{"id":103617,"date":"2016-12-07T09:51:40","date_gmt":"2016-12-07T11:51:40","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=103617"},"modified":"2016-12-07T09:51:40","modified_gmt":"2016-12-07T11:51:40","slug":"em-montes-claros-estudante-de-82-anos-concretiza-sonho-e-cola-grau-em-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=103617","title":{"rendered":"Em Montes Claros, estudante de 82 anos concretiza sonho e cola grau em direito"},"content":{"rendered":"<p>Ela j\u00e1 \u00e9 octogen\u00e1ria. Vi\u00fava, m\u00e3e de tr\u00eas filhos e av\u00f3 de dois netos, pode-se dizer que \u00e9 hora de deixar de lado grandes esfor\u00e7os e somente aproveitar a independ\u00eancia financeira garantida pela aposentadoria. Mas, ao contr\u00e1rio, est\u00e1 iniciando uma nova etapa na vida. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de Terezinha Parrela, que na noite de hoje (7\/12\/2016), aos 82 anos, vai colar grau no curso de direito das Faculdades Pit\u00e1goras em Montes Claros. Ela planeja se especializar na \u00e1rea jur\u00eddica e atuar na \u00e1rea criminal.<\/p>\n<p>No Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 atualmente 23.796 pessoas com 60 anos ou mais matriculadas em cursos superiores (presenciais e a dist\u00e2ncia). Desse total, 2.024 em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Ex-professora e servidora p\u00fablica aposentada, Terezinha j\u00e1 tem um curso superior. \u00c9 formada em Sociologia. Mas, seguindo o exemplo da poetisa Cora Coralina, que publicou o primeiro livro aos 76 anos de idade, ela conta que come\u00e7ou a estudar direito na terceira idade porque sempre alimentou o sonho de fazer o curso.<\/p>\n<p>A formanda revela que, em 1972, quando tinha 38 anos e morava em Belo Horizonte, passou em dois vestibulares, para direito, na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais (PUC-MG) e para Sociologia, na Faculdade de Ci\u00eancias Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). \u201cComecei a fazer os dois cursos naquela \u00e9poca. Como a PUC ficava mais longe de minha casa, acabei optando por sociologia, mas o que queria primeira era direito mesmo\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cNunca \u00e9 tarde para estudar. Ali\u00e1s, nunca \u00e9 tarde para nada nesta vida. A gente tem que aprender sempre. A vida precisa ser vivida intensamente\u201d, afirma a nova advogada. Ela d\u00e1 exemplo de vitalidade. \u201cA idade n\u00e3o \u00e9 limite para nada. Desde que a pessoa esteja com boa sa\u00fade, tem que estar disposta a tudo, principalmente, a buscar conhecimentos\u201d, diz a representante da terceira idade, acrescentando que sempre cuidou da sa\u00fade. \u201cN\u00e3o fumo nem bebo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Terezinha Parrela se forma com uma turma de 40 alunos. Todos os seus colegas est\u00e3o na faixa de 20 a 35 anos. Ela salienta que a diferen\u00e7a de idade dos colegas n\u00e3o interferiu nem atrapalhou em nada durante os cinco anos de curso. \u201cEu era a mais velha da faculdade, mas sempre convivi com todos os colegas como se tivesse a mesma idade deles. Sou uma pessoa muito bem-humorada e alegre\u201d, comenta. \u201cAs colegas me chamavam de vovozinha e eu dizia que elas eram minhas netinhas, em clima muito descontra\u00eddo\u201d, conta.   \u201cA minha idade cronol\u00f3gica n\u00e3o tem nada a ver com o meu jeito de ser. A idade mesmo est\u00e1 na mente da pessoa\u201d,  diz a nova profissional do direito.<\/p>\n<p>No convite de formatura, al\u00e9m da gratid\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, aos professores e aos colegas, ela fez um agradecimento a mais.  \u201cAgrade\u00e7o \u00e0 natureza por proporcionar-me uma longa vida, sem perder a jovialidade, sonhos e a sede do saber\u201d, registrou Terezinha. Ela lembra que durante o curso sempre atendeu as exig\u00eancias da faculdade, realizando atividades, evitando faltar \u00e0s aulas.<\/p>\n<p>A aposentada tamb\u00e9m cometeu \u201cextravag\u00e2ncias\u201d. Por exemplo, como morava relativamente perto da faculdade, se deslocava para aulas recorrendo ao servi\u00e7o alternativo de motot\u00e1xi.  Acabou contraindo uma pneumonia. Uma das filhas providenciou a contrata\u00e7\u00e3o de uma van para o transporte.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/terezinha_parrela.jpg\" alt=\"\" \/><em>Terezinha Parrela planeja se especializar e atuar na \u00e1rea criminal (Foto: Luiz Ribeiro\/EM\/DA Press)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Nova etapa<\/strong><\/p>\n<p>Engana-se quem pensa que Terezinha Parrela se contenta com a realiza\u00e7\u00e3o desse sonho e vai ficar parada. Ela  anuncia que o pr\u00f3ximo passo \u00e9 tentar a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para atuar como advogada. \u201cQuero trabalhar com o direito criminal. A minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 ajudar a resolver os problemas das pessoas mais humildes\u201d, afirma, lembrando que sempre se dedicou ao voluntariado. Ela ainda quer fazer um curso de especializa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de per\u00edcias. \u201cSempre fui uma pessoa que tem muita percep\u00e7\u00e3o das coisas e a per\u00edcia \u00e9 uma boa \u00e1rea\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Orgulho<\/strong><\/p>\n<p>Duas filhas da aposentada que residem h\u00e1 muitos anos no exterior retornaram \u00e0 terra natal somente para testemunhar a m\u00e3e ser diplomada aos 82 anos: Maria Teresa Parrela Hoogenboom veio da Holanda, onde \u00e9 servidora do Consulado Brasileiro em Roterd\u00e3. Cecilia Parrela veio dos Estados Unidos. \u201cEla \u00e9 um motivo de orgulho para n\u00f3s\u201d, afirma Maria Teresa, que entregou \u00e0 m\u00e3e um cart\u00e3o com uma frase do poeta ingl\u00eas Samuel Johnson: \u201cA natureza deu tanto poder \u00e0 mulher que a lei, por prud\u00eancia, deu-lhes pouco\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, Cecilia disse que considera a m\u00e3e como \u201cum modelo para outras pessoas\u201d. \u201cAt\u00e9 eu mesma, a partir do exemplo da minha m\u00e3e, estou pensando em voltar a estudar\u201d, diz Cecilia, que \u00e9 formada em hist\u00f3ria e mora no estado de Maryland, onde trabalha com educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Estado de Minas\/Luiz Ribeiro)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela j\u00e1 \u00e9 octogen\u00e1ria. 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