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Ainda não há recursos para restauração do vapor Benjamim Guimarães

Impasses para a restauração do vapor Benjamim Guimarães, única embarcação do tipo ainda em operação no mundo, passam pela conclusão do projeto técnico e pela captação de recursos. Os esclarecimentos foram dados pela presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), Michele Abreu Arroyo, em audiência pública da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na quarta-feira (17/4/19).





Originalmente, a embarcação foi construída em 1913, nos Estados Unidos. O barco navegou no Rio Mississipi e, posteriormente, em rios da Bacia Amazônica. Na segunda metade da década de 1920, a firma Júlio Guimarães adquiriu o vapor e o montou no porto de Pirapora (Norte de Minas), rebatizando o navio em homenagem ao patriarca da família proprietária da empresa. A partir de então, o vapor passou a realizar viagens ao longo do Rio São Francisco e afluentes.

O Benjamim Guimarães possui três pisos: no primeiro, encontra-se a casa de máquinas, caldeira, banheiros e uma área para abrigar passageiros. No segundo, estão instalados doze camarotes e, no terceiro, um bar e área coberta. Tem capacidade para 170 pessoas, entre tripulantes e passageiros, e consome um metro cúbico de lenha por hora. Historicamente realizava a viagem entre Minas e Bahia, saindo da cidade de Pirapora até Juazeiro.

O vapor está desativado desde 2014, e se encontra em avançado estágio de deterioração, o que inviabilizou até mesmo os passeios turísticos realizados entre as cidades da região. A determinação da Marinha do Brasil levou em conta o grave comprometido do casco que precisará ser totalmente substituído. A operação vai exigir inclusive a retirada do barco das águas do Velho Chico para que seja levado a um estaleiro.

Segundo Michele Arroyo, o custo da reparação é de aproximadamente R$ 3 milhões. Para captar esses recursos, ela explica que será necessário primeiro concluir o processo de licitação, que implica a finalização de planilha com a previsão dos serviços a serem executados e os respectivos valores. Ela conta que o Iepha tem enfrentado enorme desafio devido à especificidade do objeto.

A planilha usada como modelo nos processos licitatórios do instituto foi pensada de acordo com os parâmetros da engenharia civil, não para a reforma de bens como o vapor, explica a gestora. Sem adequar tecnicamente o instrumento, ela diz que não haveria segurança jurídica para dar andamento aos procedimentos.

Só depois de finalizada essa etapa, pode-se estabelecer termos de parceria para obter, por exemplo, o material necessário à construção do casco, informa a presidente do instituto. No entanto, o engenheiro naval, Odair Thadeu Sanguino, contratado por meio de carta-convite (após três licitações não receberam proposta), alerta que “o estado precário do vapor não vai esperar; a embarcação pode estar no fundo do rio até la”.

Foto: Ivan Rodrigues/SEC-MG

Medidas de emergência serão necessárias

Até que a planilha, o processo licitatório e os recursos sejam obtidos, reparos emergenciais serão necessários para que se evite a perda do patrimônio, tombado desde 1985. Odair Sanguino disse que, sobretudo o casco, deve passar por intervenções porque já está entrando água na embarcação. Sugeriu ainda que a Capitania Fluvial de Minas Gerais avalie o vapor e indique as providências a serem tomadas de imediato.

Além dessa avaliação, foi proposta a formação de grupo de trabalho para a revisão e adequação técnica do projeto, em especial, da planilha que se encontra pendente. O capitão-tenente da Marinha, Luciano Ivan Corrêa Duro, afirmou que a instituição está disposta a cooperar com o que for possível. “Estamos aguardando a demanda”, ressalta o oficial.

A presidente do Iepha, Michele Abreu Arroyo, e o enenheiro naval, Odair Sanguino, também demonstraram interesse em compor o grupo e somar esforços e conhecimento para concluir o projeto conforme as exigências da legislação.

Desenvolvimento – Marco André de Oliveira Martins Malaquias, Gestor do Circuito Turístico Guimarães Rosa, lamentou o prejuízo financeiro devido ao fim das viagens turísticas realizadas pela embarcação: “O vapor é a âncora do circuito Guimarães Rosa, por meio dele fomentamos a gastronomia, o artesanato e demais atrações culturais da região”.

Ele explica que, com a ausência dos passeios, a receita de turismo reduziu significativamente. Ele conta que o impacto direto chega a R$ 5 milhões, considerando apenas itens como a hospedagem e o ingresso para o vapor.

O deputado André Quintão (PT) pondera que a recuperação do patrimônio histórico e cultural se faz ainda mais relevante “nesse momento em que é necessário diversificar nossa economia”. Para ele, o turismo associado a cultura é uma das alternativas mais viáveis para tanto.

O deputado Mauro Tramonte (Avante) afirma que vai apresentar requerimentos para que a TV Assembleia documente a história do vapor e para que sejam avaliados os riscos da embarcação pela Capitania Fluvial de Minas Gerais.

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(Fonte: ALMG)

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