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Ação na Venezuela é exclusivamente de ajuda humanitária, diz porta-voz

O fechamento da fronteira do Brasil com a Venezuela não afetou o plano do governo brasileiro de distribuição de alimentos e medicamentos para a população venezuelana. O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou hoje (22) que há cerca de 200 toneladas de alimentos, como arroz, feijão, açúcar, café, sal e leite em pó, além de kits de primeiros-socorros “à espera do transporte”.

“A operação brasileira tem caráter exclusivamente de ajuda humanitária, não havendo qualquer interesse de nosso mpaíos em quais quer outras frentes neste momento”, ressaltou.

O porta-voz afastou a hipótese de combate quando questionado sobre os confrontos registrados hoje na região fronteiriça. “Nós não conjecturamos poder de combate”, disse. “Nós não estamos avaliando qualquer possibilidade de ataque neste momento. As operações de fronteira são normais, de proteção do nosso território.”

Transporte

Rêgo Barros disse que existe um caminhão venezuelano em Boa Vista, pronto para o transporte. Segundo o porta-voz, se o caminhão for impedido de entrar em território vizinho, retornará ao Brasil para “uma nova tentativa”.

“Se eventualmente, os caminhões venezuelanos, conduzidos por motoristas venezuelanos, tiverem alguma dificuldade, em dias subsequentes essas tentativas serão retomadas”, afirmou o porta-voz.

Rêgo Barros disse que há uma previsão de disponibilizar 70 caminhões para o transporte de óleo diesel para o abastecimento de usinas na região.

Segurança

Por questões de segurança, agentes brasileiros farão a segurança do transporte apenas em território nacional, passando pela fronteira. Segundo o porta-voz, a responsabilidade na área venezuelana é do presidente interino Juan Guaidó.

De acordo com integrantes do governo federal que atuam diretamente na ajuda humanitária, há mais quatro veículos a caminho da capital de Roraima no esforço de cooperar com a distribuição dos donativos. Somente veículos venezuelanos conduzidos por motoristas da Venezuela vão distribuir a ajuda brasileira está programada para começar amanhã (23).

Desde ontem (22) à noite a fronteira da Venezuela com o Brasil está fechada, por determinação do presidente Nicolás Maduro, cuja reeleição é considerada ilegítima. O Brasil reconhece o deputado oposicionista Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.

Reunião

Bolsonaro convocou reunião na tarde de hoje para tratar do assunto. Sete ministros e representantes de outras três pastas estiveram no encontro. O governador de Roraima, Antonio Denarium, participou por videoconferência. Segundo o porta-voz, a reunião foi para “delinear estratégias para a ação de ajuda humanitária”.

O governo brasileiro enviou hoje uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para o estado, na fronteira com a Venezuela, alimentos e medicamentos para a população venezuelana mas Maduro não quer que a ajuda humanitária internacional entre no país, alegando que os Estados Unidos e os países aliados querem dar um golpe na Venezuela.

Mísseis

Segundo Rêgo Barros, o governo brasileiro não trabalha com a possibilidade do governo venezuelano ter posicionado mísseis apontados para a fronteira com o Brasil. “Sobre o posicionamento de mísseis MK próximos à fronteira, não está confirmado.”

Avião da FAB saiu de Brasília com quase 23 toneladas de leite em pó e 500 kits de primeiros socorros com destino a Boa Vista, Roraima, para a ajuda humanitária colocada à disposição dos venezuelanos – TV NBR/Divulgação


Confrontos na fronteira

O dia começou tenso e com confrontos entre militares e manifestantes na fronteira do Brasil com a Venezuela, que foi fechada por ordem do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. De acordo com parlamentares, duas pessoas morreram e 15 ficaram feridas. Pelo menos sete venezuelanos baleados foram conduzidos para hospitais em Boa Vista, Roraima. As vítimas são indígenas, segundo parlamentares e organizações não governamentais.

O conflito, segundo relatos, ocorreu a 60 quilômetros da fronteira onde há uma comunidade indígena da etnia Pemon, favorável à ajuda humanitária internacional. Como os indígenas tentaram desobstruir a via, impedida pelos militares venezuelanos, os confrontos começaram.

A Secretaria de Saúde de Roraima informou que os cinco feridos foram baleados e transportados em ambulâncias venezuelanas autorizadas a cruzar a fronteira. Eles estão sob observação médica no Hospital Geral de Roraima. Segundo a secretaria, cinco pacientes tiveram de passar pelo centro cirúrgico. Os demais venezuelanos foram atendidos no setor do Grande Traumas e permanecem em observação.

Mortos

Em sua conta no twitter, o deputado federal Americo de Grazia, apoiador do autoproclamado presidente da República, deputado Juan Guaidó, divulgou que dois índios morreram e 15 ficaram feridos durante o enfrentamento com tropas das Forças Armadas, na cidade de Gran Sabana, em Bolívar, próximo à fronteira com o Brasil.

De acordo com a associação civil Kapé Kapé, os cinco feridos são indígenas da comunidade de Kumarakapay. As duas vítimas fatais são identificadas como Zoraida García e Rolando García, que a associação afirma terem sido atingidos por tiros disparados por agentes da Guarda Nacional venezuelana.

“Sem qualquer mediação, os funcionários da Guarda Nacional abriram fogo contra um grupo indígena que tentava impedir a passagem dos militares a fim de garantir a chegada da ajuda humanitária enviada à fronteira com o Brasil”, informa a Kapé Kapé em seu site, pedindo que os fatos sejam investigados a fundo a fim de que os responsáveis pelos disparos sejam identificados.

Justificativa

Após o confronto entre manifestantes e militares, Maduro usou sua conta no Twitter para defender os efetivos repressivos. “Nossas Forças Armadas estão mobilizadas em todo o território nacional para garantir a paz e a integral defesa de nosso país. Todo meu respaldo as Redi [Regiões de Defesa Integral] e às Zodi [Zonas de Defesa Integral]”, escreveu Maduro, afirmando, em outra postagem, que, na fronteira com a Colômbia, “povos indígenas se concentraram em apoio à Revolução Bolivariana”.

O autoproclamado presidente Juan Guaidó também usou o microblog para se solidarizar com os parentes dos dois mortos e com os feridos. O deputado também cobrou um posicionamento dos militares venezuelanos.

“Decidam de que lado estão nesta hora definitiva. A todos os militares: entre hoje e amanhã, vocês definirão como querem ser lembrados. Já sabemos que estão com o povo, vocês deixaram isso muito claro. Amanhã, poderão demonstrar isso”, disse Guaidó, referindo-se à previsão de que a ajuda humanitária enviada à fronteira com o Brasil comece a ser distribuída à população venezuelana neste sábado (23).

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(Fonte: Agência Brasil)

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