{"id":101059,"date":"2016-11-04T15:50:34","date_gmt":"2016-11-04T18:50:34","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=101059"},"modified":"2016-11-04T15:50:34","modified_gmt":"2016-11-04T18:50:34","slug":"um-ano-apos-tragedia-reconstrucao-dos-distritos-de-mariana-ainda-esta-no-papel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=101059","title":{"rendered":"Um ano ap\u00f3s trag\u00e9dia, reconstru\u00e7\u00e3o dos distritos de Mariana ainda est\u00e1 no papel"},"content":{"rendered":"<p>Passado um ano do rompimento da barragem de Fund\u00e3o, a reconstru\u00e7\u00e3o dos distritos de Mariana (MG) devastados pelo acidente ainda est\u00e1 no papel. As obras dever\u00e3o ter in\u00edcio apenas em 2018 e as comunidades dever\u00e3o ser entregues entre 2018 e 2019. Considerada a maior trag\u00e9dia ambiental do pa\u00eds, o desastre de Mariana completa um ano nesta semana. Na tarde de 5 de novembro de 2015, a estrutura da mineradora Samarco desabou e a lama de rejeitos proveniente da minera\u00e7\u00e3o se espalhou, destruindo os distritos de Gesteira, Bento Rodrigues e Paracatu. A onda de lama tamb\u00e9m devastou a vegeta\u00e7\u00e3o nativa, poluiu a bacia do Rio Doce e deixou 19 mortos.<\/p>\n<p>Para gerir os projetos de repara\u00e7\u00e3o dos danos causados pela trag\u00e9dia, a mineradora Samarco criou a Funda\u00e7\u00e3o Renova. Ela \u00e9 a respons\u00e1vel por todas etapas de reconstru\u00e7\u00e3o dos distritos, que incluem os estudos topogr\u00e1ficos e ambientais, a elabora\u00e7\u00e3o do projeto urbano e da planta das casas, a contrata\u00e7\u00e3o da construtora e a realiza\u00e7\u00e3o das obras.<\/p>\n<p>Enquanto os novos distritos da zona rural n\u00e3o s\u00e3o entregues, seus futuros moradores seguir\u00e3o alojados em casas alugadas pela Samarco em diversos bairros da zona urbana de Mariana. Cerca de 350 fam\u00edlias perderam seus im\u00f3veis ap\u00f3s a trag\u00e9dia. O engenheiro \u00c1lvaro Pereira, l\u00edder de programas da Funda\u00e7\u00e3o Renova, explica que o desdobramento do processo leva em conta muitas consultas aos atingidos.<\/p>\n<p>&#8220;Meu desejo \u00e9 liderar uma constru\u00e7\u00e3o que me permita olhar no olho das pessoas e ver elas seguras de que \u00e9 exatamente o que elas querem&#8221;. Para ele, o planejamento da reconstru\u00e7\u00e3o, embora seja uma etapa n\u00e3o vis\u00edvel, \u00e9 a mais importante.<\/p>\n<p>Os atingidos v\u00e3o apontar, por exemplo, detalhes como a disposi\u00e7\u00e3o das casas, definindo quem vai ser vizinho de quem. Eles tamb\u00e9m foram os respons\u00e1veis por escolher os terrenos onde as comunidades ser\u00e3o reerguidas. A Samarco j\u00e1 adquiriu as \u00e1reas. Bento Rodrigues, o maior dos tr\u00eas distritos, \u00e9 previsto para ser entregue em mar\u00e7o de 2019. O terreno escolhido foi aprovado por 206 das 236 fam\u00edlias. Apenas 3 delas n\u00e3o compareceram \u00e0 vota\u00e7\u00e3o. Segundo \u00c1lvaro Pereira, \u00e9 poss\u00edvel que no fim de 2018 algumas pessoas j\u00e1 possam se mudar, mesmo as obras n\u00e3o estando 100% conclu\u00eddas.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo depois de realojarmos todas as pessoas, haver\u00e1 um per\u00edodo de acompanhamento&#8221;, acrescenta o engenheiro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/ruinas_bento_rodrigues.jpg\" alt=\"\" \/><em>Ru\u00ednas de casas do distrito de Bento Rodrigues (L\u00e9o Rodrigues\/Ag\u00eancia Brasil)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Projeto de reconstru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 duas semanas, a Funda\u00e7\u00e3o Renova apresentou a primeira vers\u00e3o do projeto urbano do distrito \u00e0 imprensa. Ele foi desenvolvido ap\u00f3s diversas reuni\u00f5es com pequenos grupos de moradores. Foi feita uma din\u00e2mica em torno de tr\u00eas quest\u00f5es: o que os moradores tinham em Bento Rodrigues e querem continuar tendo, o que eles tinham e n\u00e3o querem mais ter, e o que eles n\u00e3o tinham e agora querem ter.