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Mogno é aposta de produtores no Norte de Minas

A crescente demanda por madeira de qualidade no mercado nacional e internacional e a perspectiva de triplicar os investimentos motivaram produtores do Norte de Minas a apostarem numa cultura irrigada bem diferente das conhecidas na região: o mogno. Nos projetos públicos de irrigação Gorutuba, Jaíba e Pirapora, todos geridos pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o cultivo das espécies de mogno brasileiro e mogno africano ocupa 55 lotes, atingindo uma área de aproximadamente 800 hectares.

“A silvicultura (cultivo de árvores florestais) tem um potencial muito grande na região. Aqui a gente tem topografia excelente, solo profundo, luminosidade e água do rio São Francisco, que é de excelente qualidade para a irrigação. São todas as condições favoráveis”, destaca Jayme Caetano de Mattos, técnico agrícola e produtor no projeto Gorutuba, localizado em Nova Porteirinha, no semiárido mineiro. Ele iniciou a plantação de mogno brasileiro (Swietenia macrophylla) em um lote de 5 hectares, e hoje administra uma área de 200 hectares.

No projeto de irrigação Gorutuba, somando-se as áreas empresariais e familiares, o mogno já é o segundo maior cultivo, com 8% da área plantada – a banana é o principal cultivo (80%). No Jaíba, nos municípios de Jaíba e Matias Cardoso (MG), na área empresarial, o mogno ocupa cerca de 4% da área plantada; na área familiar, representa 2%. Já no projeto Pirapora, em Pirapora (MG), com produção exclusivamente empresarial, o mogno ocupa 5% da área cultivada.

Projeto de irrigação

Área de mogno plantada (hectares)

Número de lotes

Gorutuba – empresarial

374

5

Gorutuba – familiar

66,6

7

Jaíba – empresarial

194

11

Jaíba – familiar

111

30

Pirapora

40

2

TOTAL

785,6

55

“No perímetro Pirapora, foram plantadas as primeiras mudas de mogno africano, fora da região amazônica, em 2005, sendo o perímetro pioneiro no plantio de mogno irrigado”, afirma Paulo Carvalho, gerente regional de Irrigação da 1ª Superintendência Regional Codevasf, sediada em Montes Claros (MG).

O produtor e técnico agrícola Antônio Serrati foi um dos pioneiros no plantio de mogno no Norte de Minas Gerais, em uma área de 10 hectares no projeto Pirapora. Ele resolveu investir no cultivo de mogno irrigado depois que soube do grande potencial da cultura. “Por ser uma madeira de lei quase em extinção, encontrei uma pesquisa de mercado que dizia que o mogno teria no futuro um valor bem acima de outras madeiras de lei”, conta.

Atualmente com uma área de 22 hectares, entre mogno brasileiro e mogno africano, Serrati já prepara a colheita de parte da plantação. “Nós já fizemos e vamos continuar no próximo ano o desbaste (corte de metade mognoda plantação), para aumentar o espaçamento e deixar as plantas crescerem mais. O desbaste pode ser feito entre oito e dez anos depois do plantio”, explica.

Segundo dados da Gerência Regional de Empreendimentos de Irrigação da Codevasf em Montes Claros, na atual situação das florestas de mogno nos perímetros da Companhia, o custo médio de manutenção é de aproximadamente R$ 4.200 por hectare/ano. Além desse, existem outros custos, como os de implantação, de cortes, de pós colheita, entre outros. Apesar de ser um investimento a longo prazo, com retorno financeiro estimado entre 10 e 15 anos, os produtores têm a expectativa de triplicar o investimento.

“O retorno do mogno é fantástico”, comemora o produtor Jayme Caetano de Mattos. Ele conta que a primeira colheita pode ser iniciada quando a árvore atinge 30 centímetros de diâmetro, a 130 centímetros do chão, o que é chamado de “diâmetro altura do peito”. Para conseguir uma rentabilidade imediata e manter a cultura de mogno até a colheita, muitos produtores optam em ter uma cultura consorciada, por exemplo, com café, manga, uva ou pimenta do reino.

“Como o cultivo do mogno é recente no país, o material técnico no início era escasso. Mas hoje temos uma bagagem boa sobre a cultura e temos acertado bem na condição do desenvolvimento da lavoura, no controle de pragas, no controle de doenças. Hoje já temos tecnologia para isso”, relata Mattos.

De acordo com dados da Embrapa, o mogno é uma espécie de grande importância econômica devido à qualidade da madeira, que é durável e muito apreciada para a fabricação de móveis de luxo e artigos de decoração. A valorização do material deve-se a cor atrativa da madeira, durabilidade, estabilidade dimensional, fácil manuseio e diversos usos pela indústria.

Mogno é aposta de produtores no Norte de Minas (Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa)

(Ascom Codevasf)

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