{"id":104558,"date":"2016-12-19T11:59:45","date_gmt":"2016-12-19T13:59:45","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=104558"},"modified":"2016-12-19T11:59:45","modified_gmt":"2016-12-19T13:59:45","slug":"pesquisadores-da-ufmg-desenvolvem-estrategia-para-detectar-precocemente-a-doenca-renal-cronica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=104558","title":{"rendered":"Pesquisadores da UFMG desenvolvem estrat\u00e9gia para detectar precocemente a doen\u00e7a renal cr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) \u00e9 parceira, junto \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), no financiamento de uma pesquisa pioneira, focada na detec\u00e7\u00e3o precoce da Doen\u00e7a Renal Cr\u00f4nica (DRC) em idosos. O estudo tamb\u00e9m conta com o apoio do CNPQ e da Secretaria Municipal de Sa\u00fade de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Caracterizada por altera\u00e7\u00f5es nas fun\u00e7\u00f5es renais, a doen\u00e7a provoca a diminui\u00e7\u00e3o da capacidade do \u00f3rg\u00e3o de filtrar o sangue e de eliminar a urina. Coordenado pela professora S\u00f4nia Soares, o projeto envolve uma equipe de pesquisadores da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em s\u00edntese, a iniciativa prop\u00f5e a identifica\u00e7\u00e3o precoce da les\u00e3o renal a partir do processamento de exames laboratoriais (sangue e urina) coletados no domic\u00edlio por profissionais habilitados e de forma gratuita.<\/p>\n<p>Todas as etapas da pesquisa acontecem em visitas domicilares. O primeiro contato dos pesquisadores ocorre por meio de uma carta-convite deixado nos domic\u00edlios sorteados. Ap\u00f3s o aceite, os idosos participantes respondem a um question\u00e1rio com perguntas socioecon\u00f4micas, demogr\u00e1ficas e cl\u00ednicas. Em seguida, passam por aferi\u00e7\u00e3o a press\u00e3o arterial, retirada de medidas antropom\u00e9tricas (peso, altura, \u00edndice de massa corporal, etc.) e, por fim, agendam o dia da coleta do material biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O diferencial desta pesquisa, segundo a equipe, est\u00e1 na repeti\u00e7\u00e3o dos exames laboratoriais ap\u00f3s tr\u00eas meses, o que segue os crit\u00e9rios de defini\u00e7\u00e3o da DRC proposto pelas diretrizes internacionais. \u201c\u00c9 muito importante a repeti\u00e7\u00e3o dos exames para confirma\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica da DRC, principalmente em idosos. Isso porque, com o envelhecimento, h\u00e1 um decl\u00ednio da fun\u00e7\u00e3o renal. Entretanto, o que se discute na comunidade cient\u00edfica \u00e9 se essa queda da fun\u00e7\u00e3o renal \u00e9 fisiol\u00f3gica ou patol\u00f3gica, secund\u00e1ria a doen\u00e7as que se tornam mais prevalentes com o avan\u00e7o da idade\u201d, afirma a pesquisadora Patr\u00edcia Silva, doutoranda na Escola de Enfermagem da UFMG.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s libera\u00e7\u00e3o dos resultados, os exames s\u00e3o analisados pelo m\u00e9dico nefrologista e integrante do projeto, Joseph Santos. Em seguida, as pesquisadoras retornam \u00e0s casas dos idosos para entrega de uma c\u00f3pia impressa dos exames e material educativo com informa\u00e7\u00f5es sobre preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e seus fatores de risco. Os casos positivos s\u00e3o orientados a procurar uma unidade de sa\u00fade ou aten\u00e7\u00e3o suplementar para que possam ser acompanhados por um especialista. <\/p>\n<p>&#8220;A detec\u00e7\u00e3o precoce dos est\u00e1gios iniciais da doen\u00e7a renal cr\u00f4nica evita que o paciente evolua para a forma mais grave, que requer tratamento dial\u00edtico\u201d, explica Patr\u00edcia. Ainda de acordo com a pesquisadora, a falta de sintomas nos est\u00e1gios iniciais da doen\u00e7a torna o diagn\u00f3stico mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&#8220;Nesses casos, eles podem ser tratados apenas com modifica\u00e7\u00f5es no estilo de vida. Por isso, a visita da equipe do projeto \u00e9 importante, para evitar que o estado de sa\u00fade deles se agrave. Algumas das orienta\u00e7\u00f5es que repassamos para os idosos s\u00e3o o incentivo \u00e0 hidrata\u00e7\u00e3o; pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica regular; evitar uso indiscriminado de antiinflamat\u00f3rios AINES (os mais comuns ibuprofeno e diclofenaco) somente sob prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica; para aqueles com DRC em est\u00e1gios mais avan\u00e7ados evitar consumo de carambola, pois essa fruta contem uma subst\u00e2ncia nefrot\u00f3xica que lesa os rins\u201d, refor\u00e7a. <\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p>Em 2013, deu-se in\u00edcio \u00e0 