Cruzeiro frustra multidão, perde para o Grêmio e se complica na Copa do Brasil

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Uma atuação bastante apagada na noite desta quarta-feira colocou o Cruzeiro numa situação muito difícil na Copa do Brasil. Diante de mais de 53 mil torcedores, recorde de público do Mineirão em jogos entre clubes em 2016, o clube celeste foi facilmente batido pelo Grêmio por 2 a 0, pelo duelo de ida das semifinais da competição. Os gols de Luan, no primeiro tempo, e Douglas, na etapa final, colocaram os gaúchos com um pé na decisão contra Internacional ou Atlético. Resta à Raposa tentar vencer por três gols de diferença, vantagem que jamais conseguiu com mando de campo do time gaúcho. As equipes se encontram novamente na próxima quarta-feira, às 21h45, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

Antes de tentar um “milagre” no Rio Grande do Sul, o Cruzeiro vai ao Paraná, também no Sul do país, onde enfrentará o Atlético-PR no sábado, às 16h30, na Arena da Baixada, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. Embora tenha se afastado do Z4, a equipe ainda corre o risco de cair – está em 13º, com 41 pontos, a seis do 17º Vitória. No mesmo dia, às 19h30, o Grêmio visitará o Figueirense no Orlando Scarpelli, em Florianópolis.

Festa azul só até a bola rolar

Uma multidão em azul e branco tomou conta dos arredores do Mineirão muito antes do início da partida. À tarde, torcedores já confraternizavam entre si com churrasco e bebidas em barraquinhas instaladas nas avenidas próximas. À noite, o público foi se aconchegando no Gigante da Pampulha. A festa estava pronta. A classificação heroica diante do Corinthians e a campanha de recuperação no Campeonato Brasileiro, competição em que o time está há cinco jogos sem sofrer gols, foram combustíveis para os mais de 50 mil cruzeirenses presentes no Gigante da Pampulha. Sinalizadores, rua de fogo, fumaça e foguetório embalaram o elenco celeste, ovacionado na chegada ao estádio.

Mas para se dar bem numa semifinal de Copa do Brasil é preciso muito mais do que apoio maciço da torcida. Repertório técnico, alternativa na criação de jogadas e bombardeio contra o goleiro adversário entram na lista. Coisas que o Cruzeiro teve extremas dificuldades em apresentar, uma vez que o Grêmio veio disposto a jogar por uma bola e, por isso, reforçou o sistema de marcação com defesa e meio-campo em linha. Talvez o mais lúcido tenha sido Arrascaeta, que tentou dois ou três lances individuais, com o primeiro levando perigo logo aos 2min.

Em meio ao nervosismo dos donos da casa, os gaúchos superaram a chamada “pressão de 15 minutos”. Aos poucos, passaram a gostar do jogo. Um chute tímido de Edílson, aos 16min, fez o Tricolor acreditar que era possível ser mais ousado. Três minutos depois, Marcelo Oliveira tabelou com Pedro Rocha e ajeitou para o campeão olímpico Luan, que, num belo toque por cobertura sobre o adiantado Rafael, calou grande parte do Mineirão e colocou o Grêmio em vantagem: 1 a 0.

Ao lado esquerdo da tribuna de imprensa, cerca de 300 gremistas cantavam o tempo inteiro e, por vezes, ofuscavam a maioria cruzeirense, já apreensiva e impaciente com os sucessivos erros dos laterais Lucas e Edimar e de uma noite pouco inspirada de atletas outrora decisivos, casos de Robinho, Rafael Sobis e Ramón Ábila. O apito final de Péricles Bassols para o intervalo foi um misto de alívio e revolta em função da péssima exibição celeste.

“Time deles está bem atrás. Nos faltou mobilidade para poder entrar”, reclamou Robinho, ciente da improdutividade do time, na saída para o vestiário.

Cruzeiro perdeu no Mineirão (Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Ousadia que deu errado

Na tentativa de mudar o repertório da equipe, Mano Menezes fez uma substituição curiosa: tirou o lateral-direito Lucas e colocou o meia-atacante Alisson. Com isso, Leo virou uma espécie de lateral-direito, enquanto Edimar fechou do lado esquerdo. Na sobra, apenas Bruno Rodrigo. E os volantes Denílson e Lucas Romero ficaram com maiores obrigações defensivas. Visualmente, era um 3-5-2, mas sem peças específicas para cumprirem as funções.

Foi com essa “invencionice” de Mano que o Cruzeiro, enfim, conseguiu assustar a meta de Marcelo Grohe. Aos 5min, Robinho sofreu falta na entrada da grande área. Edimar cobrou no canto direito, mas para fora. Em seguida, Arrascaeta puxou contragolpe e tocou para Robinho, que, por sua vez, encontrou Rafael Sobis livre no lado esquerdo. A batida do camisa 7, porém, foi fraca, e o goleiro do Grêmio defendeu sem problemas.

Ousada, a estratégia cruzeirense era também perigosa. Com um zagueiro apenas, o time corria risco de ser batido num contra-ataque. E foi isso que aconteceu aos 16min. Num chutão de Kannemann, Ramiro dominou a bola no campo ofensivo, a conduziu até a meia-lua e deu passe para Douglas bater na saída de Rafael: 2 a 0.

Apesar de uma nítida desorganização tática, Mano Menezes abriu mão de chamar do banco de reservas um defensor para reequilibrar o time e apostou nas entradas de Willian e Alex nos lugares de Sobis e Denilson. A marcação continuou vulnerável e o Grêmio só não transformou o placar em goleada porque, aparentemente, deu-se por satisfeito com o dois a zero.

Atletas prometem comportamento diferente na partida de volta

O zagueiro Léo, capitão da equipe no jogo de ida, e o atacante Alisson, que entrou no intervalo, garantiram que a equipe terá comportamento diferente em Porto Alegre, na próxima semana.

“Primeiramente, não foi o que esperamos. Precisamos assimilar o resultado negativo, mas é um jogo de 180 minutos. Temos que levantar a cabeça e ir em busca do resultado lá. Como eles fizeram aqui, podemos fazer lá. Temos que virar o próximo jogo e reverter o quadro, porque é possível sim. Temos condições”, enfatizou Léo.

Já Alisson pontuou que o grupo tem uma semana para trabalhar pensando no jogo da volta. “Faltou nosso time jogar um pouco. Enfrentamos uma equipe de muita qualidade, que fez um grande jogo aqui. Agora é trabalhar na semana para chegar forte lá no Sul e buscar reverter o resultado”, disse o camisa 11.

(Fonte: Super Esportes e Site Oficial do Cruzeiro)

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