Pastora presa em Teófilo Otoni sabia dos riscos que os filhos corriam com o marido, diz MPES

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O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça de Linhares, ofereceu denúncia e solicitou a prisão preventiva do pastor Georgeval Alves, acusado de dois crimes de homicídio qualificado, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual, e Juliana Sales, imputada como coautora dos crimes de homicídio, estupro de vulnerável e fraude processual.

Após a conclusão do Inquérito Policial, o MPES analisou o relatório e solicitou novas diligências à Delegacia de Polícia de Linhares, bem como realizou investigações por meio do Laboratório de Tecnologia (LAB-MPES), que apresentaram provas contundentes contra Georgeval Alves e Juliana Sales. A Ação Penal foi ajuizada em face dos dois réus e a denúncia foi oferecida à Justiça na segunda-feira (18/06).

De acordo com as provas coletadas, Juliana Sales possuía pleno conhecimento do desvio de caráter do marido, da relação conturbada com sua própria sexualidade e do desprezo em relação ao filho e ao enteado. A promotora de Justiça do MPES Rachel Tannenbaum, ao analisar as diligências, afirmou que Juliana sabia dos riscos em deixar os filhos ao cuidado do pastor. “No ordenamento jurídico brasileiro a omissão de uma mãe, que possui o dever legal de zelar e cuidar, tem o desvalor equivalente a uma ação. Juliana conhecia o risco e podia ter evitado o resultado trágico. Com a omissão, ela responde pelo não agir de uma mãe”, afirmou a promotora de Justiça.

Pais de meninos que morreram carbonizados em Linhares (Foto: Rafael Zambe/TV Gazeta)

O MPES também requereu a prisão preventiva de ambos os acusados, também expedida na segunda-feira (18/06). O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Norte do Estado solicitou apoio ao Gaeco de Minas Gerais para atuar na prisão de Juliana na cidade de Teófilo Otoni. Segundo elementos que constam dos pedidos aos magistrados, a ré tentou se furtar da responsabilidade ao sair de Linhares.

O MPES também atuou com a Vara da Infância e Juventude ao ajuizar pedido de medida protetiva – com cópia da denúncia, pedido de prisão e da decisão – para resguardar o único filho sobrevivente do casal.

Os autos seguem em segredo de Justiça. O Ministério Público ressalta que, diante do falecimento das vítimas, deve ser resguarda a intimidade e a dignidade das crianças, mantendo todo o procedimento em sigilo. A audiência de instrução das oitivas das testemunhas deverá será marcada pela Justiça e, ao final do processo, serão submetidas ao Tribunal do Júri.

Crime

O crime aconteceu no dia 21 de abril. Inicialmente, o pastor George Alves, que é pai e padrasto dos meninos, disse que ele morreram em um incêndio que atingiu apenas o quarto onde as vítimas dormiam.

Mas, segundo a polícia, a versão dele não estava de acordo com os fatos apurados durante as investigações.

A Polícia Civil concluiu que o pastor George Alves matou o próprio filho, Joaquim Alves Salles de 3 anos, e o enteado Kauã Salles Butkovsky de 6 anos.

De acordo com as investigações, as crianças foram estupradas, agredidas e queimadas vivas.

No dia do incêndio, a mãe disse que estava em um congresso em Minas Gerais com o filho mais novo do casal.

No enterro dos filhos, ela estava acompanhada de parentes e da polícia, já que tinha solicitado escolta por segurança.

Irmãos morreram carbonizados em incêndio em Linhares (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

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(Fonte: MPES e G1 ES)

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