Planejamento para o desenvolvimento – Coluna Alexandre Sylvio

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Imagine você adquirindo aquele carro importado com tecnologia de primeiro mundo; o carro de seus sonhos. Mas, ao sair da concessionária, você percebe que as ruas de sua cidade são esburacadas, que causam danos a estrutura e a suspensão do carro. Para em um posto de combustíveis para abastecer e a gasolina “batizada” destrói as válvulas e o comando eletrônico do motor. Resolve sair para da um passeio e um meliante encosta a arma na sua cabeça e leva seu carro. Apesar do seguro, é uma situação traumatizante. Neste singelo exemplo podemos constatar três graves problemas de gestão: falha da gestão municipal por deixar ruas esburacadas, falha do governo Federal pela deficiência na fiscalização dos combustíveis e punição aos fraudadores e falha do governo Estadual na segurança permitindo que ladrões atuem com liberdade sem serem importunados. Nestas horas você percebe que aquele seu carrinho velho é a melhor solução e que investir muito dinheiro em um carro de ponta pode não ser vantajoso onde você mora, mesmo que você tenha recursos para adquiri-lo.

Mostramos neste caso como a falta de infra estrutura pode comprometer a economia de uma cidade, de um Estado e de um país. Muitas cidades querem gás natural via tubulação, mas com a falta de indústrias será que o custo benefício compensa? Muitos querem ver as estradas duplicadas, mas será que temos um fluxo de veículos que compense? Queremos aeroportos modernos e vôos para várias regiões do país, mas será que temos público com recursos para isto?

Muitas cidades não conseguem atender ao básico de sua Infraestrutura. Milhares de cidades realizam parcialmente a coleta dos resíduos sólidos nos bairros e ainda depositam estes resíduos em lixões, despejam todo esgoto das cidades nos rios, sem descrever os esgotos que circulam a céu aberto que comprometem a saúde principalmente das crianças e as fossas negras que inviabilizam o uso das águas subterrâneas. A péssima qualidade das estradas vicinais ou de terra, que comprometem o escoamento da produção agropecuária no período das chuvas.

Educação, segurança, saúde, transporte, energia, água, população, tudo faz parte do processo de infra estrutura de uma região que depende da gestão pública. Se os nossos gestores acham que os empresários nacionais ou estrangeiros irão investir bilhões de reais em uma região sem infra estrutura, podem se preparar para a decepção. Enquanto não elaborarem e executarem um planejamento básico adequado para atrair investimentos, os municípios continuarão sofrendo com o desemprego, a criminalidade e o êxodo regional.

Quem é Alexandre Sylvio Vieira da Costa?



– Nascido na cidade de Niterói, RJ;
– Engenheiro Agrônomo Formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro;
– Mestre em Produção Vegetal pela Embrapa-Agrobiologia/Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro;
– Doutor em Produção Vegetal pela Universidade Federal de Viçosa;
– Pós doutorado em Geociências pela Universidade Federal de Minas Gerais;
– Foi Coordenador Adjunto da Câmara Especializada de Agronomia e Coordenador da
Comissão Técnica de Meio Ambiente do CREA/Minas;
– Foi Presidente da Câmara Técnica de eventos Críticos do Comitê da Bacia
Hidrográfica do Rio Doce;
– Atualmente, professor Adjunto dos cursos de Engenharia da Universidade Federal dos
Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Campus Teófilo Otoni;

– Blog: asylvio.blogspot.com.br
– E-mail: alexandre.costa@ufvjm.edu.br

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