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Mais de 40 políticos mineiros aparecem em planilha de contribuições ilegais da Odebrecht

Quarenta e um políticos mineiros aparecem em uma planilha que seria destinada a contribuições ilegais feitas pela Odebrecht entre 2008 e 2014. O documento foi entregue pelo ex-executivo da empresa, Benedicto Júnior, um dos delatores da empresa na Operação Lava-Jato.

O Supremo Tribunal Federal já autorizou a abertura de inquéritos contra três destes políticos e encaminhou pedidos de investigação para outras instâncias nos casos de outros dois.

A planilha repercutiu nesta terça-feira (18) na primeira sessão da Assembleia Legislativa de Minas Gerais depois da divulgação das delações.

Entre os mineiros, o senador Aécio Neves (PSDB), identificado como “Mineirinho” na planilha apresentada na delação, é investigado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, cartel e fraude a licitações.

O senador Antonio Anastasia (PSDB), identificado pelo apelido de “Dengo”, responde a inquérito por corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Também responde a inquérito o deputado Dimas Toledo (PP), suspeito de crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

O pedido de inquérito contra o ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), apelidado de “Poste” pela Odebrecht, será analisado pela Procuradoria da República em Minas Gerais. Segundo os delatores, ele recebeu contribuições eleitorais , via caixa dois, para as campanhas de eleição e reeleição.

Contra o governador Fernando Pimentel (PT), há dois pedidos de abertura de inquérito que ainda serão analisados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo os delatores, Pimentel, identificado pelo apelido “Do Reino”, teria recebido R$ 13,5 milhões, no período em que foi ministro do Desenvolvimento, como pagamento para atender a interesses da empreiteira, como o acesso a atas sigilosas de reuniões do comitê de financiamento e garantia de exportações.

O líder do governo na Casa, Durval Ângelo (PT), disse que estar em uma lista ou ser citado por delator não é conclusão de culpa. “A pessoa tem direito ao amplo direito de defesa, tem direito ao contraditório e é isso que a gente sabe que é a forma que funciona o estado democrático de direito. Então, eu acho que isso em si não muda nada aqui na assembleia”.

Deputados estaduais também aparecem na lista do delator Benedicto Júnior. São cinco parlamentares citados. Apenas o deputado Gustavo Valadares (PSDB) esteve na Casa nesta terça. De acordo com a planilha apresentada na delação, o parlamentar, líder do bloco de oposição, identificado como “Tio”, teria recebido uma doação de R$ 50 mil para defender projetos de interesse da Odebrecht. Informação que ele contesta.

“Em 2010 eu não fui procurado. Não tinha qualquer relacionamento com a empresa. Em 2014, fui procurado por um dos diretores da empresa aqui em Minas Gerais que me concedeu por dentro, declarado, R$ 20 mil no dia 21 de agosto, diretamente da empresa para minha conta de campanha e no dia 22 de agosto mais R$ 80 mil através do PSDB, repassado da empresa para o PSDB e do PSDB para minha conta de campanha, declarados como está na minha declaração da campanha de 2014. Àquela época a empresa Odebrecht era considerada e respeitada como uma das maiores empreiteiras do país. Até então não sabíamos dos ilícitos, dos malfeitos cometidos”, disse.

Na planilha de Benedicto Júnior, que comandava o setor de operações estruturadas da Odebrecht, a deputada estadual Arlete Magalhães (PV) é identificada pelo apelido de “Navalha”. Ela teria recebido três repasses de R$ 25 mil, totalizando R$ 75 mil em doações via caixa dois.

Elismar Prado (PDT), apelidado de “Jornalista”, teria recebido duas parcelas de R$ 50 mil, totalizando R$ 100 mil. Os repasses que constam na planilha da Odebrecht teriam sido feitos em 2010 para que o deputado solicitasse emendas e defendesse projetos de interesse da empresa.

Com o apelido de “Lagarto”, Gil Pereira (PP), teria recebido cinco repasses de R$ 50 mil cada, totalizando R$ 250 mil. Como contrapartida ele também deveria apresentar emendas e defender projetos de interesse da empreiteira.

Assim como o deputado Gustavo Corrêa (DEM), apelidado de “Dentada”, que teria recebido R$ 50 mil em 2010.

A assessoria do senador Aécio Neves (PSDB) disse que as investigações vão comprovar a correção da sua conduta.

O senador Antonio Anastasia (PSDB) afirmou que nunca tratou de assunto ilícito com ninguém.

O deputado federal Dimas Fabiano Toledo (PP) disse que não recebeu recursos da Odebrecht.

O governador Fernando Pimentel (PT) afirmou que jamais participou de qualquer ato ilícito e que se coloca à disposição para todo e qualquer esclarecimento, sempre que forem apresentados os documentos nos quais se fundam as supostas acusações.

A assessoria de Márcio Lacerda (PSB) disse que todos os recursos recebidos pela campanha foram oficialmente declarados e não houve caixa dois.

O deputado estadual Gil Pereira (PP) afirmou que desconhece e repudia toda e qualquer dedução, ilação ou injúria que envolvam sua conduta parlamentar. Ao longo de oito mandatos, Gil pereira disse que sempre pautou sua trajetória política na defesa dos interesses do povo mineiro.

Já o deputado Elismar Prado (PDT) disse que está tranquilo e que não conhece o ex-executivo da Odebrecht, Benedicto Júnior. Elismar ressaltou que sua prestação de contas foi devidamente apresentada e aprovada e que a citação do seu nome na lista de propinas da empreiteira não faz o menor sentido.

O deputado Gustavo Corrêa, que é líder do bloco de oposição Verdade e Coerência, da ALMG, não foi localizado para dar entrevista.

Entramos em contato com a assessoria da deputada Arlete Magalhães (PV), mas não tivemos retorno.

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(Fonte: G1 Minas)

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