<\/p>\n<p>O processo \u00e9 id\u00eantico para os outros dois distritos. Paracatu deve ser entregue em fevereiro de 2019. O novo terreno foi escolhido em vota\u00e7\u00e3o que contou com a presen\u00e7a de 103 das 108 fam\u00edlias. O local aprovado recebeu 67 votos. J\u00e1 Gesteira, por ser um distrito menor, deve ser conclu\u00eddo em meados de 2018. L\u00e1 moravam apenas 8 fam\u00edlias, al\u00e9m de 11 terrenos sem nenhuma edifica\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m est\u00e1 inclu\u00eddo no projeto urbano.<\/p>\n<p>O pedreiro Tcharle do Carmo Batista, de 23 anos, lamenta que talvez alguns idosos n\u00e3o estejam vivos em 2019 para ver o novo Paracatu. No entanto, ele est\u00e1 de acordo com o cronograma apresentado pela Samarco. &#8220;Como pedreiro, eu entendo de obra. E sei que para ser uma obra boa tem que ser demorada. A gente n\u00e3o quer que coloque l\u00e1 uma empreiteira para fazer v\u00e1rias casas padronizadas em um dia. Em Paracatu, cada um tinha a casa do seu jeito e queremos que seja assim&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Tcharle integra o Comit\u00ea dos Atingidos, que se re\u00fane semanalmente e participa ativamente das etapas do cronograma de reconstru\u00e7\u00e3o. O Comit\u00ea foi o respons\u00e1vel por organizar o processo de vota\u00e7\u00e3o em que as fam\u00edlias escolheram os terrenos. O pedreiro acredita na import\u00e2ncia de sua participa\u00e7\u00e3o para ter influ\u00eancia nas decis\u00f5es. &#8220;Como eu tenho conhecimento, acho que vou poder ajudar. Conferir se a massa est\u00e1 boa, se tudo est\u00e1 sendo feito da maneira correta. Eu n\u00e3o sou engenheiro, mas o que eu sei \u00e9 o bastante para notar se houver algum problema&#8221;, garante.<\/p>\n<p>Para auxiliar o Comit\u00ea a acompanhar as diversas etapas do cronograma, o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMG) obteve da Samarco um acordo para que a mineradora pagasse uma assessoria t\u00e9cnica de confian\u00e7a dos atingidos. &#8220;Assim como a Samarco possui os profissionais de confian\u00e7a dela, n\u00f3s tamb\u00e9m precisamos de suporte. Ent\u00e3o foi contratada e entidade C\u00e1ritas, e ela realizou uma sele\u00e7\u00e3o de especialistas para nos prestar consultoria, como arquiteto, advogado, agr\u00f4nomo e historiador&#8221;, conta o motorista Antonio Pereira Gon\u00e7alves, de 47 anos, conhecido como Da Lua. Ele era morador de Bento Rodrigues.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Renova est\u00e1 justamente aguardando a contrata\u00e7\u00e3o dessa assessoria t\u00e9cnica para apresentar aos futuros moradores o projeto urbano preliminar de cada distrito. &#8220;\u00c9 nosso interesse que eles estejam bem assessorados para fazerem cr\u00edticas e coment\u00e1rios. Obviamente essa primeira vers\u00e3o ainda ser\u00e1 modificada at\u00e9 chegarmos ao que querem as pessoas que ir\u00e3o morar no local&#8221;, diz \u00c1lvaro Pereira.<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3ria apagada<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da reconstru\u00e7\u00e3o do distrito e da previs\u00e3o de que todos os moradores sejam indeizados pela Samarco, Tcharle lamenta aquilo que dinheiro nenhum permitir\u00e1 que ele tenha de volta.