Imagine, em um ano, uma redução de 160 mil reais em despesas administrativas para o pagamento de energia elétrica no IFMG? A Instituição está dando um enorme passo rumo à sustentabilidade: trata-se da implantação das usinas fotovoltaicas dedicadas à geração de energia.
Há atualmente, no Instituto, oito usinas implantadas, localizadas nos campi Bambuí, Formiga, Ribeirão das Neves, Betim, Ouro Preto, Congonhas, Governador Valadares e São João Evangelista. Em Betim, o sistema já foi instalado e aguarda apenas a conexão à rede pela concessionária; nas demais, a produção está em pleno vapor. Os critérios para escolha das localidades incluíram, principalmente, o nível de incidência solar e a infraestrutura mínima necessária. Além disso, as usinas foram agrupadas por região, de modo que haja dois campi contemplados em cada uma delas.
Mas afinal, o que é uma usina fotovoltaica?
É um sistema capaz de gerar energia elétrica por meio da radiação do sol. Em termos gerais, funciona da seguinte forma: a energia solar incide sobre os painéis fotovoltaicos que, instalados estrategicamente (em sua maioria, em telhados), são responsáveis por captar e transformar essa energia em energia elétrica.
As placas solares estão ligadas umas às outras e têm como função converter a energia solar em energia elétrica contínua. Para que esta possa ser utilizada, as placas são conectadas a um inversor, que converte a energia elétrica contínua em alternada, podendo, assim, ser utilizada no próprio local de geração. O excedente é distribuído pela concessionária (já que todo o sistema está conectado à rede). Nos locais onde há usinas instaladas, há um medidor de grandezas elétricas, popularmente conhecido como “relógio”, encarregado de medir tanto a energia advinda da distribuidora quanto aquela que é gerada localmente (medidor bidirecional). A grande vantagem do sistema é a redução da quantidade de energia que é comprada.
Vídeo sobre as usinas fotovoltaicas do IFMG
Como tudo começou?
O processo licitatório para aquisição das usinas no Instituto foi possível por meio de adesão a um pregão do IF do Rio Grande do Norte, em outubro de 2015, após análise interna da viabilidade de implantação. A iniciativa, tanto no IFMG quanto em outros IFs, é monitorada pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) que, em 2015, emitiu portaria aos órgãos da administração pública, ressaltando a necessidade do estabelecimento de boas práticas de gestão e uso de energia elétrica e água.
Em consonância com o MPOG, em agosto de 2016 houve a criação, no IFMG, da Comissão Interna de Eficiência Energética – CIEE (Portaria nº 1003), para o desenvolvimento de ações destinadas ao uso racional de energia elétrica. Os recursos financeiros para a instalação das usinas, de aproximadamente R$ 192 mil para cada uma, são provenientes da Reitoria.
A empresa responsável pela implantação das usinas é a Alsol Energias Renováveis S.A. Pelo contrato, também está prevista a capacitação técnica dos envolvidos, tanto nos campi quanto na Reitoria do IFMG. Até o momento, estão habilitados o presidente da CIEE e diretor-geral do Campus Ribeirão das Neves, Charles Diniz; e o coordenador de Manutenção Institucional do IFMG, Nagem Sabbagh. Nos oito campi em que há os sistemas fotovoltaicos, estão sendo feitos estudos para direcionar equipes tanto para acompanhamento operacional e pesquisa quanto para manutenção desses sistemas de geração de energia. Os treinamentos serão realizados pela Alsol e estão previstos para o mês de abril.
O pró-reitor de Administração e Planejamento do IFMG, Leandro Antônio da Conceição, afirma que, além de treinar os servidores para operar os equipamentos, a empresa “está interessada em parcerias para cursos na área, devido à carência de mão de obra qualificada no mercado de trabalho”, explica.
Geração de energia e sustentabilidade
De acordo com Charles Diniz, cada usina tem vida útil de, aproximadamente, 25 anos de produção. Porém, esse período pode se estender caso haja operação e manutenção corretas do equipamento. Ele explica que o tempo necessário para que o investimento aplicado possa ser recuperado gira em torno de sete a sete anos e meio, em condições ambientais favoráveis, tais como temperatura ideal e índice de radiação solar.
“Nos locais onde o índice solarimétrico é maior e onde existem menos nuvens, há maior incidência solar. Sobre a temperatura do ambiente, é preciso ressaltar que a ideal gira em torno dos 25 graus. Temperaturas muito acima desse valor podem provocar perdas significativas: aquecimento das placas, aumento da temperatura dos condutores e também do transformador e inversor, sendo que, no limite, podem até desligar a proteção do sistema de geração”, destaca Nagem Sabbagh.
