{"id":100088,"date":"2016-10-25T20:07:19","date_gmt":"2016-10-25T23:07:19","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=100088"},"modified":"2016-10-25T20:31:00","modified_gmt":"2016-10-25T23:31:00","slug":"governador-valadares-registra-primeira-morte-por-leishmaniose-em-2016-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=100088","title":{"rendered":"Governador Valadares registra primeira morte por leishmaniose em 2016"},"content":{"rendered":"<p>Um beb\u00ea de cinco meses morreu nessa segunda-feira (24\/10\/2016) por leishmaniose, no Hospital Municipal de Governador Valadares (MG). A crian\u00e7a Valentina Souza Mendes havia sido internada no \u00faltimo fim de semana e passava por tratamento. Este \u00e9 o primeiro caso de morte na cidade em 2016. No mesmo hospital, uma crian\u00e7a de dois anos segue internada, diagnosticada com leishmaniose visceral.<\/p>\n<p>Segundo a Assessoria de comunica\u00e7\u00e3o da Prefeitura, neste ano foram registrados 15 casos de leishmaniose em humanos. Em 2015, foram registrados 17 casos e duas mortes em decorr\u00eancia da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/hmgv.jpg\" alt=\"\" \/><em>Crian\u00e7a faleceu no hospital municipal (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 a leishmaniose visceral?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma doen\u00e7a infecciosa sist\u00eamica, caracterizada por febre de longa dura\u00e7\u00e3o, aumento do f\u00edgado e ba\u00e7o (hepatoesplenomegalia), perda de peso, fraqueza, redu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a muscular, anemia e outras manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pessoas residentes em \u00e1reas onde ocorrem casos de leishmaniose visceral, ao sentirem esses sintomas devem procurar o servi\u00e7o de sa\u00fade mais pr\u00f3ximo a sua casa o quanto antes, pois o diagn\u00f3stico e o tratamento precoce evitam o agravamento da doen\u00e7a, que pode ser fatal se n\u00e3o for tratada.<\/p>\n<p><strong>Como se transmite a leishmaniose visceral?<\/strong><\/p>\n<p>A transmiss\u00e3o acontece quando f\u00eameas de insetos flebotom\u00edneos infectados picam c\u00e3es ou outros animais infectados e depois pica o homem transmitindo  o protozo\u00e1rio Leishmania chagasi.<\/p>\n<p><strong>Como s\u00e3o chamados os insetos que transmitem a LV? E quais suas principais caracter\u00edsticas?<\/strong><\/p>\n<p>Os transmissores da LV s\u00e3o insetos denominados flebotom\u00edneos e conhecidos popularmente como mosquito palha, asa-dura, tatuquiras, birigui, dentre outros. O nome cient\u00edfico da esp\u00e9cie de flebotom\u00edneo mais importante para a transmiss\u00e3o da LV \u00e9 Lutzomyia longipalpis.<\/p>\n<p>Estes insetos s\u00e3o pequenos e t\u00eam como caracter\u00edsticas a colora\u00e7\u00e3o amarelada ou de cor palha e, em posi\u00e7\u00e3o de repouso, suas asas permanecem eretas e semiabertas.<\/p>\n<p>O ciclo biol\u00f3gico do vetor ocorre no ambiente terrestre e passa por 4 fases: ovo, larva, pupa e adulto (forma alada). Desenvolvem-se em locais \u00famidos, sombreados e ricos em mat\u00e9ria org\u00e2nica (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favore\u00e7am a umidade do solo, locais onde os flebotom\u00edneos se desenvolvem). O desenvolvimento do ovo \u00e0 fase adulta ocorre em cerca de 30 dias.<\/p>\n<p>As formas adultas abrigam-se nos mesmos locais dos criadouros e em anexos peridomiciliares, principalmente em abrigos de animais dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Somente as f\u00eameas se alimentam de sangue, pois necessitam de sangue para o desenvolvimento dos ovos e sugam uma ampla variedade de animais vertebrados.