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Polícia Federal investiga atuação de agência de turismo de Governador Valadares em esquema de imigração

A Polícia Federal (PF) investiga o possível envolvimento de uma agência de turismo de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, no esquema de travessia ilegal para os Estados Unidos pelas Bahamas. O estabelecimento foi alvo de um mandado de busca e apreensão na manhã desta sexta-feira (13) após a deflagração da Operação Piratas do Caribe.

Segundo o delegado Raphael Baggio De Luca, que coordena a operação na delegacia de Ji-Paraná, em Rondônia, a agência de turismo é suspeita de vender as passagens para os doze brasileiros que desapareceram nas Bahamas em novembro passado após uma tentativa de chegar aos Estados Unidos.

“Queremos saber se essa agência vendia passagens mais baratas para esses brasileiros ou se ela tinha um envolvimento maior do que o mero exercício de venda, como dar descontos aos ‘coyotes’”, disse De Luca.

Além da agência de turismo, a PF também realizou buscas em duas residências, uma em Governador Valadares e outra em Sardoá, na mesma região. Dois homens foram presos sob a suspeita de integrar o esquema de venda dos pacotes de imigração ilegal. Segundo a PF, a dupla era conhecida na cidade por intermediar a ida de brasileiros que queriam morar nos Estados Unidos.

“Indícios apontam que eles atuavam na cidade por anos, chegando ao ponto da população ir até eles para conseguir um pacote”, disse o De Luca. As travessias ilegais custavam cerca de R$60 mil por pessoa e eram dadas como tranquilas e seguras, disse o delegado. “Eles diziam que duraria apenas um dia, que seria feita de barco. Mas, as travessias geralmente duravam mais tempo, eram feitas a noite e, durante o dia, eles ficariam se escondendo em ilhas sem água potável”.

Além dos pacotes ilegais de imigração, as investigações focam em descobrir informações sobre o possível paradeiro dos brasileiros que desapareceram em novembro após uma tentativa de travessia de Nassau, capital das Bahamas, para a cidade litorânea de Miami, nos Estados Unidos. As oitivas com a dupla presa em Governador Valadares pode dar uma nova pista sobre a localização do grupo.

“Vamos ouvir um deles nesta sexta-feira para saber até que ponto eles estavam responsáveis pelos brasileiros”, disse De Luca. “No momento, estamos trabalhando com todas as possibilidades”.

Além de Minas Gerais, a Polícia Federal também realizou ações em Rondônia e Santa Catarina. Ao todo, foram sete mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva cumpridos no país.

Omissão de familiares dificultam trabalhos

A resistência dos familiares dos brasileiros desaparecidos em procurar ajuda policial ou ceder informações cruciais ao caso estão atrasando as investigações da Polícia Federal, diz o delegado De Luca.

“Uma coisa que poderia adiantar as investigações em quatro dias acaba atrasando os trabalhos e nos coloca uma semana atrás do que poderia ser feito”, disse De Luca. Entre os motivos alegados para o receio estão o medo de vingança dos chamados “coyotes”, os intermediadores das travessias ilegais.

A PF aponta também que a facilidade que os brasileiros encontravam para entrar nas Bahamas indica que um agente de imigração do país integrava o esquema.

Relembre o caso

As investigações sobre o esquema de travessias ilegais para os Estados Unidos começaram após a denúncia dos brasileiros que desapareceram nas Bahamas no dia 06 de novembro do ano passado. O grupo estaria em uma embarcação com dezenas de pessoas de outras nacionalidades e teriam deixando Nassau com destino à Miami, mas jamais chegaram à costa norte-americana.

O Ministério das Relações Exteriores realiza trabalhos para localizar os brasileiros desaparecidos desde o dia 15 de novembro, mas até o momento não há nenhuma informação sobre o paradeiro do grupo. No dia 29 de dezembro, a representação brasileira em Nassau se reuniu com integrantes do governo de Bahamas para oficializar uma investigação. A guarda costeira dos Estados Unidos também realizam buscas no perímetro da costa, mas não encontraram sinais de naufrágio ou de detenção.

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(Fonte: O Tempo)

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