Nos campi, como o medidor presente nas usinas é bidirecional, é possível verificar tanto a energia gerada pelos sistemas fotovoltaicos quanto a consumida. “Caso consigamos gerar uma quantidade maior do que o consumido, o excedente ficará como crédito para a Instituição, em um prazo de até cinco anos para utilização. Isso porque a legislação brasileira ainda não permite a comercialização desse excedente”, esclarece Charles. Vale destacar que é possível utilizar tal quantitativo de um campus para outro, caso o CNPJ cadastrado na concessionária seja o mesmo.
A expectativa, ainda segundo Charles, é a de que o IFMG alcance, em breve, a autossuficiência em geração de energia elétrica, devido às ações em andamento da CIEE. Para ele, a economia é fator preponderante para a iniciativa: “se, em média, uma usina gera 150kw/h por dia – a depender das condições climáticas e regionais – teremos, por ano, uma economia em torno de R$ 20 mil reais em cada uma delas. Ainda geramos pouca energia, mas pretendemos avançar nesse sentido”, sinaliza. Ele acrescenta, ainda, que a Setec/MEC acaba de lançar um programa (EnergIF), que pretende apoiar as iniciativas dos IFs para implementação desse tipo de projeto.
Para Nagem, a vantagem mais significativa é que a energia gerada pelo sistema fotovoltaico é limpa e 100% renovável, além de ser livre de gases causadores do efeito estufa. “É um passo grande e importante para alcançarmos não só a eficiência energética como também a sustentabilidade em nossa Instituição”, acentua.
“A implantação das usinas de energia fotovoltaica representa uma nova porta de acesso à pesquisa, formação de mão de obra e, consequentemente, redução de gastos para o Instituto. Essa ação também é estratégica, pois visa à sustentabilidade energética de todas as instalações do IFMG”, aponta o pró-reitor, Leandro. Ele acrescenta que a iniciativa faz parte do esforço da atual gestão para a promoção de boas práticas, como determina a portaria do MPOG.
De acordo com o reitor do Instituto, Kléber Gonçalves Glória, “tendo em vista que as características e finalidades do IFMG são fortemente voltadas para tecnologia e inovação, é primordial a busca por estratégias e ações que visem a sustentabilidade”. “Nesse sentido, uma das principais ações consiste no investimento em energias renováveis, através do programa de implantação de usinas de geração fotovoltaicas”, completa.
Economia revertida em ações
Ainda não há, segundo Charles, definições precisas quanto à aplicação dos recursos financeiros proporcionados pela economia no consumo de energia elétrica – a partir da geração própria no IFMG. “Ainda estamos na fase inicial do processo, mas, em longo prazo, é possível pensar em reverter o orçamento para projetos que envolvam, sobretudo, ações ligadas ao ensino, à pesquisa e à extensão. Está sendo discutida, inclusive, a criação de um centro de treinamento em energia solar para a formação de mão de obra e realização de estudos na área”, finaliza.
Curiosidades…
– As usinas geraram, até a publicação dessa reportagem, quase 40 mil kWh. Isso daria, por exemplo, para manter 250 residências por um mês, se for considerado o consumo médio brasileiro.
– Cada usina ocupa uma área aproximada de 180m2 dos telhados dos campi.
– Existem, hoje, cerca de 110 paineis fotovoltaicos em cada uma das usinas. A potência de cada usina, considerando-se o ponto máximo de capacidade, está entre 25 kWp e 28kWp (Kilowatt pico).
– Todas as usinas foram instaladas sobre telhado, com exceção dos campi Bambuí e Betim (parcial), em função de questões técnicas e financeiras.
Relatórios sinalizam potencial das usinas
Por meio de relatórios diários recebidos, os campi têm condições de verificar a quantidade de energia solar gerada pela usina, a quantidade de gás carbônico não emitido, além do equivalente, em reais, da economia de energia elétrica. A seguir, dados referentes ao dia 6 de março, apenas como referência:
|
CAMPUS |
Rendimento (energia) |
Economia (em reais) |
Redução de CO2 |
| Bambuí** |
143,9 kwh |
R$ 61,4 |
100,7 kg |
| Congonhas |
119,3 kWh |
R$ 52,4 |
83,51 kg |
| Formiga |
152,7 kWh |
R$ 62,6 |
106,9 kg |
| Governador Valadares |
163,8 kWh |
R$ 78,6 |
114,6 kg |
| Ouro Preto |
116,7 kWh |
R$ 47,8 |
81,7 kg |
| Ribeirão das Neves |
158,7 kWh |
R$ 63,4 |
111,1 kg |
| São João Evangelista |
152,7 kWh |
R$ 64,1 |
106,9 kg |
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(Fonte: Site Oficial do IFMG)