Crianças carentes do Norte de Minas recebem brinquedos produzidos por detentos

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No último fim de semana (7 e 8/9), brinquedos e jogos de madeira, produzidos dentro das marcenarias instaladas no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, e na Penitenciária José Edson Cavalieri, em Juiz de Fora, chegaram às mãos de crianças de três cidades do Norte de Minas: São João das Missões, Bonito de Minas e Juvenília. As peças foram entregues por cerca de 150 voluntários da Organização Não Governamental (ONG) Amigos de Minas, junto com 25 mil quilos de alimentos e 850 quilos de roupas arrecadados pela instituição. Todos os brinquedos foram produzidos por presos, desde o corte da madeira até polia e pintura.

Durante a entrega, feita pelos voluntários da ONG, os irmãos Elenilson e Ariel, 8 e 11 anos respectivamente, escolheram carrinhos de madeira e já saíram brincando pelo quintal da casa, na Comunidade Catinguinha, situada dentro da Reserva Indígena dos Xacriabás, em São João das Missões. O município tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Minas Gerais, por isso foi um dos escolhidos pela ONG Amigos de Minas para receber as doações.

A superintendente de Humanização do Atendimento, Louise Bernardes França, do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), considera a doação dos brinquedos de altíssima relevância para os presos e a sociedade. “Para os presos, significa incentivo para continuidade da contribuição social, por meio de seu trabalho. Já para a sociedade, demonstração dos frutos positivos alcançados pela ressocialização dos recuperandos”, destaca a superintendente. O projeto é uma iniciativa do Depen MG, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), viabilizado pela Diretoria de Trabalho e Produção.

Tamyres Cristina Oliveira, 25 anos, é uma das voluntárias que percorreu mais de uma hora em estrada de terra, na carroceria de um caminhão, para fazer as doações em São João das Missões. Ela atua nesta missão há mais de três anos, já participou de dez entregas desde a entrada no grupo e, desta vez, ainda levou o pai e a mãe para trabalharem voluntariamente. “Os brinquedos são muito bem feitos e ainda trazem um grande valor agregado. As crianças adoraram, especialmente por serem de madeira e coloridos” destaca.

Fábrica da Alegria

A maior parte dos brinquedos doados no Norte de Minas foi confeccionada com madeira ilegal, apreendida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). O projeto Fábrica da Alegria começou na Penitenciária José Edson Cavalieri, por iniciativa do Tribunal de Justiça, e em seguida foi implantado no Complexo Penitenciário Nelson Hungria.

As peças criadas e fabricadas por presos já estão presentes na brinquedoteca do Hospital da Baleia, na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente e na Delegacia de Plantão Especializada em Atendimento à Mulher, dentre outras instituições. Eles trazem um pouco de alegria e distração para as crianças, que precisam dos serviços de entidades e órgãos públicos.

Duas outras unidades prisionais passaram a integrar, recentemente, o Projeto Fábrica da Alegria: as penitenciárias de Três Corações, no Sul de Minas, e a Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, com a produção de peças em suas oficinas.

Foto: Dirceu Aurélio / Reprodução Agência Minas

Amigos de Minas

A ONG Amigos de Minas foi criada em 2001, por Idair Antônio Vieira após a perda de um de seus filhos em um acidente de carro. Com o dinheiro recebido pelo seguro DPVAT, ele e a família decidiram ajudar com alimentos famílias necessitadas da cidade de Pai Pedro, no Norte de Minas.

Na entrega das doações no último fim de semana foi necessária a utilização de duas carretas para o transporte de todo o material, mais os veículos de apoio. Foram cerca de 1,5 mil pessoas envolvidas em arrecadação, separação de material, empacotamento, carregamento das carretas, mobilização de recursos e distribuição. A próxima entrega será em dezembro, e toda a logística dobra de tamanho.

“É um trabalho transformador!”, considera Marlene Valverde, voluntária da ONG, desde a fundação. Ela conhece as histórias de vida de centenas de moradores dos municípios atendidos, e continua viajando em caminhões e caminhonetes, levando alimentos e esperança pelo Norte de Minas.

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