e9s de pequi\u201d, descreve Jovino.<\/p>\n<p>O agricultor ressalta que, diante desse quadro, a pr\u00f3pria comunidade ter\u00e1 que se mobilizar para manter os pequizeiros. \u201cO preju\u00edzo com as mortes dos p\u00e9s de pequi \u00e9 muito grande. Vamos ter que produzir mudas de pequizeiro e plantar\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>D\u00edvida<\/strong><\/p>\n<p>A Cooperativa dos Pequenos Produtores e Catadores de Pequi de Japonvar (Cooperjap) foi criada com o objetivo de incrementar o extrativismo e aumentar a renda dos catadores de pequi no munic\u00edpio. No entanto, h\u00e1 dois anos que a entidade \u2013 que tem 180 fam\u00edlias cooperadas \u2013 est\u00e1 parada, devido a uma d\u00edvida de impostos e outros encargos com o governo do Estado. O presidente da Cooperjap, Josu\u00e9 Barbosa de Ara\u00fajo, disse que est\u00e1 tentando negociar o pagamento dos d\u00e9bitos, a fim de que a cooperativa possa retomar os trabalhos e auxiliar os pequenos agricultores e catadores. \u201cNa verdade, embora a d\u00edvida esteja em R$ 300 mil, o valor inicial era de R$ 58 mil. O restante \u00e9 de juros e multas, que estamos tentando negociar para que sejam perdoados. Assim, teremos condi\u00e7\u00f5es de pagar o que estamos devendo e a cooperativa poder\u00e1 voltar a funcionar, ajudando os pequenos agricultores\u201d, assegura Josu\u00e9.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Estado de Minas\/Luiz Ribeiro)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A safra do pequi, que vai de dezembro a fevereiro, sempre proporcionou o aumento da gera\u00e7\u00e3o de renda e o sustento de fam\u00edlias de pequenos produtores, ocasionando tamb\u00e9m maior movimento no com\u00e9rcio, em v\u00e1rios munic\u00edpios do Norte de Minas. 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