Deputado mineiro diz que não teme ser expulso do PMDB por aceitar ministério

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Ameaçado de ser expulso do PMDB por contrariar a decisão do partido para que nenhum filiado assuma cargos na administração federal até que o diretório nacional decida se o PMDB deixará o governo e entregará todos os cargos que detém, o novo ministro da Secretaria da Aviação Civil (SAC), Mauro Lopes, disse estar tranquilo e não temer a expulsão.

“O conflito que houver no PMDB eu vou ter habilidade [para resolver]”, disse o ministro, ao fim da cerimônia de transmissão do cargo, em Brasília, hoje (17).

Lopes ressaltou que sempre respeitou as normas do PMDB e que as “divergências” são naturais em um momento político como o atual, principalmente no seio de um “partido grande, com pensamentos diversos e liberdade de expressão e pensamento”.

“O PMDB tem, sim, dois lados, mas posso dizer que a maioria me conhece, sabe da minha idoneidade e de minha lealdade com o partido. Estou pronto a aguardar qualquer decisão do partido e fazer os devidos esclarecimentos”, afirmou o ministro. Ele esclareceu que foi indicado para a SAC pelo líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ).

Perguntado se o governo Dilma teria condições políticas de conciliar os “dois lados” do PMDB e conter a debandada no partido, Lopes respondeu que a legenda é “o partido da governabilidade”. “Essa conciliação vai ocorrer internamente. Neste momento difícil que o Brasil está passando, temos que pensar no país, na reorganização, na geração de empregos, na retomada do setor produtivo. E o PMDB sempre foi o partido das horas difíceis. O PMDB participou de todos os governos”, acrescentou o ministro.

Em relação à escolha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chefiar a Casa Civil, Mauro Lopes disse que, “afastadas as divergências políticas e deixando-o trabalhar em prol do Brasil”, Lula ajudará o país a superar as atuais dificuldades econômicas.

Lopes e Lula foram empossados na manhã desta quinta-feira pela presidenta Dilma Rousseff, em cerimônia no Palácio do Planalto.

Enquanto o evento transcorria, o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto, da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, atendeu a uma ação popular e suspendeu, em caráter liminar, ou seja, temporário, a posse de Lula na Casa Civil, ou em “qualquer outro que lhe outorgue prerrogativa de foro”.

Para Catta Preta, a posse de Lula implicaria “intervenção direta, por ato da presidenta da República, em órgãos do Poder Judiciário, com o deslocamento de competências”, o que, “ao menos, em tese, pode indicar o cometimento ou tentativa de crime de responsabilidade”. “A judicialização [da política] é um problema do Poder Judiciário. Eu aqui, agora, vou cuidar do meu trabalho”, respondeu o ministro.

Cabe recurso da decisão liminar, e a Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que vai recorrer.

Dilma aplaude o novo ministro da SAC, Mauro Lopes (Roberto Stuckert Filho/PR)

Governo afronta decisão do PMDB nomeando Mauro Lopes, diz Temer

O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, não compareceu hoje (17) à cerimônia de posse coletiva no Palácio do Planalto, entre elas a do deputado federal peemedebista Mauro Lopes (MG) como novo ministro da Secretaria de Aviação Civil.

“O vice-presidente não vai participar da cerimônia em Brasília porque o governo resolveu afrontar uma decisão da convenção nacional do PMDB nomeando Mauro Lopes”, disse, em nota, a assessoria de imprensa de Temer.

No sábado (12), a convenção do PMDB proibiu membros da sigla de assumir cargos no governo federal em um período de 30 dias. Ontem (16), Lopes disse que recebeu total apoio do partido para assumir a pasta e que a decisão não contraria a determinação da convenção do PMDB.

(Agência Brasil)

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