{"id":101865,"date":"2016-11-15T15:27:30","date_gmt":"2016-11-15T18:27:30","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=101865"},"modified":"2016-11-15T15:27:30","modified_gmt":"2016-11-15T18:27:30","slug":"registro-brasileiro-de-gemeos-recruta-voluntarios-para-pesquisas-sobre-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=101865","title":{"rendered":"Registro Brasileiro de G\u00eameos recruta volunt\u00e1rios para pesquisas sobre doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>O Registro Brasileiro de G\u00eameos (RBG) \u00e9 a aposta de pesquisadores para encontrar respostas sobre diversas doen\u00e7as de forma mais barata do que os estudos com genoma. Pioneira na Am\u00e9rica Latina, a iniciativa surgiu em 2013 e acaba de dar um passo decisivo com o lan\u00e7amento, este m\u00eas, do <a href=\"http:\/\/www.gemeosbrasil.org\/\" target=\"_blank\">fomul\u00e1rio online (www.gemeosbrasil.org)<\/a> para registro de volunt\u00e1rios. Podem se cadastrar g\u00eameos monozig\u00f3ticos ou dizig\u00f3ticos acima de 18 anos interessados em contribuir com a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador Vin\u00edcius Cunha Oliveira, um dos coordenadores do RBG, pesquisas com g\u00eameos em todo o mundo est\u00e3o buscando respostas que estudos tradicionais ainda n\u00e3o encontraram sobre c\u00e2ncer, diabetes, tabagismo, alcoolismo, etc. \u201cPara entender o funcionamento de muitas doen\u00e7as, \u00e9 importante identificar os fatores de risco ambiental e os fatores de risco gen\u00e9tico. Isso pode ser feito atrav\u00e9s do mapeamento do genoma. Mas \u00e9 um processo complicado e de custo elevado. As pesquisas utilizando g\u00eameos s\u00e3o mais baratas e podem oferecer muitas dessas respostas\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Para se cadastrar, o g\u00eameo precisar\u00e1 fornecer dados como nome, data de nascimento, sexo, filia\u00e7\u00e3o, endere\u00e7o, telefone e e-mail. Os pesquisadores enviar\u00e3o aos volunt\u00e1rios o link de um novo formul\u00e1rio para preenchimento de informa\u00e7\u00f5es sobre estilo de vida, condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, medidas, consumo de medicamentos, entre outros. Tudo \u00e9 feito atrav\u00e9s do computador ou de dispositivos m\u00f3veis, como celulares e tablets. O preenchimento do formul\u00e1rio leva cerca de dois minutos.<\/p>\n<p>Os dados ficam gravados no registro e o volunt\u00e1rio deve fazer uma atualiza\u00e7\u00e3o uma vez por m\u00eas, de forma que se possa monitorar ao longo do tempo mudan\u00e7as f\u00edsicas, comportamentais e de sa\u00fade. \u201cO registro est\u00e1 dispon\u00edvel para pesquisadores interessados. Digamos que amanh\u00e3 algu\u00e9m nos procure querendo fazer uma pesquisa sobre diabetes. N\u00f3s faremos contato com os g\u00eameos para saber se eles querem participar. N\u00e3o \u00e9 porque eles se inscreveram uma vez que ser\u00e3o obrigados a participar de todas as pesquisas\u201d, acrescenta Olveira.<\/p>\n<p>A g\u00eamea Luana Cristina de Oliveira, 31 anos, est\u00e1 inscrita no RBG e o v\u00ea a pesquisa como uma troca, j\u00e1 que tamb\u00e9m recebe informa\u00e7\u00f5es sobre si mesma. \u201c\u00c9 uma excelente iniciativa e uma forma de conhecer o universo complexo dos g\u00eameos\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Origem<\/strong><\/p>\n<p>Criado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), o RBG surgiu a partir de uma parceria com o Registro Australiano de G\u00eameos, que existe h\u00e1 mais de 30 anos e \u00e9 um dos mais avan\u00e7ados do mundo. Os australianos possuem um cadastro com 80 mil g\u00eameos. Atualmente, h\u00e1 mais de 30 registros semelhantes, a maioria em pa\u00edses desenvolvidos como Alemanha, Estados Unidos, Noruega, Dinamarca, It\u00e1lia e Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2013, o RBG fez um mapeamento inicial de g\u00eameos monozig\u00f3ticos e dizig\u00f3ticos acima de 18 anos na regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte. Atualmente, o registro possui dados de aproximadamente 300 volunt\u00e1rios da capital mineira e cidades vizinhas.