<\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 predominantemente noturna. Tanto o macho quanto a f\u00eamea tendem a n\u00e3o se afastar muito de seus criadouros ou locais de abrigo podendo se deslocar at\u00e9 cerca de 1 quil\u00f4metro, com a expressiva maioria n\u00e3o indo al\u00e9m dos 250 metros. O tempo de vida (longevidade) da f\u00eamea \u00e9 estimado, em m\u00e9dia, em 20 dias.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel combater o inseto transmissor? Quais a\u00e7\u00f5es podem ser feitas para evit\u00e1-lo e control\u00e1-lo?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Especialmente com o apoio da popula\u00e7\u00e3o, no que diz respeito \u00e0 higiene ambiental (manejo ambiental). Ou seja, por meio de limpeza peri\u00f3dica dos quintais, retirada da mat\u00e9ria org\u00e2nica em decomposi\u00e7\u00e3o (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favore\u00e7am a umidade do solo, locais onde os flebotom\u00edneos se desenvolvem) e destino adequado do lixo org\u00e2nico, a fim de impedir o desenvolvimento das formas imaturas dos flebotom\u00edneos; limpeza dos abrigos de animais dom\u00e9sticos, al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o de animais dom\u00e9sticos distantes do domic\u00edlio, especialmente durante a noite, de modo a reduzir a atra\u00e7\u00e3o dos flebotom\u00edneos para o intradomic\u00edlio.<\/p>\n<p>Outra forma de controle do inseto transmissor \u00e9 por meio do uso de inseticida (aplicado nas paredes de domic\u00edlios e abrigos de animais). Por\u00e9m a sua indica\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas para as \u00e1reas com elevado n\u00famero de casos como munic\u00edpios de transmiss\u00e3o intensa (m\u00e9dia de casos humanos dos \u00faltimos 3 anos acima de 4,4), moderada (m\u00e9dia de casos humanos dos \u00faltimos 3 anos acima de 2,4) ou em surto de LV.<\/p>\n<p>Ressalta-se que esta medida \u00e9 direcionada apenas para o inseto adulto, da\u00ed a import\u00e2ncia de desenvolver a\u00e7\u00f5es de manejo ambiental de forma a destruir os locais de desenvolvimento das formas imaturas do vetor (ovos, larvas e pupa).<\/p>\n<p><strong>A LV tem tratamento em seres humanos?<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de grave, a Leishmaniose Visceral (LV) tem tratamento para os humanos. Ele \u00e9 gratuito e est\u00e1 dispon\u00edvel na rede de servi\u00e7os do Sistema \u00danico de Sa\u00fade e baseia-se na utiliza\u00e7\u00e3o de tr\u00eas f\u00e1rmacos a depender da indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica: o antimoniato de N-metil glucamina (Glucantime\u00ae), a anfotericina B e a anfotericina B lipossomal.<\/p>\n<p><strong>E para os c\u00e3es? Existe tratamento eficaz?<\/strong><\/p>\n<p>O tratamento da Leishmaniose Visceral Canina (LVC) traz riscos para a Sa\u00fade P\u00fablica por contribuir com a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, pois os c\u00e3es n\u00e3o s\u00e3o curados parasitologicamente, permanecendo como reservat\u00f3rios do parasito, al\u00e9m do risco de desenvolvimento e dissemina\u00e7\u00e3o de cepas de parasitos resistentes \u00e0s poucas medica\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para o tratamento da leishmaniose visceral humana.<\/p>\n<p>Os medicamentos utilizados atualmente para tratar a LV n\u00e3o eliminam por completo o parasito nas pessoas e nos c\u00e3es, no entanto, no Brasil o homem n\u00e3o tem import\u00e2ncia como reservat\u00f3rio, ao contr\u00e1rio do c\u00e3o que \u00e9 o principal reservat\u00f3rio do parasito em \u00e1rea urbana. Portanto, nos c\u00e3es, o tratamento pode at\u00e9 resultar no desaparecimento dos sinais cl\u00ednicos, por\u00e9m os mesmos ainda continuar\u00e3o como fontes de infec\u00e7\u00e3o para o vetor, e, portanto um risco para sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o humana e canina.