coleta do material biol\u00f3gico nos domic\u00edlios e continua em andamento. Dados preliminares envolvendo 208 idosos indicaram elevado n\u00famero de casos de DRC (35%). No entanto, apenas 12% sabiam que tinham a doen\u00e7a a partir de diagn\u00f3stico pr\u00e9vio da Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica ou suplementar. O percentual de consci\u00eancia da DRC aumenta com a gravidade da doen\u00e7a, podendo-se inferir, de acordo com os pesquisadores, que \u00e9 necess\u00e1rio adoecer para que DRC seja detectada pelos provedores do cuidado. <\/p>\n<p>Frente \u00e0 baixa consci\u00eancia da DRC, delineou-se um projeto de extens\u00e3o \u201cDe portas abertas para a Sr\u00aa Sa\u00fade entrar\u201d, com a finalidade de impactar nesse indicador. Os pesquisadores elaboraram materiais l\u00fadico-pedag\u00f3gicos e interativos, com orienta\u00e7\u00f5es sobre fatores de risco para o desenvolvimento da doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, diabetes mellitus e hipertens\u00e3o arterial. \u201cA pretens\u00e3o \u00e9 levar para a comunidade e profissionais de sa\u00fade informa\u00e7\u00e3o de forma interativa e l\u00fadica. Nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que as orienta\u00e7\u00f5es repassadas sejam compreendidas pelo p\u00fablico\u201d, destaca Patr\u00edcia Silva.  <\/p>\n<p>Por sorte, a servidora p\u00fablica, Maria Aparecida da Silva, 62 anos, uma das volunt\u00e1rias atendidas pelo projeto, n\u00e3o foi diagnosticada com doen\u00e7a renal. Por outro lado, ela recebeu o alerta para a ado\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos alimentares mais saud\u00e1veis. \u201cGra\u00e7as a Deus est\u00e1 tudo bem com os meus rins. Mesmo assim, fui aconselhada a me comportar preventivamente, evitando alguns medicamentos que alteram o funcionamento dos rins. Tamb\u00e9m fui orientada a evitar e substituir o sal pelo preparado com ervas\u201d, conta.  <\/p>\n<p><strong>Necessidade <\/strong><\/p>\n<p>O projeto surgiu da pr\u00f3pria experi\u00eancia profissional da pesquisadora na rede p\u00fablica de sa\u00fade. &#8220;O n\u00famero de pacientes que necessitam de tratamento dial\u00edtico \u00e9 muito elevado. Entretanto, a oferta de vagas dispon\u00edveis na rede \u00e9 insuficiente para atender a toda a demanda&#8221;, relata Patr\u00edcia Silva.<\/p>\n<p>Outro fator de destaque \u00e9 o pioneirismo do projeto no rastreamento precoce da doen\u00e7a renal cr\u00f4nica em idosos. &#8220;N\u00e3o conhecemos outro estudo semelhante no Brasil.  A inser\u00e7\u00e3o do profissional da sa\u00fade no domic\u00edlio abre espa\u00e7o para possibilitar a interven\u00e7\u00e3o na progress\u00e3o da doen\u00e7a\u201d, defende a pesquisadora. Por isso, ela v\u00ea na Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica da rede p\u00fablica um ator important\u00edssimo para a detec\u00e7\u00e3o precoce da DRC.<\/p>\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o recente, em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Sa\u00fade \/ distrito Sanit\u00e1rio Noroeste, ser\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o da Gest\u00e3o Cl\u00ednica dos casos positivos, proposta idealizada por representantes do pr\u00f3prio distrito. Dessa forma, ser\u00e1 poss\u00edvel elaborar protocolos de identifica\u00e7\u00e3o e manejo da DRC na rede p\u00fablica, evitando o aumento de pessoas inseridas em unidades de di\u00e1lise. A iniciativa tamb\u00e9m prev\u00ea a capacita\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00f3xima fase<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que a etapa que envolve as visitas domiciliares na regi\u00e3o Noroeste j\u00e1 est\u00e1 encerrada neste ano. Em 2017, para a pr\u00f3xima etapa, ser\u00e3o abertas novas vagas para os interessados em receber a visita dos pesquisadores.<\/p>\n<p>Os pesquisadores refor\u00e7am ainda que, em caso de suspeita de doen\u00e7a renal, o idoso deve procurar a unidade de Sa\u00fade mais pr\u00f3xima.   <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/IMG-20151005-WA0026_EDT.jpg\" alt=\"\" \/><em>O projeto de extens\u00e3o \u201cDe portas abertas para a Sr\u00aa Sa\u00fade entrar\u201d orienta os participantes sobre os fatores de risco para o desenvolvimento da doen\u00e7a (Divulga\u00e7\u00e3o\/Ag\u00eancia Minas)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><em>(Fonte: Ag\u00eancia Minas)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) \u00e9 parceira, junto \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), no financiamento de uma pesquisa pioneira, focada na detec\u00e7\u00e3o precoce da Doen\u00e7a Renal Cr\u00f4nica (DRC) em idosos. 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