<\/p>\n<p>&#8220;Casa voc\u00ea constr\u00f3i outra. O que n\u00e3o se constr\u00f3i s\u00e3o lembran\u00e7as. A lama levou. Passou o Dia das Crian\u00e7as, procurei uma foto da minha inf\u00e2ncia e n\u00e3o achei. N\u00e3o tenho mais fotos, n\u00e3o tenho lembran\u00e7as&#8221;, se emociona. Ele lembra em detalhes o dia da trag\u00e9dia. Apesar de avisado com anteced\u00eancia pelo irm\u00e3o, que \u00e9 funcion\u00e1rio da Samarco, ele n\u00e3o tinha ideia sobre a propor\u00e7\u00e3o que a trag\u00e9dia alcan\u00e7aria.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s apenas ficamos um pouco alertas, mas bem tranquilos. De repente um helic\u00f3ptero dos bombeiros voou baixo e pousou no campo. Ali eu entendi que tinha sido grave, porque isso nunca aconteceu&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o pedreiro, o helic\u00f3ptero atraiu as pessoas e um bombeiro avisou que as pessoas tinham cinco minutos pra chegar na parte mais alta do distrito, onde fica o cemit\u00e9rio. &#8220;N\u00f3s t\u00ednhamos v\u00e1rios cachorros. E rapidamente prendemos eles numa parte mais alta, acreditando que iam se salvar. Quando a lama chegou em Paracatu, j\u00e1 era noite. N\u00f3s ouv\u00edamos os sons desesperados dos cachorros, dos porcos e das galinhas sendo arrastados. Foi uma pena. Talvez se tiv\u00e9ssemos deixado os cachorros soltos, eles teriam conseguido fugir&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p><strong>Legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os novos distritos estar\u00e3o totalmente adequados \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o vigente. \u00c1lvaro Pereira destaca que nas comunidades antigas havia, por exemplo, edifica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o respeitavam a dist\u00e2ncia m\u00ednima legal para o vizinho. &#8220;O Plano Diretor Municipal de Mariana estabelece que o menor lote \u00e9 de 250 metros quadrados. N\u00f3s encontramos fam\u00edlias que possu\u00edam lote de 90 metros quadrados. Neste caso, estas fam\u00edlias receber\u00e3o um lote de 250 metros quadrados&#8221;, diz o engenheiro.<\/p>\n<p>Circulando em Mariana, n\u00e3o \u00e9 incomum ouvir diversos moradores opinarem que os atingidos estariam satisfeitos em morar na zona urbana e que muitos certamente n\u00e3o voltar\u00e3o \u00e0 zona rural quando o novo distrito for entregue. Tcharle discorda. Ele diz que n\u00e3o tem a menor pretens\u00e3o de se fixar em Mariana e relata dificuldades financeiras, uma vez que o aux\u00edlio da Samarco \u00e9 inferior \u00e0 sua antiga renda .<\/p>\n<p>&#8220;Na zona urbana de Mariana tudo \u00e9 comprado. Aqui voc\u00ea tem que comprar uma folha de couve, sendo que l\u00e1 em Paracatu voc\u00ea ia na sua horta e pegava. Voc\u00ea tem que comprar um ovo, que l\u00e1 voc\u00ea tinha no galinheiro. Voc\u00ea tinha porco e agora tem que ir no a\u00e7ougue. N\u00f3s t\u00ednhamos forno a lenha e minha m\u00e3e fazia merenda, mas aqui temos que ir na padaria. Aqui tudo \u00e9 no dinheiro&#8221;, compara.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passado um ano do rompimento da barragem de Fund\u00e3o, a reconstru\u00e7\u00e3o dos distritos de Mariana (MG) devastados pelo acidente ainda est\u00e1 no papel. As obras dever\u00e3o ter in\u00edcio apenas em 2018 e as comunidades dever\u00e3o ser entregues entre 2018 e 2019. 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