Polícia investiga violência contra quilombolas em comunidade no município de Almenara, no Vale do Jequitinhonha

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A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou inquérito para apurar denúncia de violência contra moradores da comunidade quilombola Marobá dos Teixeira, situada no município de Almenara (MG). O caso ocorreu na noite da última sexta-feira (24).

Segundo informações de moradores da área e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), três homens armados e encapuzados torturaram um casal que vive na comunidade. O homem, chamado Jurandir, chegou a ser amarrado em um poste e espancado até desmaiar.

O grupo levou pertences da casa e documentos da associação comunitária, além de papéis relativos aos processos administrativos e judiciais sobre o território quilombola. No texto divulgado para denunciar a ação, os moradores levantam a hipótese do episódio estar relacionado à disputa por terras.

“Acreditamos que isto está ligado ao conflito agrário e às lutas em defesa do território. Em outros momentos, vários momentos de conflitos foram registrados, muitas ameaças já foram feitas, também agressão física e verbal. As burocracias e a omissão dos órgãos de governo e até a morosidade do Judiciário têm contribuído para acirrar o conflito”, diz o texto.

Em nota, a Polícia Civil mineira informou que fez uma perícia no local no dia do episódio e que todas as diligências estão sendo feitas pela equipe de investigação. “Não é possível detalhar os procedimentos para não prejudicar o trabalho investigativo, mas esperamos nos próximos dias concluir a apuração e remetê-la à Justiça.”

Leia a nota da CPT

Na noite de ontem (24/03/2017), por volta das 20 horas, três homens armados e encapuzados, chegaram à residência do casal na comunidade Quilombola Marobá dos Teixeira no município de Almenara. Eles estavam em um veículo Novo Uno de cor branca. Ao chegarem, chamaram os moradores pelos nomes e quando atenderam acreditando que seria alguém conhecido, foram abordados por um dos homens, o qual afirmou que “graças a Deus” encontrou Jurandir, pois ele era um homem difícil de ser encontrado e já estavam procurando ele há dias.

Inicialmente, torturaram Maria Rosa (esposa do Jurandir e também é agente voluntária da Comissão Pastoral da Terra). Segundo ela, além de espancá-la, deu a ela alguma substância que parecia ter chumbinho dentro e quiseram obrigá-la a tomar, mas ela disfarçou e não engoliu. Além disso, ela foi obrigada a deitar no chão e foi coberta por um pano e insistentemente, perguntavam onde estavam as armas. Enquanto isso, um deles procurou o Jurandir (presidente da associação da comunidade) e quando o encontraram, amarra-o ao poste de energia elétrica e o espancou e também tentou enforcá-lo com uma corda, até ele desmaiar. Acreditando que ele estava morto, saíram e vasculharam a casa, além de levar pertences da casa, levaram documentos da associação comunitária, documentos relativos aos processos administrativos e judiciais relacionados ao território.

Acreditamos que isto está ligado ao conflito agrário de lutas em defesa do Território. Em outras ocasiões, vários momentos de conflitos foram registrados, muitas ameaças já foram feitas, também agressão física e verbal. Muitas outras evidências nos levam fazer tal ligação. As burocracias, a morosidade e a omissão dos órgãos de governo e até a morosidade do Judiciário, têm contribuído para acirrar o conflito.

Diante do exposto a Comissão Pastoral da Terra e a comunidade Quilombola Marobá dos Teixeira vêm denunciar este atentado e exigimos que seja investigado e punido os responsáveis.

Belo Horizonte – 25/03/2017

Comissão Pastoral da Terra – MG

Comunidade Quilombola Marobá dos Teixeira.

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(Com Agência Brasil)

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