<\/p>\n<p><strong>A eutan\u00e1sia de c\u00e3es \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A eutan\u00e1sia \u00e9 recomendada como uma das formas de controle da Leishmaniose Visceral (LV), mas deve ser realizada de forma integrada com as demais a\u00e7\u00f5es recomendadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS). Vale ressaltar que a mesma \u00e9 indicada como forma de controle por meio de inqu\u00e9ritos censit\u00e1rios apenas para munic\u00edpios com transmiss\u00e3o moderada e intensa, o que atualmente equivale a 251 munic\u00edpios no Brasil.<\/p>\n<p>Existem formas de prevenir a infec\u00e7\u00e3o tanto no c\u00e3o quanto no homem. Para tanto \u00e9 fundamental a limpeza de quintais atrav\u00e9s da retirada de mat\u00e9ria org\u00e2nica (folhas, troncos, restos de vegeta\u00e7\u00e3o), lixo, limpeza peri\u00f3dica dos abrigos de animais dom\u00e9sticos e, se poss\u00edvel, manter os abrigos de animais afastados da casa. Lembrando que, para que a transmiss\u00e3o da LV ocorra \u00e9 preciso ter a presen\u00e7a do inseto flebotom\u00edneo, por isso devemos manter a higiene permanente do ambiente de forma a reduzir ou eliminar os potenciais criadouros destes insetos, consequentemente, promovendo a prote\u00e7\u00e3o dos c\u00e3es e dos seres humanos contra a doen\u00e7a. Recomenda-se tamb\u00e9m, como forma de impedir que o vetor se instale no intradomic\u00edlio, o uso de telas de malha fina em janelas e portas.<\/p>\n<p>Existem outras ferramentas preventivas que merecem ser melhor avaliadas do ponto de vista do uso em sa\u00fade p\u00fablica. Uma dessas ferramentas \u00e9 a coleira impregnada com deltametrina a 4%. O MS est\u00e1 financiando um estudo para avaliar o impacto do uso dessa ferramenta no controle da LV humana em munic\u00edpios de transmiss\u00e3o intensa do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Existem vacinas contra leishmaniose visceral canina no Brasil? O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade recomenda o seu uso?<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente existe uma vacina antileishmaniose visceral canina em comercializa\u00e7\u00e3o no Brasil. Os resultados do estudo apresentado pelo laborat\u00f3rio produtor da vacina atendeu \u00e0s exig\u00eancias da Instru\u00e7\u00e3o Normativa Interministerial n\u00b0 31 de 09 de julho de 2007, o que resultou na manuten\u00e7\u00e3o de seu registro pelo Minist\u00e9rio da Agricultura Pecu\u00e1ria e Abastecimento. No entanto, n\u00e3o existem estudos que comprovem a efetividade do uso dessa vacina na redu\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia da leishmaniose visceral em humanos. Dessa forma, o seu uso est\u00e1 restrito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o individual dos c\u00e3es e n\u00e3o como uma ferramenta de Sa\u00fade P\u00fablica. <\/p>\n<p>A vacina est\u00e1 indicada somente para animais assintom\u00e1ticos com resultados sorol\u00f3gicos n\u00e3o reagentes para leishmanioses visceral. Cabe destacar que o imunobiol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico instrumento de preven\u00e7\u00e3o individual da leishmaniose visceral canina (LVC) e que outras medidas devem ser adotadas, conforme normatiza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Os animais que apresentarem sinais cl\u00ednicos compat\u00edveis com LVC e\/ou rea\u00e7\u00f5es sorol\u00f3gicas reagentes estar\u00e3o pass\u00edveis das medidas sanit\u00e1rias vigentes.<\/p>\n<p><em>(Fonte: G1 e Portal da Sa\u00fade)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um beb\u00ea de cinco meses morreu nessa segunda-feira (24\/10\/2016) por leishmaniose, no Hospital Municipal de Governador Valadares (MG). A crian\u00e7a Valentina Souza Mendes havia sido internada no \u00faltimo fim de semana e passava por tratamento. Este \u00e9 o primeiro caso de morte na cidade em 2016. 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