“Ele estava no melhor momento da carreira”, diz amigo de piraporense que estava no avião da Chapecoense

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No trágico acidente aéreo que sofreu a Associação Chapecoense de Futebol, na madrugada desta terça-feira (29/11/2016), entre os mais de 70 mortos está o treinador de goleiros Anderson Martins, natural de Pirapora. Boião, como era chamado pelos colegas em Chapecó, viveu toda a infância e adolescência no Norte de Minas, onde deixou o pai, tios, primos e colegas de futebol amador. A família de Anderson soube do acidente através da televisão.

Há pelo menos três anos, o treinador de goleiros programava voltar à cidade natal, e pretendia levar esposa e filhos, que moravam com ele em Santa Catarina. Anderson não pode fazer as visitas que gostaria, mas deixou saudades entre os entes queridos.

“A notícia foi um choque. Ele era um menino muito bom, batalhador. Ele fazia planos de visitar o pessoal daqui agora, no fim do ano, mas infelizmente não deu tempo. É muito difícil de aceitar”, lamenta Lourival Martins, tio de Anderson.

No Norte de Minas, o apelido do até então goleiro era Fábio Júnior. Cresceu jogando nos campos de várzea de Pirapora, sobretudo no antigo “Campo de Cereso”, que deu lugar a um supermercado no Bairro Santos Dumont. O tio de Anderson conta que ele sempre quis ser goleiro.

“Desde muito novo ele queria mesmo ser goleiro. Nunca ocupou outra posição nos campos. Ele saiu daqui para tentar esse sonho, e quando viu que não ia dar certo, encontrou a chance de virar treinador de goleiros. Ele estava realizado, ficando famoso entre os clubes grandes por causa dos resultados que vinha conseguindo com os goleiros que preparava. Eu disse para o pai dele ‘Anderson está de parabéns’”, lembra Lourival, que também já foi treinador de futebol.

Anderson Boião, em Santa Catarina (Foto: Julia Galvao/FutebolSC.com)

História no Pirapora Futebol Clube

A relação de Boião com a defesa dos times começou muito cedo. O time de futebol de Pirapora, no auge da adolescência do esportista, começava a dar passos acertados e se destacar em Minas Gerais. Em uma das competições, a equipe ganhou um campeonato amador e foi vista por clubes maiores. A partir de então, Anderson, com 16 anos, foi defender outros gols.

“Anderson jogava com a gente aqui na cidade e sempre era diferencial no time. Fazias grandes defesas, tinha vontade de pegar a bola. Começamos a ganhar alguns jogos e, quando vencemos o campeonato amador, o time do Democrata de Sete Lagoas o chamou para jogar. Aí ele foi embora, foi atrás do sonho dele”, conta Luiz Pereira, amigo de infância de Anderson e dirigente do Pirapora Futebol Clube.

Várias traves emolduraram a trajetória de Anderson depois da passagem por Sete Lagoas. Jogou em times no Distrito Federal, inclusive no Brasília, depois foi goleiro no Paraná. Viu a oportunidade de virar treinador de goleiros no Chapecoense e, no auge da carreira, teve o sonho interrompido.

“Nós sempre nos falávamos, quase todas as noites pelas redes sociais. Anderson contava que o Danilo, goleiro da Chapecoense, estava se destacando, e que as pessoas estavam reconhecendo o trabalho dele. Estava sendo cotado pelos grandes clubes e pretendia crescer cada vez mais ao lado dos jogadores. Eles foram acreditando na vitória, mas não puderam voltar para as famílias”, diz Luiz.

“Ele estava no melhor momento da carreira. Trocamos camisas dos nosso times recentemente, ele me disse que iria fazer a viagem, e que quando voltasse postaria uma foto usando a camisa do Pirapora nas redes sociais”, fala Luiz Pereira, amigo de Anderson e dono do Pirapora Esporte Clube.

O ‘Boião’

Em Chapecó desde 2008, Anderson virou Boião no sul do Brasil. O apelido era uma brincadeira entre os colegas de clube. Ao procurar pelo almoço pronto, o treinador de goleiros perguntou sobre a “boia”, gíria usada pelos norte-mineiros quando se referem ao prato feito.

O amigo Luiz Pereira não usa camisa de time, mas, nesta terça, a camisa do Chapecoense foi escolhida pelo treinador. “Nunca visto materiais de times, mas hoje é com o Chapecó que vou ficar o dia todo. A imagem que vai ficar do Anderson são os jogos nos campinhos de terra, as brincadeiras, quando chamava ele de ‘barca furada’. É duro de aceitar uma perda dessas”, comenta.

(Fonte: G1 Grande Minas)

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