<\/p>\n<p>No ano passado, parcerias com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e de institui\u00e7\u00f5es de Santa Catarina permitiram ampliar o alcance do banco de dados. A meta, segundo Oliveira, \u00e9 ampli\u00e1-lo cada vez mais. \u201cConforme a literatura cient\u00edfica, temos entre 1 e 2% da popula\u00e7\u00e3o mundial composta por g\u00eameos. Considerando que o Brasil tem cerca de 200 milh\u00f5es de habitantes, podemos supor que entre 2 e 4 milh\u00f5es s\u00e3o g\u00eameos\u201d, calcula.<\/p>\n<p>Em abril deste ano, a UFMG sediou o 1\u00ba Festival de G\u00eameos, no qual cerca de 30 volunt\u00e1rios do projeto se reuniram com os pesquisadores para trocar informa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias. O RBG tamb\u00e9m tem integrado o cons\u00f3rcio mundial de registros que organiza encontros a cada ano e meio para discutir pesquisas conjuntas. Os pesquisadores do Jap\u00e3o, por exemplo, j\u00e1 sinalizaram interesse em estudar japoneses g\u00eameos imigrantes que vivem no Brasil. Os cientistas brasileiros tamb\u00e9m est\u00e3o em di\u00e1logo avan\u00e7ado com os australianos e os espanh\u00f3is.<\/p>\n<p><strong>Dor lombar<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro estudo desenvolvido no \u00e2mbito do RBG analisa fatores de risco ambiental da dor lombar, para que futuramente se possa elaborar estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o. \u201cTrata-se de um problema muito prevalente na popula\u00e7\u00e3o e os tratamentos funcionam at\u00e9 certo ponto. N\u00e3o h\u00e1 uma cura. Fala-se em controlar os epis\u00f3dios e prevenir novos epis\u00f3dios. E para prevenir \u00e9 preciso entender com mais profundidade os fatores de risco\u201d, explica um dos coordenadores do RBG.<\/p>\n<p>Os g\u00eameos que integram esta parte da pesquisa s\u00e3o acompanhados por um ano. \u201cN\u00f3s podemos monitorar dois g\u00eameos monozig\u00f3ticos, que possuem carga gen\u00e9tica id\u00eantica, sendo que um tem dor lombar e o outro n\u00e3o. Vamos supor que apenas um deles pratica atividade f\u00edsica. Ent\u00e3o podemos verificar se o sedentarismo \u00e9 um fator de risco\u201d, acrescenta o pesquisador.<\/p>\n<p>Pesquisa semelhante sobre dor lombar foi realizada na Austr\u00e1lia com algumas conclus\u00f5es que contradizem estudos tradicionais. Segundo o estudo, obesidade e depress\u00e3o n\u00e3o seriam fatores de risco e sim de progn\u00f3stico, ou seja, obesos e depressivos n\u00e3o t\u00eam mais chances de desenvolver dor lombar, embora talvez tenham mais dificuldade de obter melhora no quadro.<\/p>\n<p>Por outro lado, os australianos perceberam que a qualidade do sono \u00e9 um fator de risco, conclus\u00e3o que n\u00e3o tinha tanta evid\u00eancia na literatura m\u00e9dica. Diante destes achados, a pesquisa realizada pelo RBG busca tamb\u00e9m saber se as conclus\u00f5es australianas t\u00eam correspond\u00eancia no Brasil.<\/p>\n<p>Embora esse estudo da dor lombar busque resultados que ajudem futuramente na preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel desenvolver pesquisas com g\u00eameos para avaliar medidas terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, se n\u00f3s aplicarmos um tipo de tratamento em uma pessoa doente e ela tiver melhoras, quem me garante que a recupera\u00e7\u00e3o se deu pela interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica? Ela pode ter melhorado porque isso ia ocorrer de qualquer jeito. Mas se n\u00f3s usamos g\u00eameos com gen\u00e9tica id\u00eantica que estejam com a mesma doen\u00e7a, temos o que chamamos de grupo controle perfeito. Se um recebe o tratamento e melhora e o outro sem tratamento n\u00e3o melhora, a\u00ed podemos tirar conclus\u00f5es mais profundas\u201d, explica Oliveira.<\/p>\n<p>(Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Registro Brasileiro de G\u00eameos (RBG) \u00e9 a aposta de pesquisadores para encontrar respostas sobre diversas doen\u00e7as de forma mais barata do que os estudos com genoma. 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